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Maldições 3

Leia a parte 1 e parte 2.

“E meu pai, se não me engano, se chama Nintendo…”

Era uma provocação, isso ele sabia identificar. Mesmo não sendo um pai afetuoso e presente, lembrava-se de ter assistido algumas discussões de Julieta com a mãe e de como achava graça do humor sarcástico e cruel da menina ao debochar do conhecimento materno. Era ácida, bocuda e delicada. A palavra que lhe ocorreu quando soube que era considerado menos importante que o video game foi ‘agulha’. Sim, uma espetada, alfinetada, um ponto.  Era preciso recosturar sua relação com a filha sem dedal, doeria nos dois, mas não queria perdê-la, queria ser admirado por ela, ser considerado bom pai. Sabia que ameaçá-la de morte não resolveria, teria de ser pelas vias tortuosas do sentimentalismo complicado, que nunca tinha sido o seu forte.

- Sabe? A sua mãe escolheu seu nome, Julieta… Ela quis que fosse um diminutivo do meu por que me amava muito… Sei que nunca fui..

- Ah, me poupe… Nos últimos três anos esse foi o maior diálogo que você manteve comigo. Não sabe o que dizer para me consolar? Diga que vai desaparecer da minha vida e me deixar em paz!

- Mas você tem treze anos! Está pensando que pode morar sozinha?

- Não preciso morar sozinha, mas aguentar suas irmãs insuportáveis e óbvias é mais agradável que suportar sua presença. Você sabe o que matou a minha mãe… e o que provavelmente vai me matar um dia. Eu já devo estar morrendo, aliás…

Ele não sabia o que dizer. Deixar a filha para as irmãs dele criar seria um presente para elas e uma pena para a filha, que provavelmente morreria praticamente virgem e amarga como as tias. Como salvar da tristeza a filha estando ele próprio tão condenado? Apenas observou Julieta observar o funeral da mãe, voltar para casa, entrar no quarto e trancar a porta. Decidiu que não bateria à porta para pedir que saísse, sabia que ela devia estar chorando as lágrimas que engoliu na frente de todos, para mostrar como era como ele: forte. Agora pesava tudo o que sabia sobre a filha que estava sempre ali mas nunca precisou dele. Apesar de ser o pai e nunca ter se afastado do lar surpreendia-se ao lembrar de um tio dizendo que a menina era igualzinha a ele quando menino, principalmente no gênio difícil. Lembrava o que amigos lhe diziam sobre a filha, ele realmente não sabia muito sobre ela. Lembrava do que mulher lhe contava… Sim, ela sempre falava da menina, mas ele nunca prestava muita atenção, tudo parecia sempre mais reclamação chata, cobrança de mais algum sentimento que não conseguia expressar ou dar valor.

Ela já não falava muito ultimamente, lembrou…  Será que percebeu o quanto a filha estava (ou era?) triste?

Tem de tudo – 2a feira

Segunda tem trabalho pra começar, tem final de semana pra lembrar, mau humor para atrapalhar, requer coragem pra enfrentar…. Ah, a segunda que é meu dia de martírio, dia que eu queria aproveitar pois tudo está mais vazio, os supermercados, os shoppings, os cinemas e restaurantes, segunda é o melhor dia para desfrutar os benefícios do consumismo sem precisar se acotovelar com “peruas promocioneiras” de plantão. Talvez eu não devesse espalhar essa informação… Mas o fato é: segunda é um dia em que, geralmente, estou de mau humor. Muito mau humor.

