Lia Drumond

É só um blog…

Ângelo

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Uma nova geração, novo filho crescendo aqui dentro, novas formas de pensar velhas idéias. Nova vida, a vida que eu sempre quis ter (?)… é assustador chegar naquele lugar confortável chamado felicidade, tudo parece muito frágil, você se engana(?) mentalizando que é bom e será pra sempre porque é verdadeiro. Como se verdades não mudassem… Hoje é lindo, tudo, tudo… Dá até um sentimento de culpa, de nâo merecimento. Dois filhos tão lindos, engraçados, perfeitos e mais um aqui dentro, a infância e sua beleza que estou compartilhando tantas vezes, esse privilégio de ajudar alguém a crescer… E a certeza de que, um dia, tudo vai mudar, o tempo vai passar (já passa tão depressa!), eles vão crescer, a velhice vai chegar, o mundo será maior do que posso cuidar hoje, não será mais o mesmo. Ainda bem e também, ai.. não. Quero que todos cresçam e me superem, também quero que todos fiquem pra sempre minhas crianças…

Você, Ângelo, já me empresta outro olhar sobre seus irmãos, seu pai, eu mesma, nunca me senti tão capaz de realizar maravilhas, você já é a terceira… Nunca imaginei que seria mãe de tantos filhos, que seria tão mãezona, que gostaria tanto dessa função. Dá bastante trabalho, muita preocupação, muito medo, mas também é tão bom mais uma vez ter neném pra mudar nossa rotina, nosso vocabulário, nosso espaço. Seus irmãos te sentem chutar forte, mexer a barrigona da mamãe – ficam encantados, o Américo queria ver você nascer, o Aquiles te chama de ‘anjo’ e já entendeu que você está aqui dentro e, por isso, ele não pode pular no meu colo por enquanto. Eu e seu pai preparamos o quarto de vocês, inventamos espaço para caber mais coisas, doamos brinquedos e roupas dos seus irmãos pra desocupar a bagunça, estamos pintando na parede uma árvore fofa com passarinhos e bichinhos pra rodear seu berço com mais ternura.

Agora falta bem pouco pra você chegar, mais poucas semanas, conto em dias porque é dureza estar tão grande. dolorida e tão curiosa pra te pegar nos meus braços, ver sua carinha… Mas já te amo intensamente, não é mais uma idéia a se realizar, é vida forte daqui de dentro pro mundo, é você quem faltava pra nossa vida ser mais linda.

Música: Vagalume – Pato Fu   <3

Written by Lia Drumond

março 24, 2014 at 16:59

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Tempo, mano velho

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É o cansaço, é a rotina, é a desculpa… Ou é, na verdade, o sentimento de impotência. Não tenho nada para acrescentar aqui, acho. Numa nova fase de absorção, introspecção e observação. Talvez uma nova geração, o tempo de olhar para fora só que não mais daqui de dentro, já que agora sou tão vulnerável…

Não cala a vontade de dizer  (repetir?), mas as palavras não vão sair enquanto os significados  forem os mesmos. Ninguém está prestando atenção, quem está parece que não percebe, aqui não cabe mais o mesmo. Talvez seja amadurecer não se envergonhar da limitação que se busca terminar, não tenho mais vergonha da minha burrice. Burrice de hoje e ontem, estamos aí.

Tempo de plantar e colher de verdade, tempo de ser gente criando gente, tempo de não ter tempo pra parar.  Não desisti de escrever, só não gosto mais de estar ao alcance. Meu passado está por aí, mas meu presente só eu posso abrir… E o futuro que se foda.

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E, né? Andei, Lurdez da Luz

Written by Lia Drumond

agosto 8, 2013 at 13:52

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Burrice ryka!

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É mais fácil ver a culpa no outro, se encastelar na própria experiência de vida como se todo o universo só existisse para si. É conveniente fingir que não entende o problema, é mais fácil distorcer um fato do que analisá-lo sob a luz da razão. Aliás, todo mundo acha que tem razão, mesmo que nem saiba o significado dessa palavra. Faz tempo que não escrevo por achar que tudo é repetido, cansei de gastar dedo e tempo para mostrar essa indignação que só deixa as pessoas acomodadas incomodadas. O problema não são os pobres ignorantes, mas os ricos reacionários, que nem reconhecem serem ricos. “ah, eu trabalhei para ter comida em casa e nenhum ‘vagabundo’ tem direito de ganhar de graça”. Me deparo diariamente com a alienação de gente que tem dinheiro para pagar por cultura, gente que poderia ler bons livros e tornar-se menos ignorante. Mas essas pessoas não querem educação, acham que não precisam. Elas têm curso superior, são de’formadas’. Não precisam saber o que é a sociologia, o feminismo, a política. Falam sobre carros e viagens, falam sobre coisas que têm, raramente têm algo interessante para dizer sobre o que são. Sério mesmo que o máximo que já ouvi dessas pessoas é “sou (inclua aqui torcedor de algum time de futebol, descendente de tal etnia ou um adjetivo pátrio)”. Triste. Há exceções, mas tão raras que sentem-se intimidadas. Sentipensantes são flores pisadas pelos estúpidos que pensam que nada pode atingir quem tem dinheiro. Gente que luta por algo além do próprio dinheiro é cada vez mais raro.

