Filhos e Gatos
Janeiro 28, 2008 at 4:05 pm | In Bichanos | Leave a CommentÉ chato admitir, mas é mais pura verdade. Depois que o Américo nasceu, eu não dou a mínima pra Raiona. Dou comida, água, mando dar banho no veterinário, vermífugo, antipulgas e tal. Mas é difícil eu ter tempo para pegar ela no colo e apertar sua fofura loira. Eu sempre fui louca por gatos, mas desde que meu filhote nasceu, deixei a bichaninha de lado. Ela entende, parece. Deixa o Américo brincar com ela, ou seja, não reage ao seu carinho agressivo. Vive tentando entrar em casa, pede atenção sempre que tem oportunidade, caça passarinhos e traz quase todo dia pro nosso minúsculo quintal. Ela é uma graça de gata. Eu me sinto bem culpada por não dar mais toda aquela atenção fanática. Ela foi nossa primeira filha, mas quando o Américo nasceu, perdeu o posto. Agora ela é nossa primeira guardiã. E tenho certeza que entende a nossa ausência. Aposto que ela não trocaria toda a liberdade que tem junto com as mordomias por uma dona carente que a fizese de cadelinha… Mas, isso não é impossível de acontecer. Se ela durar uns 30 anos, talvez pegue a fase “ninho vazio” da minha vida…. Haja vidas pra chegar até lá.
Castrar ou não castrar, eis a questão. – Parte 2
Agosto 26, 2007 at 10:06 am | In Bichanos | Leave a CommentEssa idéia já me rendou alguns emails furiosos e comentários bem ofensivos que deletei. Não sou contra a castração. Acho até que alguns humanos deveriam ser castrados… Mas acho que castrar um animal fêmea sem que esta nunca tenha dado uma única cria é pecado. Humanos são diferentes, como é o caso da Suzane Richthofen. Não acho que por ser vira lata, um animal está fadado ao abandono. Quem gosta mesmo de gato, gosta de qualquer gato. Com cachorro parece ser diferente, as pessoas têm preferência por certas raças devido ao comportamento. Gatos são mais parecidos entre si, com exceção dos Persas e dos Sphynx …
Eu sempre deixei minhas gatas darem uma cria e sempre consegui doar os filhotes, por isso falo da minha experiência. As pessoas adoram gatos, só não gosta quem nunca teve um. Acho que castrar é uma boa solução para evitar que os gatos fiquem jogados na rua, mas é muito mais importante que as pessoas conheçam os gatos, convivam com eles. Tenho amigos que me agradecem muito pelos gatinhos que só trazem alegria para suas casas. Acho que fazemos bem quando nos importamos com a superpopulação não só dos gatos, mas de todos. Mas acredito que castrar uma fêmea sem filhotes, é negar-lhe o direito divino de dar vida ao futuro.
Gatos e crianças
Março 21, 2007 at 8:56 am | In Bichanos | Leave a CommentGatos, geralmente, não são grandes fãs de crianças… Elas apertam e judiam dos bichinhos, mas a recíproca não é verdadeira. Agora tenho um bebê de quase dois meses em casa, meu filhotinho. Eu achava que ela sentiria ciúmes dele, já que antes de seu nascimento era ela a nossa filhota e tinha exclusividade na nossa atenção. Mas, apesar de ter diminuído o tempo que dedicamos a Raiona, ela está segurando bem as pontas. Quando saio para tomar banho de sol com o Américo no quintal, ela se achega e se enrola em minhas pernas, olha curiosa para ele e quando o aproximo dela, só cheira seus pezinhos… Parece até que ela entende que é um filhote de gente.