Ok, não sou mais criança, sei me controlar para não dar birra só por tédio, só por que tudo não é como eu gostaria. Sei manter a fera que a segunda-feira atiça sob meus domínios. Tentando manter a calma, tentando ficar de bom humor, desejando uma fórmula mágica pro dia passar bem depressa. Que saco a segunda-feira…

Mudando de assunto, talvez seja a melhor forma de o dia passar bem rápido, que tal falar de… Fernando Pessoa? Adoro essa: “A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la”. Vale a pena conhecer Pessoa(s). Meu primeiro contato com o cara foi na aborrescência, então não dei o devido valor, achei muito cheio de enigmas e na época era apenas uma voraz consumidora de informação – tudo o que tivesse um pouco de reflexão me cansava. Eu recomendo o tio Pessoa pra aliviar segundas duras e semanas que prometem ser chatas…

E, se você já matou alguém hoje, música clássica pra celebrar: Bohemian Rhapsody – Queen (trilha do livro que estou relendo)

Bom, é tipo um papo de auto-ajuda e foi assim que me ajudei muitas vezes que precisei me livrar de pessoas ou da raiva que sentia delas. Lição única e óbvia: tenha um precipício. O meu fica nos confins da minha raiva, quando ela está para se transformar em ódio e se parece bastante com os canyons de Utah. Eu posiciono o motivo da minha raiva bem ali, na beira do abismo e miro o chute em sua sua bunda (que na minha imaginação é sempre gorda). Algumas vezes vou de voadora e bem poucas empurrei com minhas mãos. Mas depois que joguei, não olho pra trás, matei… Sempre que volto a lembrar ou pensar na coisa que joguei de lá, lembro que morreu , pois idiotas não voam. Funciona pro bem ou pro mal a sua mente, basta acreditar no que ela lhe diz e, principalmente, fazê-la acreditar no que você diz à ela. E tente não ficar triste se perceber que a maioria das pessoas que passam pela sua vida não cheiram nem fedem ou foram assassinadas pela sua imaginação. O segredo é lembrar que você não perdeu nada, pois é quem continua vivo.

Música esquizo: Everybody knows you cried last night (puta véia!) – The Fratellis

E mente cheia?

Se mente vazia é oficina do cão, de quem é a oficina na mente cheia? Não sei, claro. Mi madre nunca quis me dar calmantes para hiperatividade na infância e me ocupava com coisas normais, coisas úteis e habilidades práticas. Ouço muito que sou moça prendada, apesar de nem valorizar o que sei. Não consigo me dedicar de verdade. Agora, este texto foi começado com um doce de banana no fogão porque adoro cozinhar, mas minha mente não se conteve na panela, nunca consigo me conter. Se escrevo, quero dançar. Se pinto, quero cozinhar. Se cozinho, quero escrever. Se escrevo, lembro que a panela está no fogo e… peraí. É, eu abaixei o fogo. Demora, viu? Doce de banana não é um mistério da humanidade, é só picar a fruta bem madura, colocar açúcar (cravo e canela, se pans) e levar ao fogo, mexendo até derreter. Essa calda derretida pode fazer estragos na pele, evite se queimar com ela que nem a idiota aqui sempre faz. E tenha paciência para ver aquele caldo pegar consistência… Leva mais de hora.

Mas é isso. Paro tudo e vou montar pista de ‘róti uils’, e ele pára a montagem da pista no meio para ver uma cena interessante de ‘Lilu e Ititi’ e depois quer desenhar ou ir pra piscina se ouvir alguém se divertindo lá. Penso, logo desisto. Provavelmente ele vai adquirir muitas habilidades práticas por ser curioso, inquieto e inteligente. Aprender muitas coisas foi o jeito de ocupar minha mente sedenta e ociosa, não doeu e nem pesa saber coisas domésticas como crochê e ou decoração; artes como desenho, pintura, bonsai, danças; habilidades com computadores e idiomas e etc. Saber mais só me deixou mais insatisfeita com aqueles que acham que não precisam (ou não conseguem) aprender mais nada. Cabe mais alguma coisa aí? Provavelmente, sim.

Música, né? Ok… Here comes yor man – Pixies

Socialvibe – legal!

