Engolidora de semente

Agosto 18, 2009 at 9:43 pm | In Contos | Leave a Comment
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Um dia ela se lembrou do que sua avó lhe dizia: “Não engole a semente que vai nascer uma árvore na sua barriga!” – Ela não acreditou, nunca acreditou. Colocou junto com as ameaças de que seus olhos entortariam caso ela insistisse em comer se olhando no espelho, de que o homem do saco a pegaria caso ela desobedecesse e saísse pra rua e coisas do tipo. Mas quando soube que brotava ela lembrou-se do que a avó disse na hora. Talvez fosse um pé de mixirica, laranja ou tédio, mas estava ali. dentro dela buscando luz para continuar crescendo. E a única luz dentro dela vinham de suas idéias, portanto a planta crescia em direção à sua cabeça.

Ninguém percebia de olhar, ela tinha uma planta crescendo dentro dela e por fora estava tudo certo ainda. Ela descobriu quando começou a encontrar folhas pela cama toda vez que acordava. Resolveu colocar uma filmadora para pegar o sacana que colocava as folhas lá enquanto ela dormia. Vomitou duas vezes quando assistiu ao vídeo… Depois que seu corpo adormeceu, um fio verde começou a sair de suas orelhas e pareceu se abrir, parecia um galho com folhas e tudo. E crescia e aumentava até que todo seu corpo estava embrulhado por uma folhagem que dele brotava, e ela não acordava. Quando o sol nascia e seu quarto se iluminava, tudo voltava pra dentro dela sem deixar vestígios… O vídeo era uma prova e tanto de que algo incrível estava acontecendo, mas não queria que ninguém soubesse que ela era, na verdade, uma aberração.

“É um pé de mim…” Algo mágico, talvez mórbido, talvez uma grande loucura. Ela assistia ao vídeo diariamente pra acreditar, chegou a fazer outras gravações pra ver (se) como evoluía e constatou que sim… A cada noite filmada a planta ficava um pouco maior, as folhas se amontoavam pelo quarto cada vez mais, já somavam duas sacolas vagabundas de supermercado cheias toda manhã. Ela sentia cada vez mais sede e menos fome, fazia sentido ser um simbionte assim, sem grandes incômodos, sentia-se – e era realmente impossível não sentir-se – conectada com aquele “pé de mim“.

Continua…

Speeda Lunática – Parte 2

Julho 7, 2009 at 5:39 pm | In Contos | 1 Comment
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Passou duas semanas numa clínica psiquiátrica dessas bem chiques, pois sua família não conseguia acreditar na fantástica história de como ela tinha ido parar na Islândia. Devido ao seu comportamento impulsivo e aventureiro, a família toda achou que ela tinha fugido, ou simplesmente viajado, como fizera tantas vezes antes. Carro voador, árvore gigante na lava e alienígenas eram realmente menos prováveis que um surto de “preciso viajar para não morrer de tédio…”. Já agora nem ela acreditava que tinha vivido aquilo tudo, desconfiava de sua memória e mais ainda de sua sanidade. Todos a tratavam como um bebê incapaz: “- Você tá bem, queridinha?? Quer um suquinho?” Como se falar as últimas palavras no diminutivo ajudassem alguma coisa… Ajudavam a irritá-la. Qualquer motivação serviria, ela resolveu que não queria ser a louca de verdade da família, saiu para a vida, para o que era, então, realidade… Mesmo que movida apenas pela raiva da piedade alheia.

Simplesmente não queria voltar pra vida a pé, foi até a garagem e contemplou o vazio. Seu carro ficou na Islândia. Como? Isso ninguém sabia explicar, quando a família era questionada sobre o assunto, apenas repetiam: “Ah, mas daquela ali você pode esperar qualquer coisa…” Como se isso explicasse o fato de um carro levar apenas algumas horas para atravessar o oceano. Por que a Islândia, afinal? Decidiu que iria de taxi, iria para qualquer lugar, de qualquer jeito: cinema, parque de diversão, centro da cidade, barzinho de adolescentes… queria ver vida, estar rodeada de gente real. Dentro do taxi o mundo passava rápido pela janela e imagens se formavam em sua mente, lembrava que há muito tempo não sentia o conforto de ser passageira, de se deixar levar, confiar. Desde os 18 anos estava motorizada e adorava guiar pelas estradas, principalmente em dias ensolarados como aquele. Apesar disso, estava curtindo a idéia de não estar no comando naquela manhã, observava o que se passava ao lado do carro e não só na frente, esqueceu o trânsito e se deixou levar pelas pessoas que passavam do lado de fora, as paisagens que mudavam, os alienígenas flutuantes que estavam atrás do carro… Epa!