Instinto maternal felino é admirável. Conheço poucos casos de gatos que atacaram crianças, e os que conheço, foram provocados pelos próprios anjinhos. Essa é uma vantagem na relação felino-humano.. Os gatos não costumam sair de seus lugares e atacarem as pessoas, salvo os que cresceram em apartamentos, pois gatos presos ficam loucos. Quando meu sobrinho de três anos nos visita, ele procura pela Raiona, como sempre procurou por todos os gatos que tive desde que ele nasceu. Quando ela consegue, foge. Quando é inevitável sofrer os carinhos dele, ela é uma brava heroína. Ele tem um carinho estúpido, típico da idade e do tamanho de um pequeno furacão. Ela sofre os puxões no rabo e os abraços sufocantes sem reagir.
Uma outra gata que eu tive, Derri, era a guarda pessoal deste sobrinho. Desde que ele nasceu, ela montava guarda onde ele estava dormindo e, conforme ele foi crescendo, serviu-lhe muitas vezes como brinquedo e até travesseiro. Acho que fêmeas têm este instinto materno, não importa a espécie. Machos se deixam judiar por serem mais fortes. Faísca, um velho camarada felino, não fugia das crianças e lembrava até um boneco de pano nas mãos dos pequenos. Por essas e outras que acho que o gato é um bom bichinho de estimação para crianças.
Pequenos Garfields
Outubro 16, 2006 at 10:21 am | In Bichanos | Leave a CommentDeixa eu contar que mais uma vez sou vovó. Sim, minha filha felina Raiona deu cria e agora tenho cinco futuros Garfields em casa, são todos machos e acabaram de abrir os olhinhos. Nunca vi uma gata mais meiga e confiante que a Rai. Ela deixa as pessoas se aproximarem e pegarem seus filhotes. Não estranha nada, não se sente ameaçada. E ela está tão linda… Uma mãe exemplar!
Me faz lembrar de todos os outros gatinhos que vi nascer, de quando a Raiona veio pra casa, toda desnutrida, feiosa e peidorreira. Hoje está tão linda que três dos cinco filhotes já estão prometidos, e o pessoal não acredita que ela é vira-latas. É o que eu sempre digo: não existe gato feio, existe gato mal tratado. É da natureza felina ser exuberantemente lindo e chamoso. Olha só:
Amor Felino
Outubro 9, 2006 at 11:54 am | In Bichanos | Leave a CommentTinha o Capitão e o Faísca. Um dia o Capitão foi brutalmente assassinado por um humano estúpido e o Faísca, ainda filhotão, ficou sozinho e sentia muito sua falta. Certo dia eu fui até a avicultura comprar ração e vi uma bola branca de pêlos, branca como o Capitão. Não pensei duas vezes, nem quis saber o sexo, levei pra casa…
Quando cheguei em casa, descobri que era uma menina. Era todinha branca, olhos azuis e o rabo em formato de raio. Dei o nome de Chu, na época eu era muito fã de Pokemon e, principalmente, do Pikachu. Ela era muito arisca e pulava como uma coelhinha pela casa enquanto fugia do Faísca. Ele, todo curioso e brincalhão, queria se aproximar e fazer amizade, talvez por que ela se parecesse demais com o Capitão, talvez por ser fêmea.
O começo dos dois foi difícil. Ela era difïcil. Brava e altiva. Depois de alguns meses estavam num love só. E viveram esse amor por alguns anos, até que o Faísca morreu envenenado por algum vizinho maldito. Chu nunca mais deixou nenhum outro gato se aproximar e era uma leoa. Cuidava de sua cria que, apesar de ser toda branca como a mãe, eu achava que o pai era o falecido. E quando a Chu morreu, o filhote que eu fiquei, a Derri, era branca como a mãe, tinha um olho azul e o outro era cor de laranja, como os do Faísca. Era a mistura perfeita do amor felino.
Castrar ou não castrar, eis a questão.