“Mas eu trato bem os meus escravos…” é a frase que pareço ouvir diariamente dos velhos reacionários e dos infelizes jovens rykos e alienados. Cansei dessas pessoas que fazem de tudo para aparecer.  Hoje prefiro olhar para quem realmente precisa ser visto, gente que tem salvação, pois só lhe falta dinheiro. Empatia é coisa difícil de encontrar naquele que acha que ter é mais importante do que ser. Fico na torcida maligna de que esses reaças riquinhos morram logo, pois são minoria apesar de sustentarem e fomentarem tanto consumismo e tanta desigualdade… O mundo precisa evoluir.

Written by Lia Drumond

junho 22, 2012 at 16:44

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Sem planejamento

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Que só hoje deveria importar, mas não dá pra parar de pensar no que será. Não quando se carrega pequenas promessas nos braços, para proteger da indiferença onde lhes querem plantar. Saber é, saber levar um golpe a cada coisa que se sabe triste e se precisa explicar. É doce e salgada a rotina de cuidar e amar e cuidar até que, se tudo der certo, só sobre o amar. É a agonia de ainda esperar, por mais que acreditasse, ingênua, que a espera acabaria no fim dos nove meses. Temos tanto o que esperar que a expectativa é inevitável, o sofrer com ela é infinito. Culpa e tentativas de racionalizar, afinal pensar é normal. É normal pensar? É preciso parar de pensar e planejar… (?)

Som: Call Me – Chris Montez

 

Written by Lia Drumond

março 20, 2012 at 9:57

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Blogagem Coletiva: Estupro de Queimadas

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Primeira vez numa blogagem coletiva, mas é imprescindível. A vontade é de sair quebrando tudo, fazendo o mundo ver que ser mulher também é revoltante, difícil achar uma que nunca pensou se não seria mais fácil ser homem. Pois ao homem tudo é permitido, tanto que historicamente são eles os ‘chefes’ da família, para eles que todos devem responder. Às mulheres, a vergonha. Tenha vergonha de ser mulher, por ser mulher, para ser mulher. Homem pode até ser um tremendo idiota, mas mulher, nem isso… Ninguém vai dizer do homem idiota: “Só podia ser homem!” Às meninas ensinam que devem se cuidar, preservarem-se da opinião deles. “Prendam suas cabras que meus bodes estão soltos!”. Aos meninos, ensinam que ser mulher é menor, é feio: “Vai chorar igual uma mocinha?” Claro que há gente tentando mudar essa realidade, mas ainda sobrevivemos assim. Rindo da desgraça alheia… Embebedar pra transar é realidade que quase ninguém considera abuso, nem as vítimas. Acham que por terem bebido são culpadas do abuso, pois desde cedo escutam “cu de bêbado não tem dono”. Temos direito de comprar o álcool, de usá-lo, mas não temos direito sobre nosso corpo quando sob o efeito? A culpa NUNCA é da vítima. A vítima não é culpada por usar tal vestido, por ter saído com, por ter entrado no carro, por ter paquerado, por ter beijado, por estar na festa do estuprador, etc… A culpa É do estuprador.

A festa em Queimadas, na Paraíba, foi um presente de ódio para todas as mulheres. Aqueles homens não tiveram um pingo de empatia, não pensaram nem por um momento em suas mães, irmãs, filhas… Nem por um segundo qualquer dos malditos pensou que poderia ter nascido mulher e que isso não o faria menos gente. Ninguém pede para nascer, muito menos para nascer homem ou mulher, branco, rico, cristão, brasileiro, corinthiano. Por acaso nasceu homem e isso não o faz melhor. Difícil, homem, entender isso? Subjugar prova a fraqueza dos que não têm poder para cativar… Aqueles bandidos planejaram o ataque na festa, sabiam que era um crime, mataram com tiros nas virilhas as mulheres que os reconheceram, todos os indivíduos do sexo masculino participaram do estupro coletivo de ‘presente de aniversário’ e nenhum foi humano. Imagino se têm mãe, se fosse eu mãe de dois monstros desses talvez não segurasse a barra de colocar a cara na rua nunca mais… prefiro a morte. Infelizmente não falta speed porco para dizer que se as mulheres não estivessem numa festa de caras suspeitos, nada teria acontecido e estariam seguras. Enganam-se feio. Mulheres não estarão seguras enquanto os homens não entenderem que temos os mesmos direitos, somos feitas da mesma carne e osso.