Por nada, não… Mas troquei meu tempo perdido com Farmville para perder tempo com ações sociais através da web. A Socialvibe, cujo widget está aí ao lado bem na cara, é uma maneira de ajudar uma entidade que lhe interesse participando e apoiando ações de marketing que patrocinam a iniciativa. Então, você clica ali e participa de alguma atividade online onde o patrocinador vai te fazer ver a marca dele e, em troca da influência que tentou exercer sobre sua vontade, ele manda um troco para ajudar a instituição que escolhi. Você não gasta nada além de tempo. Resolvi ajudar a fundação Art of Elysium, pois como mãe sei que, infelizmente, a maioria das crianças vai parar no hospital algumas vezes e, nessas horas, arte pode ser tão curativa quanto remédio. Então, queridos leitores, peço que também ajudem clicando aí de vez em quando para ajudar os artistas que trabalham com um público tão especial. Música para uma terça chata, de recuperação e sashimi só pra mim (além da faxina que me espera, a casa parece ter sido visitada por demônios da Tazmania), então música pra dar um gás e mostrar que algumas crianças sabem fazer arte melhor que gente grande: Radio Riot – Tiny Masters of Today (tão lindinhos! Já imagino meu Petit Prince guitarreiro…)

Segunda porre

Segunda é um dia de merda. Some ao fato de ser segunda a ressaca pós show do Metallica, onde percebi que estou mais pra balzaquiana mesmo… Hematomas, rouquidão. E aí, pra inaugurar o dia, visitar um escritório chato para rescindir o contrato, depois dentista e, agora, estou com a maior dor na cara toda. Mas beleza, saindo da tortura peguei meu príncipe, pois o Sol estava rachando e fomos pra piscina. Escorreguei na área ao redor e, para retormar o equilíbrio, dei uma topada com o dedão da unha ferrada, que está doendo também. E ainda tenho que pensar no jantar, mas acho que hoje teremos pastel, sanduíche e frutas, pois não dá pra ser tão multi todo dia. Dureza, beleza, sarna por gosto não deveria coçar… nem doer.

Música maravilhosa que me fez explodir ontem e ainda não consta da ilustre lista deste espaço : The Unforgiven – Metallica

P.S. Os fanáticos que me perdoem (ou não, nem ligo) mas os albuns Load e Reload foram realmente ruins para o nível esperado dos tios do Metallica. Eu achava que eles tinham acabado naquela época, Graças aos Deuses que o Trujillo entrou e deu um gás mais nervoso no clima da música da banda. E eles tocaram muitas nervosas… O povo pediu Kill´em All!!! HAhahaha! É… a minha favorita tem um título meio comprido pra fazer coro, nem adiantava tentar…

Né? Então… Acabo de sentir  paz e excitação simultâneas, coisa boa de sentir assim, do nada, com uma música e o Gui apenas por perto. Terminando os preparativos para a festa do terceiro aniversário do Américo no próximo findi, na concentração para o show do Metallica logo mais, espero que eles arregacem – e toquem Wherever I may roam também. O dia está ficando mais bonito conforme as horas passam. Essa semana promete e começar assim, em grande estilo, é soberbo. Dançar a vida nessa manhã domingueira, dançar a alegria de viver e saber que aqueles que amamos estão bem. Estou escrevendo mais, pintando mais, criando mais, isso está me fazendo bem, deixar o que não é bom do lado de fora… Música pra se concentrar no show do Metallica:  Hard to explain – Strokes (fodam-se todos os fanáticos)

Eu não tenho culpa de ser poderosa e de ver as coisas que desejo acontecerem apenas por que o destino assim o quis. Não é minha culpa, mesmo. Eu e a sorte somos camaradas… E nesta manhã nublada de sábado constato que ter poder é ter responsabilidade, sim. Exercemos influência sobre as vidas que criamos ou cativamos, mas só podemos mesmo com a nossa própria vida. Podemos ter alguma autoridade, durante algum, muito ou pouco tempo, podemos sentir ou ser alvo da admiração, podemos permitir a aproximação e, então,  é só nossa a responsabilidade pelo que pode acontecer. Eu não tenho culpa, assim como nenhuma planta carnívora pode ser culpada pela sua natureza atraente e mortal.