Agosto 8, 2006 at 10:39 am | In Bichanos | 4 CommentsNão sei se é por sadismo ou por que é quando os veterinários ganham mais dinheiro, mas A MAIORIA dos vets recomendam que você castre seu bichano assim que ele complete 6 meses de vida. Eu acho isso uma crueldade tremenda. Há lendas sobre a castração que eles divulgam na maior cara de pau, como se criadores fossem ignorantes e não observassem o comportamento de seus gatinhos. Uma lenda absurda é que eles ficam mais caseiros, perdem a vontade de sair pra rua. Talvez o bichano fique em casa nas primeiras semanas após a castração, por que a cicatrização deve ser dolorida, mas é da natureza felina explorar e caçar. Não é por que ele não pode se reproduzir que seu comportamento muda tanto assim. Ele não se torna um inútil por que não pode procriar. Um dos efeitos colaterais da castração é a obesidade. A maioria dos bichanos que não podem dar umazinha acabam engordando horrores. E para isso não é preciso muita explicação, tá na cara o motivo. Essa obesidade leva o gato a ser um sujeito preguiçoso, sem graça, sem ânimo. Parece que só está esperando morrer, por que não tem vontade de fazer mais nada….
Conto esses efeitos da castração por que minha Raiona já está com mais de 6 meses, já domina telhados e a rua toda. Está linda, gorda, saudável. Aí foi levada ao veterinário para tomar mais uma vacina e ele já recomendou a castração da coitadinha. Eu fui taxativa: só vou castrar depois que ela der uma cria. E vem sempre a mesma pergunta esperta: o que você vai fazer com os filhotes? Oras… vou assar e comer, claro! Que absurdo… Se eu crio gatos desde os 12 anos de idade, sempre deixei as gatas darem uma cria, será que eu não aprendi o que fazer com os filhotes? Vou arrumar donos pra eles, doá-los. Assim como adotei a Raiona, existem outras pessoas que gostariam de adotar um bichano. Não é tão difícil… Difícil é negar a natureza e transformar um animal num bichinho de estimação apenas, esquecendo-se de quem ele realmente é.
Gata presa fica brava
Julho 24, 2006 at 4:26 pm | In Bichanos | Leave a CommentGata brava era a Eve. Ficou comigo só por alguns meses, por que eu não aguentei seu temperamento maluco e agressivo. Também, pudera, a coitada viveu algum tempo comigo enquanto eu morava sozinha num apertamento minúsculo. Encontrei ela bem filhotinha na Praça da República numa noite em que voltava da faculdade. Era mais de onze da noite, aquele lugar é super perigoso, mas quando eu saí do Metrô, ouvi um miadinho fininho e inconfundível para ailurófilos. Ela estava perto de uma árvore e parecia uma bolota de caca… Verdade. Deu muita dó e vergonha de ser humana, mas nossa raça é capaz de coisas muito piores…
Levei a bichana pro meu apertamentinho, ela tava toda coberta de cola ou qualquer outra coisa do gênero que cobriu parte seus pêlos e fez grudar terra, poeira e todo tipo de lixo que se encontra na Praça da República. Eu lavei, cortei os tufos de pêlos que não tinham solução com a limpeza, sequei, alimentei, preparei a casa para ter um habitante felino, comprei brinquedos, ração, banheiro e chamei a gata de Eve.
Um mês depois ela estava virada no demônio. Me mordia todinha quando eu chegava em casa por que queria atenção, mordia todo mundo que fosse me visitar, mordia, arranhava e não dava sossego, não me deixava mais dormir. E eu sabia que a culpa era toda minha, afinal, gatos não nasceram para viver sozinhos no confinamento. E apartamento faz até a gente se sentir numa prisão, que dirá seres que têm na liberdade o sentido de suas existências… Mas tudo o que eu podia lhe oferecer era aquele espaço, então busquei alguém que adotasse a ferinha. E não foi difícil, afinal as pessoas gostam muito de gatos estilo siamês, e ela deixou de ser agressiva com sua nova dona, que pôde lhe dar um belo quintal e bastante telhados pra viver livre e feliz…
Instinto Altruísta
Junho 30, 2006 at 3:59 pm | In Bichanos | Leave a CommentEu sempre tive gatas e, a despeito das recomendações veterinárias, nunca castrei antes de deixá-las dar ao menos uma cria. Acho que é parte essencial da natureza feminina ser mãe. Quando a gata não dá nenhuma cria, fica meio louca. Quando isso acontece por fatores naturais, é bem provável que ela adote algum filhote de outra gata que dê cria por perto, ou até adote outro animal. O instinto é mais forte que a espécie, raça ou tamanho. É a Natureza, e Ela é mais forte que tudo. O primeiro parto que acompanhei foi da Chu, como já contei num texto anterior. Mas tive também a Derri, sua filha. E Derri também deu cria.