Olhou bem para a traseira do carro. Olhou bem mesmo. Abriu e fechou os olhos várias vezes. Sim, eles estavam ali. Chamou o motorista e pediu que olhasse no retrovisor, perguntou se ele estava vendo algo estranho atrás do carro. O motorista levou um susto tão grande que quase bateu o táxi, mas começaram a voar. De novo, ela não estava acreditando. Que absurdo ser perseguida por alienígenas telecinéticos em plena recuperação de uma crise de estresse… que eles causaram, diga-se de passagem! Mas desta vez não estava só. O motorista viu também, tremia feito uma velha e gaguejava um “mmmma  mmaaa..q q qqquueee… mma mama…” Dava dó ver o estado do pobre diabo. Ela já estava mais acostumada.

Ficou supresa consigo mesma por se considerar experiente em abduções alienígenas. Realmente, aquela situação só podia ser um fim do mundo. Não poderia fazer nada além de esperar. Onde será que o carro pousaria dessa vez, antes de rumar para algum lugar remoto da realidade? Ela até tentou não perder o controle, mas era realmente difícil e, afinal de contas, inútil. Resolveu gritar para pararem, pedia para levarem-na para sua casa, que a deixassem em paz… E o taxi subia pelos ares, ela não se atrevia a olhar pela janela, não queria nem saber qual era o perigo da altura, só queria saber se aquilo teria um final e se demoraria muito. Travada no banco traseiro, ela virou o pescoço para ver os alienígenas atrás do carro, mas nem sinal dos meliantes… Se ter feito uma parada na árvore gigante plantada em lava parecia surreal, pousar num girassol gigante em um campo de girassóis gigantes também não parecia muito melhor. Àquela altura o motorista já tinha tido um treco e estava babando no volante, talvez um infarte, talvez só pânico. Ela estava só, e sabia que nem o inútil motorista acreditaria nela, ele esqueceria de tudo apenas  por que sua vida seria muito mais simples sem aquela verdade… Uma árvore, um girassol… Será que as plantas gigantes tinham alguma relação?

Speeda Lunática

Julho 2, 2009 at 5:47 pm | In Contos | 2 Comments
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Ela gostava tanto de velocidade que queria mesmo era pilotar aviões. E naquela manhã em que mais uma vez corria mais do que o necessário para chegar ao trabalho, se perguntava como foi parar num emprego tão burocrático. Mas tudo bem, não dava tempo de pensar muito em qualquer coisa. O trânsito estava começando a fechar em sua frente, ela gostava de tentar costurar ao máximo os carros, não gostava de ficar parada na rodovia, era habilidosa e se divertia com a travessura. Punk Hardcore no som, alto. Atmosfera adolescente da qual ela sabia que nunca seria capaz de se livrar totalmente. Fechou uma velhota que falava ao celular e dirigia um sedã como se fosse uma carroça com as rodas frouxas. Não conseguia entender o motivo pelo qual as mulheres dirigiam como…

Seu pensamento foi interrompido por uma percepção absurda: seu carro estava voando. A adrenalina subiu tanto qua quase não conseguia pensar. Em sua cabeça, aquilo era impossível. Pensou que estava morta e nem percebeu, como se tivesse sofrido um acidente numa curva anterior, morrido e não tinha se dado conta. Alucinando? Dirigindo? Será que ainda estava na pista e estava alucinando? Será que causaria um acidente de verdade? Um carro não poderia simplesmente sair voando do nada! Será que ainda estava voando ou já tinha acordado daquela viagem? Ousou olhar pra fora, pela janela, para onde deveria estar o chão. Percebeu que não estava no chão, não estava nem onde tinha começado a voar, sua mente só podia estar lhe pregando peças. Seu carro estava em cima de uma árvore enorme. Se ela se concentrasse mesmo, talvez voltaria pra realidade, talvez tudo passasse. Mas um tranco no carro fez a adrenalina subir de novo. O carro despencaria daquela altura e seria o fim. Ela precisava sair dali, mas primeiro precisava acreditar que estava acontecendo. Mais um tranco e a insólita realidade presente a convence de que sair dali é o melhor a se fazer.