Esse papo de poder é responsabilidade cola bem. É uma grande utopia, quem dera todos os poderosos soubessem de suas reponsabilidades, quem dera os simples mortais resolvessem não tentar sempre empurrar para os outros, quem dera os vaidosos não enxergassem apenas admiradores em todos que se aproximam. Com minha atitude de “Pare o mundo, porque eu quero descer” pareço mais soberba do que realmente sou, em geral só mordo mesmo quando alguém pisa na minha pata, sou mais de fugir pelo telhado de quem me ameaça deixando algum tijolo solto para cair na cabeça de quem tentar me seguir. Dependendo da moleza do miolo, o tijolo faz um estrago grande…

Criar gato (ou ser uma) te dá muitas vidas pra cuidar, no fim das contas. E como diz o antigo adágio espanhol “No creo en las brujas, pero que las hay” – e estão mais perto do que se imagina…

E eu já to com quase todas as músicas recomendadas no meu nadahumilde blog em mp3. Algumas eu não vou achar nunca mais, mas beleza. Hoje eu vou adicionar uma que não me conformo de não estar lá ainda – sonzeira (aliás, muitas que ainda vou colocar nessa lista e no super ‘tígulo’ de mp3 da t(e)ia Lia): Hash Pipe – Weezer

Tutorial

Ah, essa é uma palavra mágica para quem deseja aprender através da web. Quer se especializar em qualquer merda? Baixe tutoriais. E estude-os, claro. Essa é uma palavra mágica que abre muitas portas nas buscas da web. Tutorial é igual em inglês, mesmo significado. Mande ver nos tutoriais, olhe o tutorial de tutoriais frequentemente e saiba mais. Deixe de ser burro(a)…

Mística:  Crackerman – STP

Maldições 2

“Sinto muito tê-la conhecido” foi a única frase que conseguia repetir incessantemente quando a mãe de sua filha morreu em seus braços, vítima de uma doença psicossomática que a fez definhar, na mesma cama onde treze anos antes teve a noite de núpcias mais feliz que uma noiva poderia imaginar. Ela morreu triste, insatisfeita. A maldição da família a contagiou – ou ela o amava tanto que morreu por saber que jamais seria capaz de fazê-lo feliz como ele a fazia. Preferia acreditar que maldições contagiam aos que amam os maditos, doía menos do que sentir-se assassino por se deixar amar, por amá-la ao seu modo triste e insatisfeito. Apesar de toda sua amargura, ela tinha sido a única mulher que ele realmente amou, sabia que era um sujeito insuportável. Nunca entendeu o motivo pra ela se apaixonar por ele,  mas lembrava-se de ter sido grande o seu esforço por corresponder às expectativas dela. Era triste vê-lo na piscina, grande e cinzento, como uma antiga estátua de pedra, cercando sua mulherzinha sorridente e calorosa como uma flor. Era triste vê-lo anos depois satisfeito com a bebedeira num bar de última categoria e ela chorando com a filha nos braços em casa. Triste começo e fim, mas tinham uma filha, não era o fim… A menina, que ele teria de criar e era uma mocinha que ele desconhecia, tinha se afastado dele já nem se lembrava desde quando. Era bonita, ele achava… Apesar de ter herdado sua aparência de estátua de pedra, ela parecia mais com uma linda peça de Rodin enquanto ele parecia um totem.  Teria de descobrir como lidar com ela e com o medo de vê-la amaldiçoada, assim como sua mãe o viu…

“Você só é um progenitor, pai é quem cria” – foi a primeira frase que ouviu de sua filha assim que o caixão desceu na sepultura eterna que guardaria os restos de sua esposa.

Continua (OU NÃO)

Necessidades marítimas

Eu sou uma gata marítima. Não digam que gatos não gostam de mar, pois muitos viviam bem nos navios de antigamente, caçavam ratos e comiam das pescarias, gatos amam a brisa e calmaria do litoral. Dormem o dia todo, quentinhos em alguma sombra confortável e saem à noite para caçar e se divertir com a gataria. Fico meio mals quando não vou ao encontro dos limites do continente… E agora que janeiro praticamente acabou, temporada passou, tudo lá está melhor, mais legal e mais vazio. É a hora certa para pegar uma semaninha de folga, encher a carteira de dinheiro e gastar tudo em quiosques e aluguéis de coisas bacanas que só existem no litoral, como pranchas, equipamento de mergulho, banana boat ride, parasail, kite-surf.

Não tenho intenção nem vontade de acampar com uma criança pequena, ainda. Ideal é alugar uma casinha e ir de carro, lotado de roupa de cama e banho, livros que nunca tenho tempo de ler por que fico baixando coisas pra assistir, câmera fotográfica, produtos de higiene pessoal (eu sempre esqueço um monte e tenho de comprar lá) e energia, muita. Na ida sempre vou cheia de animação, a volta é tipo um funeral. Como se a despedida fosse eterna – e quem garante que não? – como se ali estivessem minhas raízes que são arrancadas para retornar ao concreto, onde me sinto dentro de um vaso mal regado.

Eu tenho necessidades marítimas, apesar de já ter enjoado em balsa e ser alérgica aos borrachudos, apesar de ter de usar bloqueador solar FPS 60 até no couro cabeludo onde o cabelo faz uma risca pra não morrer de insolação por ser transparente, apesar de ser radicalmente contra marca de biquini no meu corpo, apesar de ficar horas remando até resolver dropar uma onda marolenta e me sentir uma Kelly Slater por ficar menos de 15 segundos em cima dela, apesar de ser urbana e terrivelmente viciada em tecnologia… Preciso de mar. Uma praia, uma caipirinha, uma sombra e uma musiquinha…

Hoje acordei com essa na cabeça – Sereia – De repente, California – do Acústico do Lulu

Quem dança

Os males espanta, mais até do que quem canta. Dançar é uma atividade física e social muito prazerosa, muito estimulante. É preciso desenvolver a inteligência musical, flexibilidade e autoconfiança para bailar com graça. É uma arte que requer não apenas ritmo, mas entrega de alma. Só dança sorrindo quem domina a arte, durante o ensaio quase nunca é de leveza a expressão, concentração e entrega paira no ambiente para que a arte nasça e seja bela. Não é apenas uma questão de técnica, pois essa é a parte fácil, a parte que pode ser transmitida. A graça do ritmo está na confiança, a execução confortável, como se cada movimento fosse tão natural quanto caminhar, respirar, dormir. Muitos são os artistas que se entregam profundamente, o baile também é um show que nunca pode parar, o corpo acaba mas dançamos com a mente, usamos nem que seja uma perna, um dedo, o balançar da cabeça que acompanha o ritmo. Assim como nascemos confortáveis com a água, nosso corpo nasce inclinado ao ritmo.

Quem diz que não gosta de dançar, não o sabe –  e tem vergonha de admitir que adoraria aprender - ou é muito doente. Pesado é aquele que da dança não se contenta… (Yoda style rulez!) Dance, não se importe com a apresentação, apenas deixe o ritmo te envolver e te devolver a liberdade de estar em si mesmo. Quem dança espanta os males que surgem e, também, aqueles que nos trazem.

Música pra dançar como se ninguém estivesse olhando hoje: Dance to the Underground – Radio 4

Maldições

Já estava começando a acreditar na lenda de que sua família nasce para ser triste, como se infelicidade fosse transmitida geneticamente e o fatalismo liderasse a iniciativa de todas as pessoas do clã. Ele não sentia-se preso ao estilo deles, apenas ao destino fatal de ser infeliz e miserável, ainda que mais por dentro do que por fora, ainda que eles não o considerassem como um igual. Ele era infeliz, ora, e não haveria de ser diferente. Sentia-se diferente de todos os que lhe eram conhecidos por ser descendente de quem era, mas também era diferente destes e herdara mais a maldição da infelicidade que qualquer outra característica. Maldições, assim como todas as mulheres da família exibiam verrugas que adquiriam vida e personalidade próprias depois dos trinta anos, assim como todos os homens tinham unhas dos pés horríveis e braços finos. Ele era infeliz como todos de sua família, ainda que não tivesse braços finos ou unhas horríveis ou fosse mulher para exibir verrugas horrendas. Cada um possuía uma vida diferente, apesar do  que era herdado geneticamente e fatalmente transmitido aos descendentes, mas quase todos que lhe eram próximos padeciam e acreditavam na maldição lançada há dezenas de gerações em um ancestral que torturou uma bruxa por ignorância e curiosidade sobre seus poderes. E, dizia a lenda, antes de ela finalmente sucumbir após muito sofrimento na mão daquele crápula, lhe disse que toda sua corja sofreria de uma insatisfação crescente, o que seria a origem de toda infelicidade e desgraça em suas vidas, e que pra sempre assim o seria… E, então, a velha morreu, e mudou de forma para transformar-se num velho pedaço de madeira podre. E o sádico ancestral sentiu-se insatisfeito como nunca antes e morreria infeliz e insatisfeito por nunca ter satisfeito a grande curiosidade que o fizera prender e torturar a pobre e esquisita velha de seu povoado,  a qual todos acreditavam ser capaz de curar a cegueira das pessoas na maioria dos casos em que a pessoa não tinha nascido com tal problema. Ele queria, por pura e egoísta ambição financeira, cobrar dinheiro para ir de cidade em cidade curando a cegueira alheia, não queria ser concorrente da velha bruxa, mas ela não lhe quis ensinar seus segredos, não admitia que ele fosse atrás de quem estava cego, dizia que só quem buscava a luz merecia ser curado e que isso não tinha preço, que era proibido vender tal poder. Velha burra, pensou ele em sua grande infelicidade e em seu leito de morte. E percebeu que burro tinha sido ele, pois mesmo sem ter tal habilidade que tanto desejou descobrir com a tal anciã, tinha conseguido o que almejava na vida, tinha dinheiro, herdeiros saudáveis e mesmo assim era insatisfeito e, portanto, muito infeliz.

E sua viúva viveu para ver dois de seus seis filhos suicidarem-se por sentirem-se infelizes, viu que nenhum dos outros quatro se dizia satisfeito ou feliz quando adulto, contou sobre a maldição aos que estavam em sua casa no dia de sua morte. Dois de seus quatro filhos que ainda viviam, nove netos e um bisneto. E a lenda da maldição foi transmitida e evitada muitas vezes entre os descendentes do torturador, alguns ramos da árvore genealógica simplesmente a ignoravam,  outros cultivavam forte fé na profecia de que todos os descendentes do torturador seriam insatisfeitos e isolavam-se do desejo, alguns viraram budistas, outros eram padres franciscanos. Muitos queriam evitar passar a maldição da infeliz insatisfação para o futuro, mas o gerador de todo esse fatalismo deixou muitos filhos e netos, muitas gerações até inventarem métodos anticoncepcionais alternativos ao celibato. Muito sangue nasceu do sangue do agressor maldito e, mesmo que ele fosse inocente, não era ignorante sobre a lenda e sabia ser da família que o criara, apesr de não ser reconhecido como tal. Também não reconhecia real insatisfação em todos seus familiares, suas irmãs sempre lhe pareceram muito satisfeitas por serem víboras em uníssono contra qualquer manifestação de felicidade, criatividade ou inteligência. Religiosas e tinham, então, todo o poder de quem interpreta mal o que lê e adapta como convém para aplicar contra algo que seja interessante, embasando o veneno em conhecimento alheio, de gente que teve coragem de deturpar a história para divinificar pessoas e fatos esquecidos. Ah, ele odiava suas irmãs, nunca sentiria-se satisfeito por ter o mesmo sangue delas. E aí identificava em si a tal maldição. Talvez fosse tudo verdade verdadeira de verdade…

Continua (ou não…)

Leviandade

Não sou tão maravilhosa que possa ser dona de qualquer verdade além da que experimento, sabe? Acho que sendo assim não sou leviana com o mundo, não julgo superficialmente o comportamento alheio sem tentar me colocar em seu lugar, sou mais indulgente do que gostaria de ser com a maioria das pessoas que cruzam meu suave caminho. Não sou tão pequena que não consiga, pelo menos de surpresa, dar um soco na cara de alguém e, por evitar a fadiga, concentro muita energia para um momento de estresse – que tento evitar mais ainda. Também corro bem rápido por isso.  Quem sou eu para me preocupar com a vida de alguém que não me diz respeito, que é uma pessoa estranha, que vi na feira de terça uma vez? A menos que a pesssoa não seja só isso, né? O que faz uma pessoa querer cuidar da vida alheia, orientar suas ações e esperar obediência, subserviência? Necessidade de autoafirmação, só pode. Uma coisa é pedir opinião sobre azul ou vermelho, outra coisa é permitir que a sabedoria de outrém (que não é feliz consigo mesmo nem benevolente com os menos hábeis) instrua outro comportamento – principalmente quando este não lhe diz respeito algum.

Leviandade  faz algumas pessoas analisarem superficialmente alguma coisa, preguiça também, mas geralmente é burrice mesmo. Para ser leviano é preciso ser espontâneo de verdade e a maioria das pessoas é covarde demais para tanta autenticidade. Hoje em dia a maioria é autenticamente virtual. Nem quando se aproximam de alguém, de fato, permitem-se mostrar o que realmente são, como realmente pensam. Deixam para extravasar sua personalidade onde não podem, de imediato, levar um soco na cara. Mas o mundo é pequeno, sabe? Menor do que eu… Analisar superficialmente é fácil, eu faço isso o tempo todo, todo mundo faz e não é um problema – desde que você não saia por aí latindo que seu ponto de vista superficial deve ser tomado por verdade absoluta, pois sua verdade é só sua, baby, limitada ao que você experimentou. Gosto muito de lembrar os leitores deste famigerado blog e desta irresistível blogueira que tudo o que falo é baseado em minha vasta experiência sobre minha própria vida. Ou vidas, gatas têm várias… E minha vasta experiência de vida não serve nem pra me livrar de gente pilantra.

Leviandade é o que faz, também, pessoas usarem ofensas no lugar de argumentos e atacarem quando são rejeitadas, quando não são idolatradas. Que a grandiosa energia da vida e a benevolente luz da piedade que sentimos para com os miseráveis me mantenha protegida de gente tão baixa…

Música pra celebrar o sábado, que foi muito bom até eu descobrir coisas que me deram idéias muito más… No excuses – Alice in Chains

Tio Oto, o modafoca…

Hoje é sexta, perceberam? Dia muito importante:  aniversário do meu grande irmãozinho. Ele é totalmente diferente de mim, é uma boa pessoa que tem um gosto musical duvidoso, gosta de programas de TV duvidosos, insiste em ser atlético mesmo sabendo que a lady murphy sempre está no time adversário. Ele ficou alto depois dos 14 anos e por isso nunca mais brigamos… SOMOS BROTHERS!!!

Feliz Aniversário, Uó!!!  Mahalo! Mahalo â nui no kou kôkua pono! Poxa, que dia sexy para se completar 27 anos, né? Sexta… Saiba que Sheeva te abraçará e lhe dará um novo nascimento hoje, tudo pode ser como você quer, afinal só você tem as rédeas de sua vida. Quero que você seja feliz, faça seus amores felizes e tenha muita coisa pra contar quando ficar velho de verdade. Quem sabe agora você não entra numa crise de meia idade (afinal, você é véio, véio…) e resolve ser aborrescente de novo e vai no show do Metallica comigo mesmo de tala no joelho e tudo (assim não precisamos pegar fila também… hein? heinn??)

Você merece ser muito feliz, iluminado por energias e pessoas boas com vidas felizes. Te espero em casa amanhã pra pegar uma piscina e comer umas receitas do Japon que vou fazer especialmente pra você, modafoca! TE AMO TERRIVELMENTE!!!

Beijosssss na bundinha de nego e uma música pra você lembrar que já foi jovem, cabeludo e besta: Bad Habit – The Offspring (um dia vou te perdoar por causar o chilique que me fez quebrar todos os cds dos caras… sorte sua que hoje tem mp3, moleque… )

P.S. >Aliás, preciso escrever sobre isso: a habilidade de ameaçar as pessoas, quem tem irmão mais novo sabe que treinamos neles… Não lembro de uma única vez em que vi meu irmão ameaçar alguém, mesmo que houvesse motivo - já eu, afff…

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