Uma das coisas interessantes que acontece com as gatas quando são mamães é que seu instinto caçador fica muito mais aguçado. As fêmeas, ao menos é o que observei dos gatos que tive, são naturalmente mais predadoras que os machos. Mas quando têm filhotes isso fica evidente. Lembro de uma vez que a Chu estava comendo, cercada pela sua última cria, num cantinho da cozinha da casa de mi madre, e todos os gatinhos correram para baixo da geladeira. Eu estranhei e fui ver o que eles estavam fazendo ali. Foi quando encontrei uma nojenta e IMENSA cabeça de rato. Só a cabeça… O resto a Chu deve ter comido e dado para os filhotes comerem. Fiquei um pouco indignada, afinal meu quintal não tinha ratos, o que indicava que ela tinha trazido da rua e eu a alimentava com a melhor ração, além de também deixar ração de filhotes disponível (que ela comia sem cerimônias) e leite. Mas não se pode brigar contra a Natureza, e apenas joguei aquela cabeça nojenta no lixo, sem que ela visse.
Lembro também de uma manhã em que a Derri, que parecia um ovo de páscoa de tão graúda que ficou na primeira e única gestação, estava deitada entre minhas pernas, na cama; como se esperasse eu acordar. Eu acordei meio sonolenta e vi uma coisa preta no meu edredom, a princípio achei que ela tinha começado a parir, mas quando olhei direito, era o cadáver de um morcego… Levei um baita susto, mas entendi que ela queria *ajudar* na comida de casa, e tinha trazido o morcego como um *presente* pra mim. Que amorzinho, não? Não briguei com ela, apenas pequei o morcego e levei pro quintal. Ela continuou na minha cama, então, sem ela ver, joguei no lixo.
Recomendo que quando um bichano trouxer pra dentro de casa uma presa abatida tenham paciência, não briguem, e não o deixem ver que você jogou no lixo. Gatos raramente querem *ajudar* com a comida da casa, mas quando o fazem, querem gratidão. Se você jogar fora, vai magoar o bichano e, invariavelmente, ele vai achar que não agradou com aquela caça e trará outra… Pois é, eu aprendi isso com meu primeiro gato, o Bel. Toda vez que ele matava um pardal e trazia pra dentro de casa, eu gritava horrorizada e até dava uns tapas nele pela crueldade. Bem, eu tinha uns 12 anos e nenhuma experiência com os bichanos, vamos perdoar… E achava que o gato era um serial killer, pois ele trazia pra dentro de casa pelo menos um bicho por semana. Foi quando eu li num livro sobre gatos a respeito desse tipo de comportamento generoso deles. Quando eu parei de dar escândalo e jogar os passarinhos fora na frente dele, ele parou de matá-los e trazer para casa…
Filhotes
Junho 2, 2006 at 3:38 pm | In Bichanos | Leave a CommentGatos filhotes são criaturas ingênuas e masoquistas. Não têm nem um pingo da majestade que apresentam na idade adulta. Geralmente são até feios, com orelhas enormes e cabeças pequenas, magrelos e alguns dos que pegamos das ruas parecem que saíram do inferno mesmo. Geralmente são assustados, escondem-se de tudo em qualquer lugar. São carentes e procuram qualquer lugar quentinho pra dormir, mesmo que esse lugar seja em cima da sua cabeça, no seu pescoço ou dentro do motor da geladeira.Assim é a Raiona Liona, minha atual companheira de aventuras que trouxemos de Ubatuba pra Sampa. E ela veio durante toda a viagem no maior sossego, no meu colo, no final de um feriado prolongado. Quando meu namorado me deixou no meu apartamento e foi sozinho com a gata para a casa dele, ela o batizou e ao seu carro com uma bela diarréia assim que saíram do estacionamento do meu condomínio. E no fim de semana seguinte havia outro feriado prolongado, resolvemos levar a gata junto para não deixá-la sozinha por três dias. A viagem de ida e volta foi tranqüila, até que ele me deixou de novo no meu prédio e a batizada se repetiu. Quando ele me contou, eu rolava de dar risada, mas aposto que se fosse comigo eu não acharia a menor graça.