Sair do carro e cair de uma árvore de uns oitocentos metros de altura. Claro, ela estava delirando, a árvore não devia ser tão alta, aquilo não devia estar acontecendo. Embaixo da árvore estava o solo mais irreal para uma planta crescer: lava vulcânica. Então recapitulou a loucura: estava dirigindo para o trabalho, seu carro começou a voar e pousou numa árvore gigante plantada na lava vulcânica. Claro que ela iria acordar a qualquer momento. Inclusive aqueles dois vultos que se aproximavam e pareciam alienígenas ordinários de ficção científica só poderiam ser alucinação. Aquela loucura toda não podia ser real… Os vultos se aproximavam, voando sobre a lava em direção ao carro. Ela estava paralisada, achava que era o fim, fechou os olhos para não ver a morte.

Batidas na janela de seu carro, ela abriu os olhos. Dois policiais do lado de fora tentavam enxergar o que se passava do outro lado dos vidros escuros. Era noite, ela estava numa estrada comum, de asfalto comum, caía uma chuva normal de gotas de água. Ela realmente viajou. Mais batidas no vidro, ela desperta novamente para o que seria a realidade, sem certeza de estar acordada de verdade, confusa por não saber onde estava, não reconhecia os uniformes dos policiais e eles falavam um idioma que ela não compreendia. Não estava de volta onde tudo começou, tentou falar com os policiais, mostrou os documentos que tinha do carro, sua habilitação. Percebeu que os policiais discutiam alguma coisa sobre seus documentos e apontavam para a placa de seu carro. Talvez eles também não entendessem o que ela estava fazendo ali. Tentou usar seu parco conhecimento de inglês para manter alguma comunicação. Entendeu que eles queriam levá-la dali, provavelmente para a delegacia, era o que esperava. Talvez ela ainda acordasse de verdade em seu lugar, sua casa, sua cidade, aquela rodovia para o trabalho…

Chocante

Maio 21, 2009 at 10:20 am | In Contos | Leave a Comment
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Mais uma descarga elétrica e alívio. A eletricidade lhe fritando os miolos era muito relaxante para terminar um dia horroroso como aquele. E era normal, choque elétrico antes de dormir, queimaduras ao acordar e sessões de afogamento durante o intervalo entre os choques e as queimaduras, mas só se comesse toda a comida e fizesse todas as  suas tarefas. Ou ficaria sem os afogamentos. Apesar de ser caçula, e da diferença de idade para seus irmãos ser de quase cento e oitenta anos, todos moravam na mesma casa. Uma vez sua irmã mais velha e mais rebelde de todos resolveu que deveria sair de casa. Mas quando se deparou com a bestialidade do mundo lá fora, voltou correndo para o conforto de seu lar. Nunca imaginaria que pessoas fossem capaz de colher flores, comer doces, acordar durante o dia. E ficou sete anos presa, foi o único lugar que se sentiu bem fora de seu lar. Mas depois desse tempoela saiu de lá. Disseram que foi parar ali por ter martelado todos os dedos da moça com quem dividia um quarto de pensão. Ficou agradecida pela moça ter conseguido um lugar tão nojento e fedido para ela ficar, isso sim é que era gratidão de amiga! Mas quando  percebeu que os amigos fora de seu lar não gostavam de ter seus dedos martelados, voltou pra casa.

O bom filho retorna, ela era uma filha digna demais pra ser boa. Voltou pra casa, mas perdeu o gosto por martelar os dedos dos irmãos menores como gostavam de fazer antigamente. Ficou meio palerma, até roubava flores que nasciam sem querer pelo pântano que rodeava a casa e escondia no meio dos grimórios da família. Quando alguém encontrava as flores secas, ela negava a autoria. Pelo menos essa característica dela parecia estar intacta, ainda era a maior mentirosa da família. E a família queria sair em férias, viajar todos  juntos para algum lugar cheio de dor e sofrimento, onde todo mundo pudesse sofrer e agredir à vontade. Precisavam escolher um péssimo lugar, resolveram pedir sugestões  aos vizinhos… Mas antes, um afogamentozinho coletivo pra animar. Naquela madrugada fariam um churrasco de lagartixas e chamariam todos os inimigos para proibí-los de ir na viagem deles… E seria uma grande viagem…

Manhã de uma sexta de um outono

Abril 27, 2009 at 3:50 pm | In Contos | 1 Comment
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E ela andava pela rua. Ela existia por que essa que escreve resolveu que ela seria ela. E ela existia no mundo dela. A manhã quase fria e quase ensolarada, a rua quase molhada e ela quase bucólica… Ouvindo uma música que ela sabia que ele ouvia e pensava nela, um sorriso bobo toma conta de seu rosto e um calor arrepia seu coração. E sente que está vivendo sua vida, aproveitando seu tempo, escrevendo sua história. Um sorriso maior, quase uma risada quando se deu conta que quase nunca pediu e muito menos  seguiu conselhos, quase nunca deixou os outros saberem muito, quase nunca conseguiu culpar outro alguém. Ela era a vilã e gostava disso. Nem era tão má, ela só era mais ela. Sabia que sua panca de mulher segura incomodava, sabia que era tudo mecanismo de defesa, mas era divertido intimidar. Pensava demais e quase não se lamentava, tudo parecia que estar em seu lugar, apesar de toda a injustiça do mundo. Como respeitava o ciclo da natureza e acreditava ser ela a força mais divina que conhecia, acreditava que essa força acabaria com a injustiça. A lei do mais forte, a seleção natural, a colheita do que se plantou…  E a tal quase risada voltou ao rosto dela, e ela começou a cantar pela rua…

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Música pra googlar, né…  Beautiful Beat – Nada Surf

Um começo

Abril 2, 2009 at 5:28 pm | In Contos | 2 Comments
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Quando morreu, finalmente começou a viver. Por que o corpo era um tremendo incômodo, era dolorido, doente.  Não sentia mais nenhuma dor quando contemplou o que era seu corpo, sem pânico ou medo, apenas alívio. Não viu nenhum Deus, Diabo, luz ou fantasma para lhe explicar que tudo acabou. Estava só com seu ex-corpo. Não sentia mais, como se toda extensão de sua pele estivesse anestesiada. Não viu mais o que poderia fazer ali e resolveu experimentar a travessia de paredes, como viu em tantos filmes pela vida. E a coisa funcionava, dava um frio na barriga igual o de quando vivia, mas talvez fosse apenas a emoção da primeira experiência. Acordou para esse detalhe, apesar de se saber sem vida não estava sem vontade, sem emoção. Era como se finalmente pudesse sentir algo além de dor e esperança. Sentia vontade. Uma grande vontade de viver essa vida morta, a realidade do além. Ou aquilo tudo era sonho? Ou tudo era só sua mente drogada por analgésicos? A sensação era boa demais. Vida ou morte, era um começo. Aprendia que o sentir pode ultrapassar o existir, talvez só tenha sentido coisas boas quando acreditou que tinha abandonado a existência. E quem sentia não era mais o ser, era só a vontade de sentir vontade.

Sem música por hoje…

Contagiante

Março 16, 2009 at 11:04 am | In Contos | 1 Comment
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Talvez fosse importante, talvez em morte seria finalmente reconhecida por ajudar o mundo, pois até agora nunca conseguiu levar os créditos de todo o  esforço. Quando teve a visão de que seu quarteirão expodiria e mataria quase todos, conseguiu convencer o terrorista a não detonar a própria vida e a de seus vizinhos se jogando aos pés dele, oferecendo-lhe o  corpo e pecado para poder chantageá-lo com a culpa. Isso o fez fugir não só da tentativa de massacrar o regime opressor do país capitalista dela, mas também a própria religião, etnia e passado. Talvez tenha sido a pior foda da vida dele.

Mas ela viu a própria morte e o que significava? Quando previu que ficaria doente, conseguiu evitar que toda água da cidade fosse contaminada em um acidente entre dois caminhões: um que transportava resíduos radioativos e o outro lixo hospitalar. O lixo da colisão escorreria na chuva até o rio que abastecia a estação de tratamento, e as doenças resultantes seriam totalmente desconhecidas. Mas ela conseguiu atrasar um dos caminhões furando os quatro pneus, o que garantiu que o tempo necessário seria dado para o outro caminhão chegar seguro com o lixo inseguro.

Se ela se contaminasse, perderia a imunidade da visão. Por isso vivia tão sozinha, por isso nunca criou laços. Mas sabia que o fim estava próximo, seu fim. Não que fosse uma surpresa antever o que aconteceria, mas sentia que aquilo era uma  ingratidão do destino. