Minha intolerância
Novembro 23, 2009 at 9:10 am | In Brisas | Leave a CommentTags: introspecção, intolerância
Há quem morra de medo de solidão, quem faça terapia por medo de terminar seus dias sem uma pessoa para lhe segurar nos braços em seu momento derradeiro, há quem faça de tudo para ser aceito, admirado, visto, etc. E tem gente que não. Bom, eu não conheço mais ninguém assim, só eu. Ok, o Gui é um pouco assim, mas em escala muito mais normal que a minha. Talvez eu precise de terapia pra voltar a querer sociabilizar. Não que eu seja um bicho do mato que sai correndo quando alguém tenta se aproximar, ao contrário, manejo bem o sabre do ‘colocar-me ao alcance da limitação alheia’, mas por pouco tempo.
Em geral não demora nada pra aparecer a real, a máscara cair e as pessoas perceberem que, bem, esta mulher não é muito normal e é bem intolerante. Mas ultimamente, graças à web, até que não me sinto tão singular. Gosto do fato de não precisar me expor à estupidez contagiosa de cara, gosto de saber que posso fechar uma tela e o que não gosto, sai da minha frente. Fácil, confortável, cômodo. Duro é quando entro em contato com um ‘jeitinho Gospel’, por exemplo, ou quando a mulherada me pede conselhos sentimentais, ou alguém me diz que é eclético quando o assunto é gosto musical, e não posso fechar a página e nem ser espontânea nessas situações, pois seria uma grande grosseria da minha parte. Sim, uma coisa que já entendi muito bem na vida é que a franqueza é anti-social. Ontem eu assisti o novo do Adam Sandler, “Funny People”, um tanto autobiográfico, o cara faz o papel de um comediante que tem uma vida rica de merda e percebe que é só um palhaço; quando em uma apresentação ele fala que as pessoas são tão estúpidas que precisam pagar para as entretenham, elas não dão risada. Sim, não tem graça quando é verdade.
Me identifiquei com algumas coisas, eu sou a comediante e todo mundo espera que eu faça aquele comentário maldoso e hilário, que só é levado à sério quando interessa pra alguma fofoca específica. Prefiro me abster do convívio com idiotas por mais inevitável que seja, alguns acham que essa atitude é uma grande idiotice, que se isolar do contato humano me faz perder a sensibilidade e blablabla… Mas não vejo vantagem em conhecer gente mais burra que eu. E muita gente é mais burra do que eu, acreditem. Quando vi esses vídeos senti vergonha por ser humana e viver na chamada ‘era da informação’. Não é questão de ser brasileira, é questão humana mesmo. Os vídeos que seguem ilustram bem nossa pobreza de referências e explicam a razão para a sinceridade ter sido deformada para servir ao humor. Falar a verdade: olha eu falando o que não deveria sem medo de ser feliz pois a web me distancia de qualquer contrariedade sumária – as pessoas que aparecem nesse vídeo deveriam ser castradas para não passar adiante genes tão asininos. Se você não é uma dessas pessoas, talvez ache graça em minha conclusão intolerante e verdadeira.
Brasileiros não são estúpidos 1
Brasileiros não são estúpidos 2
E música pra aliviar a semana que sempre começa numa segunda quando promete ser longa… Bula – Borderlinerz
Sampa se acaba quando apaga
Novembro 11, 2009 at 8:10 am | In Brisas | Leave a CommentTags: brasil
Depois de descobrir que fomos roubados lesados em mais R$ 600 milhões só no primeiro semestre desse ano, ficamos sem energia elétrica e a cidade virou um caos. Sim, virou um caos mesmo, não é eufemismo. O pânico, as pessoas morrendo de medo dentro de suas casas protegidas por sistemas de segurança que dependem de eletricidade, as pessoas nas ruas na escuridão total e com medo de serem assaltadas/estupradas, as pessoas com medo de não conseguirem chegar em suas casas, as pessoas em casa sem poder se comunicar com pessoas que ainda estavam na rua. Causar o pânico é uma boa medida para fazer as pessoas esquecerem que estão sendo prejudicadas. Desde a privatização da Eletropaulo houve tempo de sobra pra investir em geração e armazenamento de energia, alternativas de distribuição, alternativas em geral. Não o fizeram porque queriam lucrar muito investindo o mínimo possível.
Mas como o povo brasileiro é cego, faltar luz é só um desconforto, afinal nem quando estamos em plena luz do dia as pessoas conseguem enxergar que a culpa é delas, afinal somos eleitores.
Música do novo cd deles, que está com uma pegada mais last shadow, mas continua bom: Crying Lightning – Arctic Monkeys (o gui sempre dá risada quando eu falo que nesse clipe eles estão machos pra cacete, pois não saem correndo quando os gigantes aparecem na tempestade… duh, bobalona)
Liberdade de ração
Novembro 10, 2009 at 3:57 pm | In Conselhos Inúteis | Leave a CommentTags: passivos, protesto
O muro de Berlim, que separava permanentemente um povo que era vizinho, caiu há 20 anos e a imprensa comemora a liberdade enquanto a falta de educação de base faz vergonha na educação universiotária com o espisódio da Geisy, pretensa capa de revista onde não se precisa saber ler para ficar’ famosa’. Podemos ver que a liberdade não existe e o pior, os maiores prisioneiros aqui não são pessoas que querem ficar quase peladas à vontade, como Geisy, e sim os coitados que a vaiaram, os que apoiaram a vaia, os que a expulsaram e depois a readmitiram. Escravos da ignorância que continuarão ignorantes mesmo depois de graduados, pois foi-se o tempo que um curso universitário exigia mais do que uma escola pública de segundo grau, ainda mais nessas unimerdas. Podemos ver que a sociedade brasileira é pobre de cultura, apesar de muito rica em expressão…
Aqui, para a grande maioria dos ‘cidadãos’, liberdade significa ficar pelado quando e onde quiser, fumar maconha ou usar qualquer outra droga sem restrições, falar palavrão ou constranger famosos na TV, invadir a privacidade de pessoas públicas e outras coisas idiotas. Aqui a maioria acredita que isso é liberdade e que hoje, por termos quase tudo isso, somos um povo, uma nação livre!!! (Nação) pobre é uma merda, mesmo… Essas liberdades são triviais em qualquer democracia que se preze, mas aqui o povo se contenta, e muito, com pão e circo, baby. E sexo, depois… De preferência sem camisinha, para crescer mais esse bolo de idiotas. É o truque de ilusionismo mais velho da história, enquanto eu mexo uma mão na sua cara você não vê que a outra está tirando alguma coisa do paletó. Enquanto o povo desejar liberdades pobres em vez de conceitos ricos seremos o que somos. A nação tem o povo que merece e vice-versa…
Música, então: Esquece e vai sorrir – Ludov
O bom é que é…
Novembro 6, 2009 at 9:39 am | In Brisas | Leave a CommentTags: chata, presunção, tempo
Sexta! Yex! Mesmo não estando mais presa ao estilo burrocrático de 40 horas semanais no trabalho de segunda à sexta, horário comercial, ainda fico idiota quando chega a sexta-feira. Não sei, como se o ‘findi’ prometesse mais, como se a atmosfera mudasse, acho que muda mesmo. Talvez não seja só eu quem sinta, muitos poemas e músicas sobre a sexta o sábado e o domingo foram criados. Coincidência? Bom, existem as músicas alternativas sobre a terça-feira, mas não são alternativas por acaso. A terça-feira bacana é uma alternativa, não uma probabilidade… Né?
Um dia, um cara velho me disse isso: “Você fala tudo com muita certeza, sabia? Já parou pra pensar que isso faz com que os outros sintam-se pouco confortáveis de discordar?” Ele não falou outras coisas legais ou relevantes que eu lembre ainda, na verdade estava tentando me intimidar, mas senti verdade nessa frase que falou, talvez por estar sentindo-se intimidado com minha argumentação nessa discussão específica. Mas desde então passei a observar… E não é que, talvez?
Eu sou a rainha de inventar grandes teorias do nada. Tipo: não sei nada sobre tal coisa, mas sou daquelas que têm uma opinião sobre qualquer coisa. A opinião muda… O conceito muda… Se me perguntar a mesma coisa dois dias depois, a resposta provavelmente será outra. E não vou saber explicar o porquê, mas posso te convencer que a mudança na verdade foi uma evolução e faz todo o sentido do mundo. Você tem que ser muito bom pra contra-argumentar sem perder a calma ou a classe, afinal, que pessoa mais inconstante e insuportável é essa?
Música pra sexta, que eu amo (os 2 S2): Vision of division – The Strokes
P.S: Já reparei que tem tanto post sobre segunda e sexta nesse blog que deveria fazer tags só disso… Né? (tentando não parecer tão super afirmativa ou imperativa… naaaah!)
A magia da tia Lia…
Novembro 2, 2009 at 7:39 pm | In Conselhos Inúteis | Leave a CommentTags: escrever, introspecção, Lia´s, presunção
Nunca pensei que eu fosse me denominar ´tia´ assim, quase achando graça do tom antigo que a palavra confere. Mas é, vou explicar, eu tenho um instinto que não é bem maternal, seria algo avuncular, relativo aos tios mesmo (tional? tianal é estranho…) Aquelas pessoas que gostam de você, te suportam algumas vezes, mas a distância saudável entre vocês faz com que o sentimento cresça sem dores. Hoje eu vou falar assim, que nem tia.
Foi dia das Bruxas, sabe? Uma coisa que sobrinho meu nem desconfia é que sou uma tremenda bruxa que adoro morder criança fofa e boazinha. Quanto piores eles forem, melhor pra eles. Hoje é dia de Finados, os mortos… Melhor dia para ir à parques tipo Playcenter, apesar do feriadão. Ter um povo cristão é garantia de que a maioria tem medo de castigo, ou seja, não vão profanar a memória dos defuntos se divertindo horrores… Sorte de quem não se preocupa em respeitar a memória dos mortos apenas uma vez por ano.
A magia… Sim, sabe qual é o meu maior encanto e feitiço e maldição? Não? Nem eu… Mas suspeito que tenha alguma coisa a ver com autenticidade, curiosidade e infantilidade. Apesar de ter uns cegos que enxergam uma femme fatale, quem conhece de perto sabe que não passa de pose, de brincadeirinha. Não me levo à sério, como poderia esperar que mais alguém leve? O segredo é ser você mesmo e só deixar chegar perto quem não tenta te mudar, quem te respeita. Falta de respeito é a maior falta de educação, né?
Bom, notícia boa (pelo menos pra mim e para o meu blog) é que nasceu meu primeiro livro: Otaku – a evolução do Japonismo. Bom, o título talvez seja enigmático para uns, óbvio para outros. Era o que faltava, e agora já era… estou livre por enquanto. Sim, tenho planos de continuar essa idéia, pois ficou incompleta na minha opinião por falta de verba para fazer uma pesquisa empírica nacional e de tempo. Mas que se foda… Estou feliz pra cacete com isso, aliviada, angustiada, ansiosa e (mais alguma coisa com A)… afásica.
Música pro dia fúnebre: The way – Fastball (acabei de aprender a tocar essa no violão, to me achando…)
Mais de mim de novo (agüenta!)
Outubro 28, 2009 at 10:59 am | In É com a Lia | Leave a CommentTags: escrever
Já demorou pra eu colocar aqui a coluna com a qual estou contribuindo para O Pensador Selvagem:
Burrocráticas
Música pra dia na frente do computador (ainda que não seja num escritório infernal) e para retorno das atividades anormais do blog: Take it or leave it – The Strokes
As pessoas inteligentes
Outubro 9, 2009 at 2:45 pm | In Brisas | 2 CommentsTags: empatia
Eu tenho uma teoria cruel, mas talvez vc entenda o pensamento. De cada 20 pessoas só 2 são realmente inteligentes e com alguma imaginação social. Só que dessas duas pessoas inteligentes uma é boa, de índole amistosa e boa vontade para com o próximo e a outra é mesquinha, de natureza feia e opressora. A primeira pessoa inteligente vai viver sua vida em paz, ser conciliadora e evitar grandes conflitos pois seu grande desejo é ser feliz. A segunda pessoa vai oprimir os outros 18 se tiver chance, pois seu grande desejo é ter (poder, reconhecimento, dinheiro).
Quero acreditar, pois sou uma altista cega, que a maioria das pessoas inteligentes são do primeiro tipo, e acho que são tão culpadas quanto o opressor das 18 pessoas medíocres por todo o mal que há na sociedade, pois são omissos. A classe média está aí e confirma minha teoria todo dia, assim como antes estava a burguesia e todas as outras maiorias influentes da História (ou só eu vejo isso, afinal, sou uma altista cega). São esses 10% de seres humanos os responsáveis por nossa evolução e/ou estagnação social, e como acredito que a natureza do ser humano seja imprevisível, nada impede que o primeiro grupo de sabichões torne-se o segundo com o tempo ou vice-versa, a maior responsabilidade pelas mazelas da História é do grupo que for maioria.
Agora o que não consigo confirmar com certeza é qual o grupo mais numeroso hoje em dia. Apesar de querer acreditar que a maioria das pessoas bem sucedidas e inteligentes sejam boas em sua natureza e omissas em suas atitudes, não tenho certeza – só esperança. Eu deveria estar escrevendo, eu sei, esse texto saiu sem querer quando estava lendo um outro.
Suspensão da pausa dramática está suspensa até o fim do mês… Eu juro
Bjsss e música: Say it ain´t so – Weezer
Ocupada
Setembro 14, 2009 at 12:44 pm | In Brisas | 3 CommentsTags: escrever
Domingo, acordo e… vou escrever, antes de dormir também… Tenho que entregar meu livro até o dia das Bruxas, é sério. Cansada e caindo pelas tabelas, por isso ando escrevendo pouco aqui, por isso que estou ausente… Não que as idéias me deixem em paz, não é isso… tenho ganas de vir aqui e soltar os dedos, mas ocupa algum tempo, fico pensando na vida pra escrever, é uma coisa natural e gostosa, acabo me distraindo do que realmente preciso fazer, fazer um texto direcionado é mais simples do que escrever meu blog, por incrível que pareça. Aqui eu viajo demais… Por isso, sorry… Tem texto pra caramba aí, quem me conheceu ontem pode levar um ano pra ler tudo, se interessar. A quem já leu tudo isso (se é que existe paciência pra tanto) peço desculpas e prometo que quando terminar o livro, volto a escrever gratuita e somente pelo prazer de fazê-lo por aqui… Até logo mais.
Música bem dramática para “pausas” dramáticas: Glory Box – Portishead
Dia podre
Setembro 8, 2009 at 7:01 pm | In É com a Lia | 3 CommentsTags: introspecção
Pensa numa semana que poderia ter o início mais lindo do ano, feriado na segunda, depois de um final de semana ensolaradao, quente e lindo. Mas a minha lady Murphy é obesa e mal amada, o dia não amanheceu ainda, o dia todo o céu esteve fechado, a babá faltou de novo, estou com a garganta inflamada, o amor me acusa injustamente de nunca fazer o que ele quer, tenho várias coisas que deveria fazer, mas não vai rolar. Não assim…
E acabo o dia pensando que deveria ter feito muito mais, mas não consigo ter foco quando estou aflita com alguma coisa. Na real são várias coisas agora, não sei por onde começar… A dúvida sobre fazer o que se deve ou o que se quer. Eu devo, não nego, pago quando puder. Eu posso, não devo, nego enquanto aguentar. É difícil, mais difícil quando não somos mais sozinhos, a solidão que me machucava na verdade me protegia do alheio, eu podia ser só eu mesma e mais nada. Não é mais assim… Não há mais solidão, só isolamento. Tentando não deixar a vida fechar só ao redor do meu casulo, manter a sanidade, encontrar graça em mais lugares além do meu filho. É difícil quando se é tão narcisista…
Música digna dessa terça: No surprises – Radiohead
Equilíbrio desnatural
Setembro 4, 2009 at 12:08 pm | In Brisas | 1 CommentTags: introspecção
Ou: Como é difícil ter tudo ao mesmo tempo…
Mais ou menos assim, quando está indo tudo bem, alguma coisa atrapalha. Mesmo que não seja um grande incômodo, muitas vezes precisamos agradecer por nossa saúde, família, trabalho, amor… e pensar se todas essas coisas estão bem, se trazem felicidade. Quase nunca tudo está 100% ao mesmo tempo, entende? Como se não fosse justo (ou possível) uma pessoa ser 100% feliz…
Talvez esteja relacionado com nossas expectativas e capacidade de acomodação, algumas pessoas parecem sempre querer mais, então enxergam as adversidades como a própria beleza da vida e o fazem para nunca sentir que estão totalmente sossegados. Talvez a plena satisfação não exista mesmo e a felicidade seja feita do clichê orgásmico de momentos felizes. Quem garante que não é assim mesmo, já que buscamos o prazer da vida deixando tudo mais confortável, porém mais complicado? A tecnologia é um grande exemplo de como buscamos a realização da felicidade através do mais rápido, custe o que custar. Não consigo deixar de pensar agora que feliz é quem conseguiu, depois de conhecer, ignorar a tecnologia… Imagina o trabalho que poderia dar?
A vida é uma brasa, mora? Várias e tantas teorias, afinal tantas são as vidas. E não consigo deixar de pensar o que cada uma conta, quem cada pessoa realmente é qual a razão de sermos tão diferentes e, ainda assim, tão intolerantes… A justiça não é muito amiga da felicidade, a primeira é mãe, a segunda é filha… Lindas e, às vezes, rivais.
Os ventos da mudança…
Setembro 2, 2009 at 12:14 pm | In É com a Lia | 2 CommentsTags: work
Eu disse que já sentia os pingos, né? Tempestade chegou, está molhando a casa toda, coisa de louco, liberdade e apreensão. O futuro agora é todo meu. Será? Que me reserva o destino? Aí eu olho o tarot online e o Às de Paus só confirma o que eu já sabia: é hora de agir. Estou tentando, meus dedos se movem sobre o teclado e a sensação de liberdade nunca é realmente plena. Eu não mandei ninguém pra lugar nenhum, fui diplomática, eufemista e hipócrita e ainda desejei sucesso na catequização burocrática deles. Por dó, nem vou mais pensar no assunto em voz alta. De quem é a responsabilidade se ‘grandes pessoas’, responsáveis por grandes coisas, não sabem ao menos o que significa uma simples auditoria de validação independente de dados? Não é minha… Não é meu dinheiro, então, nevermind…
Página virada, nunca arrancada. Não se arranca as páginas da vida ao menos que se perca a memória. Que os Deuses me livrem! Minha memória inválida é tudo o que vou sempre ter de só meu, de intocado. Uma nova fase pra lembrar de mais um frio na barriga vivido, mais uma chance de ser mais eu e enfrentar o que sempre temi: eu mesma. Chegou a hora de saber quem sou, o que posso e onde quero chegar. Estou me achando muito adulta por escrever essas frases fortes e super poderosas. Só sei que as coisas mudam e que ainda bem. Há males que vêm pra bem, já que uma NÃO lava a outra… Quem sabe agora escrever, quem sabe conseguir me dedicar ao livro que tenho de entregar no dia das Bruxas. Gostoso da vida é poder buscar meu filho na escola, poder trabalhar com ele por perto, comer em casa. E agora tenho uma chance de lutar por isso, quem sabe até tenho a chance de não me enfiar de novo a troco de banana e promessa mentirosa em ambiente burrocrático?
Música de quem aprendeu: A última palavra em fashion – travEcos Falsos
The Graveyard Book – Neil Gaiman … S2
Agosto 27, 2009 at 10:31 am | In Livros | 4 CommentsTags: Leituras
Eu sou suspeita, é meu autor favorito ever e como nunca quis crescer para admirar a tristeza do realismo jornalístico de fato, indico mais um do tio Neil, que ainda não tem versão em Português, mas não demora nada pra sair. The Graveyard Book é uma visão mais dark do Livro da Selva, de R. Kipling. Só que em vez de ser criado por lindos animais da floresta, o bebê orfão vai parar no cemitério. Um casal de fantasmas que nunca teve filhos se comove com o pedido da mãe fantasma, que os implora para proteger seu filho do assassino que matou o resto da família.
Nobody Owens (eu traduzi como “Ninguém Manda”) é Bod, o menino que cresce no cemitério e vive aventuras sobrenaturais com o mesmo olhar crédulo de qualquer criança, que não faz distinção do que é possível ou não, apenas se deixa surpreender pela vida, ainda que cercado de morte. Por ser aceito entre os mortos pela própria “Lady on the Grey” – a Morte, ele ganha o que os “moradores” do cemitério chamam de “the graveyard freedom” (a liberdade do cemitério) o que lhe permite aprender coisas de fantasmas, ghouls (esses me deram medinho) e seres muito sinistros, como seu protetor “Silas”, que pode sair do cemitério e andar entre os vivos e, por isso, é o encarregado de trazer comida para Bod. Ele usa tudo o que aprendeu pela sua vida com os mortos para enfrentar o assassino de sua família, Jack-of-all-trades, e acaba enfrentado uma ordem secreta que espera pelo nascimento de Bod há séculos para poder matá-lo.
Enfim, são tantos personagens incríveis que é inevitável pensar que cada um deles poderia ter um livro só pra si, atiçam a imaginação e nos fazem querer mais. Talvez essa seja a grande mágica do tio Neil, o cara faz quem o conhece querer mais de sua obra. Não vejo a hora de sair a versão duPiniquim para eu dar de presente pra mamãe, que virou fã depois de ler Belas Maldições e Deuses Americanos. Claro que a versão em inglês exige alguma paciência apesar de ser muito melhor, o vocabulário não é exatamente difícil, mas intermediários vão ter que ler com o dicionário por perto. Era pra ter escrito essa resenha há tempos, desde a parada gay, li enquanto estava presa durante 7 horas no carro durante uma viagem à ZeBo. Vale a pena, apesar de ser considerado infanto-juvenil é para qualquer idade, fantasia é para qualquer idade, sonho é para qualquer idade… Odeio essas classificações-bunda… E não podia fechar um texto sem reclamar de alguma coisa, né?
Foo de hoje: Times like these – Foo Fighters
Mais Grafite Paulistano
Agosto 25, 2009 at 12:53 pm | In Brisas | 2 CommentsTags: grafite
Música: Hey Hey My My – Neil Young
Cacete é pouco
Agosto 24, 2009 at 1:27 pm | In Brisas | 2 CommentsTags: intolerância, protesto, work
Só pra variar, vamos ler a Lia metendo o pau em tudo, em qualquer coisa que se mova, a vida, as pessoas e a intolerância à lactose. Ok, eu não sei nada sobre lactose, então vou só destilar veneno. Eu não tiro o cacete da boca, mas acho que é pouco perto do que realmente sinto vontade de falar em algumas situações. Principalmente as situações em que sou impedida de realmente dizer o que penso e sinto pelo bem estar da minha situação profissional.
Nada nesse mundo me mata mais do que a hipocrisia. Isso eu não sei contornar, fingir que não acontece. Mas ela acontece o tempo todo, me dá coisas, me atiça a fúria!!! Se meu estômago não fosse forte, teria úlceras. E está tudo bem, sabe? No dia seguinte de assitir ao filme “Sim senhor” com o Jim Carrey, estou particularmente inspirada a viver de maneira mais style, mais do meu jeito, pois é a minha vida, só eu terei de suportá-la até o fim. Sou realmente louca ao ponto de viver a vida do meu jeito, mesmo que isso signifique se dar mal. Quero buscar um novo caminho, um caminho mais flexível, o velho estilo ninja de acreditar mais na minha taba que na dos outros. É triste ver boas ideologias corrompidas pela hipocrisia, mas é o que as pessoas fazem quando percebem que podem tirar dinheiro de quem acredita em idéias.
A Religião (do latim: “religio” usado na Vulgata, que significa “prestar culto a uma divindade”, “ligar novamente”, ou simplesmente “religar”) é hoje um lucrativo negócio. E não precisa nem de Deuses para o culto, basta um ideal razoável, um indivíduo carismático para defendê-lo e você junta um monte de gente disposta a contribuir ($). Não apenas contribuir, como adotar e contaminar o resto do mundo com aquela nova “verdade”. Eu tenho nojo dessa “verdade”. Quem não é capaz de questionar não merece respeito, quem precisa seguir uma ideologia por não ter qualquer bom senso também não merece.
Música hoje: You will leave your mark – A Silent Film
Engolidora de semente
Agosto 18, 2009 at 9:43 pm | In Contos | Leave a CommentTags: FICÇÃO
Um dia ela se lembrou do que sua avó lhe dizia: “Não engole a semente que vai nascer uma árvore na sua barriga!” – Ela não acreditou, nunca acreditou. Colocou junto com as ameaças de que seus olhos entortariam caso ela insistisse em comer se olhando no espelho, de que o homem do saco a pegaria caso ela desobedecesse e saísse pra rua e coisas do tipo. Mas quando soube que brotava ela lembrou-se do que a avó disse na hora. Talvez fosse um pé de mixirica, laranja ou tédio, mas estava ali. dentro dela buscando luz para continuar crescendo. E a única luz dentro dela vinham de suas idéias, portanto a planta crescia em direção à sua cabeça.
Ninguém percebia de olhar, ela tinha uma planta crescendo dentro dela e por fora estava tudo certo ainda. Ela descobriu quando começou a encontrar folhas pela cama toda vez que acordava. Resolveu colocar uma filmadora para pegar o sacana que colocava as folhas lá enquanto ela dormia. Vomitou duas vezes quando assistiu ao vídeo… Depois que seu corpo adormeceu, um fio verde começou a sair de suas orelhas e pareceu se abrir, parecia um galho com folhas e tudo. E crescia e aumentava até que todo seu corpo estava embrulhado por uma folhagem que dele brotava, e ela não acordava. Quando o sol nascia e seu quarto se iluminava, tudo voltava pra dentro dela sem deixar vestígios… O vídeo era uma prova e tanto de que algo incrível estava acontecendo, mas não queria que ninguém soubesse que ela era, na verdade, uma aberração.
“É um pé de mim…” Algo mágico, talvez mórbido, talvez uma grande loucura. Ela assistia ao vídeo diariamente pra acreditar, chegou a fazer outras gravações pra ver (se) como evoluía e constatou que sim… A cada noite filmada a planta ficava um pouco maior, as folhas se amontoavam pelo quarto cada vez mais, já somavam duas sacolas vagabundas de supermercado cheias toda manhã. Ela sentia cada vez mais sede e menos fome, fazia sentido ser um simbionte assim, sem grandes incômodos, sentia-se – e era realmente impossível não sentir-se – conectada com aquele “pé de mim“.
Continua…
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