A Raiona era um pedaço cor de laranja de carência e magreza. Quando a levamos para dentro da casa de praia, não tínhamos nada que servisse pra ela comer, apenas nozinho de queijo na geladeira. Foi o que eu ofereci e ela comeu como se fosse carne crua e fresca. Fomos comprar ração e ela ficou com a gente. Está conosco ainda e conforme ela cresce se torna cada vez mais altiva, mais fresca e mais gata. Continua muito carinhosa e carente, talvez pelo fato de trabalharmos o dia inteiro e ela ficar sozinha.
Datinha é uma gatinha preta que mi madre pegou para fazer companhia para o Koji desde que roubaram a Derri. Filhotinha de tudo, bem pequena, cara de morcego, orelhas enormes, magrela, assustada e muito carente. E não desgruda do meu sobrinho de dois anos. Talvez pelo fato de que ele cheire a leite e biscoito, talvez porque o mau gosto impere. Ele judia dela, chuta, aperta, amassa, beija, morde. E ela continua o seguindo pra todo lado. Dizem que os gatos enxergam a aura das pessoas, como a tal terceira visão que os lamas tibetanos afirmam ter. Vai ver que é isso, ela enxerga o quanto ele é especial…
Filhotes gatos
Junho 2, 2006 at 3:38 pm | In Bichanos | Leave a CommentTags: ailurofilia
Gatos filhotes são criaturas ingênuas e masoquistas. Não têm nem um pingo da majestade que apresentam na idade adulta. Geralmente são até feios, com orelhas enormes e cabeças pequenas, magrelos e alguns dos que pegamos das ruas parecem que saíram do inferno mesmo. Geralmente são assustados, escondem-se de tudo em qualquer lugar. São carentes e procuram qualquer lugar quentinho pra dormir, mesmo que esse lugar seja em cima da sua cabeça, no seu pescoço ou dentro do motor da geladeira.Assim é a Raiona Liona, minha atual companheira de aventuras que trouxemos de Ubatuba pra Sampa. E ela veio durante toda a viagem no maior sossego, no meu colo, no final de um feriado prolongado. Quando meu namorado me deixou no meu apartamento e foi sozinho com a gata para a casa dele, ela o batizou e ao seu carro com uma bela diarréia assim que saíram do estacionamento do meu condomínio. E no fim de semana seguinte havia outro feriado prolongado, resolvemos levar a gata junto para não deixá-la sozinha por três dias. A viagem de ida e volta foi tranqüila, até que ele me deixou de novo no meu prédio e a batizada se repetiu. Quando ele me contou, eu rolava de dar risada, mas aposto que se fosse comigo eu não acharia a menor graça.
A Raiona era um pedaço cor de laranja de carência e magreza. Quando a levamos para dentro da casa de praia, não tínhamos nada que servisse pra ela comer, apenas nozinho de queijo na geladeira. Foi o que eu ofereci e ela comeu como se fosse carne crua e fresca. Fomos comprar ração e ela ficou com a gente. Está conosco ainda e conforme ela cresce se torna cada vez mais altiva, mais fresca e mais gata. Continua muito carinhosa e carente, talvez pelo fato de trabalharmos o dia inteiro e ela ficar sozinha.
Datinha é uma gatinha preta que mi madre pegou para fazer companhia para o Koji desde que roubaram a Derri. Filhotinha de tudo, bem pequena, cara de morcego, orelhas enormes, magrela, assustada e muito carente. E não desgruda do meu sobrinho de dois anos. Talvez pelo fato de que ele cheire a leite e biscoito, talvez porque o mau gosto impere. Ele judia dela, chuta, aperta, amassa, beija, morde. E ela continua o seguindo pra todo lado. Dizem que os gatos enxergam a aura das pessoas, como a tal terceira visão que os lamas tibetanos afirmam ter. Vai ver que é isso, ela enxerga o quanto ele é especial…
Morango
Maio 29, 2006 at 10:55 am | In Bichanos | Leave a CommentEra para chamar Ruivão. Mestiço de persa com vira-lata. Todinho cor de laranja. Uma bolinha de pêlos bem fofa e linda. Chegou depois do Capitão, que era um filhotão também. Logo fizeram uma bela amizade, onde estava um, estava o outro. Mas ele não gostava de seu nome… Não havia nada que o fizesse olhar para mim quando eu chamava: Ruivão! Era uma chatice, um nome tão apropriado para aquele pedaço ruivo de fofura e lindeza.
Sempre assisti muito a programação infantil, lembro que na época tinha um personagem do programa da Eliana que cantava * Meu morango, meu morango lango*, e eu estava com a terrível mania de cantar esse refrão (mania que sempre tive com várias outras músicas bestas). Certa tarde eu estava pintando as paredes de um cômodo da casa e cantando igual uma louca: Meu morango, meu morango lango lulu, Meeeeu moraaango, meu morango lango lulu… E o Ruivão, que tinha uns três meses então, não saia de perto de mim. E eu observei que toda a vez que toda vez que gritava *Morango*, ele olhava. Parei de cantar e comecei a chamar: Morangoooo, Morangooooo. E ele olhava todas as vezes. Fui para o quintal e chamei: Morangoooo. Ele veio até mim, miando e ronronando de felicidade.
Foi então que eu percebi que ele queria ter o nome da minha fruta favorita, e não o nome de um personagem que o deixaria com a personalidade clichê. Ele escolheu ser chamado de Morango. E era uma delícia apertar, brincar com ele. Era uma mala velha, se abria pra todo mundo, adorava carinho na barriga. E era um contorcionista. Eu não acreditei quando o vi escapar para a gandaia certa noite passando através de uma fresta de um vitraux que estava emperrado. Ele conseguiu passar o corpo gordo de quase cinco quilos por uma fresta de dois centímetros e meio. E fugia pra gandaia. Sempre voltava quando o dia estava amanhecendo e deitava na minha cama. De preferência, em cima de mim…
Gato Morango
Maio 29, 2006 at 10:55 am | In Bichanos | Leave a CommentTags: ailurofilia
Era para chamar Ruivão. Mestiço de persa com vira-lata. Todinho cor de laranja. Uma bolinha de pêlos bem fofa e linda. Chegou depois do Capitão, que era um filhotão também. Logo fizeram uma bela amizade, onde estava um, estava o outro. Mas ele não gostava de seu nome… Não havia nada que o fizesse olhar para mim quando eu chamava: Ruivão! Era uma chatice, um nome tão apropriado para aquele pedaço ruivo de fofura e lindeza.
Sempre assisti muito a programação infantil, lembro que na época tinha um personagem do programa da Eliana que cantava * Meu morango, meu morango lango*, e eu estava com a terrível mania de cantar esse refrão (mania que sempre tive com várias outras músicas bestas). Certa tarde eu estava pintando as paredes de um cômodo da casa e cantando igual uma louca: Meu morango, meu morango lango lulu, Meeeeu moraaango, meu morango lango lulu… E o Ruivão, que tinha uns três meses então, não saia de perto de mim. E eu observei que toda a vez que toda vez que gritava *Morango*, ele olhava. Parei de cantar e comecei a chamar: Morangoooo, Morangooooo. E ele olhava todas as vezes. Fui para o quintal e chamei: Morangoooo. Ele veio até mim, miando e ronronando de felicidade.
Foi então que eu percebi que ele queria ter o nome da minha fruta favorita, e não o nome de um personagem que o deixaria com a personalidade clichê. Ele escolheu ser chamado de Morango. E era uma delícia apertar, brincar com ele. Era uma mala velha, se abria pra todo mundo, adorava carinho na barriga. E era um contorcionista. Eu não acreditei quando o vi escapar para a gandaia certa noite passando através de uma fresta de um vitraux que estava emperrado. Ele conseguiu passar o corpo gordo de quase cinco quilos por uma fresta de dois centímetros e meio. E fugia pra gandaia. Sempre voltava quando o dia estava amanhecendo e deitava na minha cama. De preferência, em cima de mim…
O primeiro parto
Maio 19, 2006 at 10:21 am | In Bichanos | Leave a CommentA Chu foi uma gata muito especial, apesar de hoje desfrutar do céu de Bast, será sempre lembrada e reverenciada como uma das melhores amigas que eu tive. Logo que me separei e voltei pra casa da mamãe, levei comigo um gato muito especial: Capitão. Um elegante albino, cuja história eu conto em outra oportunidade. Um dia o Capitão morreu. E eu, inconsolável, passei num Pet Shop e vi um filhote albino pra adoção. Não pensei duas vezes. Levei pra casa. Eu já tinha o Faísca nessa época, e ele era um filhotão também. Achei que com o novo filhote ele não sentiria muito a falta do Capitão. Que nada! O filhote era a gata mais briguenta que eu já tive. Ela não pesava nem meio quilo, mas fazia um barulho igual ao de uma fera. Batia muito no Faísca nas primeiras semanas. Depois se apaixonaram e viveram felizes, um belo casal.
Quando ficou adulta, ela era a gata mais linda do mundo. Recebeu o nome de Chu graças ao rabo de trovão que ela tinha igual ao do Pikachu. Ela parecia adorar seu nome. Toda branquinha, olhos azuis, pêlos compridos, miúda e muito ágil. Eu a vi colocar um cachorro Huski pra correr, e a vi muitas vezes bater em muitos cachorros da vizinhança. Ela era o terror dos cães que ficavam presos, ela sentia um prazer sádico em passear nos muros dessas casas só para ver os coitados se esgoelarem de tanto latir. Era uma bichinha muito arisca. Não gostava de colo, não deixava que estranhos a acariciassem. Caçava ratos, passarinhos e até um morcego ela trouxe pra minha cama, de presente. Eu nunca brigava com ela, não reprimia seu extinto caçador. Achava até muito bacana ela preservar seu espírito selvagem. Ela se achava a própria tigresa albina. E se achava a dona da casa. Até hoje, na casa da minha mãe, é possível ver as marcas de suas unhas na porta de um guarda-roupa. Ela subia lá para ter sossego, para ficar acima das chatices cotidianas que a vida com humanos causa.
E então ela ficou prenhe da primeira cria. O pai era o Faísca, eu acho. Na verdade eu nunca terei certeza. De todas as crias que ela deu, não nasceu nenhum filhote com cor. Todos eram albinos, como ela. E fora, ao todo, 19 filhotes. Eu vi todos nascerem. É incrível como os animais sentem o quanto gostamos deles. Ela era super antisocial, não era o tipo carente, era muito independente, mas quando percebeu que seria mãe, voltou a se aproximar de mim. E, no dia que ela daria a luz, eu já sabia. Não sei explicar essa percepção que tenho, mas sei quando as gatas vão parir. Eu sabia. Ela passou a noite toda na minha cama, eu sabia que a hora estava chegando. Quando a bolsa estourou, ela enlouqueceu e queria porque queria subir no guarda-roupa. Não teve Cristo que me fizesse impedi-la. Não teve jeito. Ela subiu e não sairia dali até que os filhotes nascessem.
Eu fiz o que podia: Subi numa parte do guarda-roupa e tentei ajudá-la da melhor maneira possível. E então nasceram os quatro fabulosos primeiros filhotes de Chu. Não foi nada difícil arrumar donos para eles. Não sei por que as pessoas preferem gatos brancos, mas todos já estavam prometidos. E fizeram muitos lares felizes, como a Chu fazia o meu.
O Bonito Esculápio
Abril 24, 2006 at 2:12 pm | In Bichanos | Leave a CommentVou contar uma história que poderia ser sombria se eu desse ouvido aos ignorantes que disseminam pelo mundo as crendices, os preconceitos e as superstições. Era uma sexta-feira 13. E ele entra pela porta da sala com um presente no bolso da jaqueta. Preto, feio de doer. Orelhas enormes, magrelo, cheio de remelas… Eu me apaixonei. Meu primeiro gato preto, ganhado numa sexta-feira 13. Foi pura sorte!
Como sempre A-D-O-R-E-I nomes diferentes, batizei esse bichano de Esculápio. Claro que ele não gostou do nome e não atendia nem por decreto. Cresceu e escolheu o próprio nome: ele só olhava quando chamávamos de BONITO! E ficou, o Bonito Esculápio. Cresceu e ficou lindo, um pretão com estilo de pantera. Era o típico vira-lata, vivia na gandaia noturna, sempre voltava com um teco a menos da ponta da orelha, trazia amigos pro nosso quintal, caçava os passarinhos filhotinhos que caíam das árvores vizinhas, comia insetos nojentos, marcava território… Era um típico gato saudável.
Preferia minha mãe. Talvez porque o carinho dela era mais calmo, talvez por ela não mordê-lo nem apertá-lo como eu fazia. Ele amava a minha mãe. E aí de quem estivesse perto dela quando ela gritava ?Ai!?. O Bonito descia o dente sem dó. E ele era cheio de truques que enchiam nosso cotidiano de risadas. Tinha mania de se esconder num pequeno jardim, que ficava ao lado do corredor de entrada, e quando alguém passava por ali de noite, ele pulava nas pernas do infeliz para dar um susto. E minha tia-avó, idosa, religiosa e fã de passarinhos; era sua vítima favorita. Era sádico, porém irresistível assistir tal cena.
E ele seguiu vivendo uma vida muito boa, apesar dos arranhões. Até que um dia, uma enorme tragédia aconteceu. Digo enorme por que perto dele, ela era muito grande mesmo. Minha tia, que é gorda, pisou, sem querer, na pata dianteira dele. Esmagou. Nessa época eu estava casada e não morava com minha mãe. Apesar de ter tentado levá-lo para meu novo lar, ele preferiu ficar com minha mãe e eu o deixei, então, na casa dela. Mas o machucado o trouxe para meus cuidados novamente. Minha mãe não tinha tempo nem frieza para cuidar da pata do bichano. Eu cuidava. Ouvia-o chorar de dor a cada sessão de banhos para desinchar o ferimento.
Cuidei, levava duas vezes ao dia na veterinária, medicava e tentava fazer com que ele se tornasse amigo dos gatos dessa nova casa: o Capitão e o Morango. Não tinha jeito. O Bonitão era um negão invocado e não queria saber de dividir nada. Ele estava acostumado a ser O Gato da casa. E lá ele não era o dono do território. Sentia-se assustado e irritado. Estava com uma atadura na pata e faltavam apenas dois dias para tirá-la e ele voltar para a casa de minha mãe, sua casa. Desapareceu. Acho que devia estar forte o suficiente, desapareceu. Não voltou pra casa da minha mãe (a distância não era tão grande), não voltou para a minha casa. Apesar de vários cartazes oferecendo recompensa pelo gato, quem nota um gato preto no meio da rua?
Quando penso no Bonito, acredito que ele se transformou em noite. Seus pelos viraram brisas úmidas que carregam cheiro de Damas da Noite, seu olhar se transformou em luz de lua cheia, sua agilidade se transformou na inconstância que o desconhecido noturno planta no nosso coração. Ele ainda tem muitas vidas pra viver…
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