Ser estuprad@ acaba com a confiança no outro ser humano, mulheres e homens que passaram por essa tragédia carregam traumas incuráveis, muitos sofrem de depressão pelo resto da vida e até cometem suicídio. O fetiche do estupro, tão utilizado na ficção e até fantasiado por homens e mulheres, é muito diferente da violência real. Imaginar e até combinar uma ação que TODOS os participantes querem realizar é válido. No caso de Queimadas, os ‘homens’* planejaram uma sujeira imensa, tragicamente inesquecível e fatal para duas mulheres, tudo por conta da imaginação de poder que aqueles indivíduos têm. Nenhum deles estaria arrependido se estivesse em liberdade, muitos são os asquerosos que contam ‘vantagem’ sobre abusos que cometeram, muitos são os que justificam a própria agressividade culpando o alvo de sua agressão: “Ela era uma vadia”, “Ela dava pra todo mundo”. “Ela era uma prostituta”. Se mulher usasse os mesmos padrões para rejeitar ou agredir os homens, coitados… E mulher que julga as outras por achar que caráter e expressão estão na vagina também é de doer na alma. Há gente influente no meio desse crime tão sórdido e por isso pouco se falou do caso na grande mídia. Aliás, crimes contra mulheres sempre tem espaço menor no noticiário apesar de sempre terem muito espaço nas novelas. A mocinha linda com o canto do lábio roxo pode até ser sexy, mas imagina sua mãe com todos os dentes quebrados, cara toda roxa e aflita por pensar se pegou aids do estuprador. E, se ela for idosa, imagina um ‘comediante’ dizendo que o estupro foi uma ‘oportunidade’ para ela, que por ser velha deveria agradecer o estuprador…

Acontece todo dia, mais um caso horrendo de violência contra mulher, mais estatística… Peraí, está na hora de mudar isso. Lei Maria da Penha já vale ainda que a vítima não denuncie então, se souber de alguém que apanha e fica quieta, chame a polícia. Denuncie e incentive a denúncia de violência. Os homens precisam saber que não estamos desprotegidas diante de seus ímpetos…

* (gostaria de chamá-los de algo tão sórdido que nem existe palavra, algo que soasse como ‘seres repugnantes que merecem apodrecer do pau pro resto de maneira bem dolorosa e incurável’)

Som: Worry about you – Ivy

**(em tempo?) Este post é participação na blogagem coletiva de repúdio ao caso de Queimadas, convocado pelas Blogueiras Feministas e pelo Luluzinha Camp. Se o caso também te revoltou, escreva e participe da ação!

Written by Lia Drumond

fevereiro 17, 2012 at 10:05

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Brasil é sinônimo de injustiça

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Mexa sua cabeça, olhe em volta. Muita gente poderia estar pior, eu também se não fosse abraçada pela sorte. Tantos não reconhecem a própria condição miserável por que são herdeiros de propriedades rotas, inflacionadas pela ganância. Quantos não têm sequer um pedaço de chão pra plantar uma batata mas se acham melhores em seus andares superiores? Qualquer instabilidade social pode acabar com o conforto da vida urbana, quem não tem chão não tem nada. Se amanhã houver guerra (o que não é difícil, ainda vivemos na ditadura militar, acreditem!), condomínios não têm fontes de água ou plantações de qualquer espécie alimentícia para garantir a sobrevivência de seus moradores. E por isso tanta gente briga por terra, qualidade de vida não está em condomínio fechado e vigiado, está no chão e na liberdade de um céu e uma terra só para sua família. Por isso Pinheirinho foi desocupado, pois servirá aos interesses de quem pode vender chão para quem pode pagar pelo privilégio que hoje é tão caro. E quem vende? Parceiros de negócios dos candidatos das eleições desse ano, financiarão campanhas de tucanos e petistas, gregos e troianos, vão beijar bebês pobres e ricos para as câmeras…

Written by Lia Drumond

janeiro 24, 2012 at 12:07

Publicado em Brisas

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STOP SOPA! STOP PIPA!

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SOPA 18.01.12

STOP SOPA! STOP PIPA!

Written by Lia Drumond

janeiro 18, 2012 at 11:42

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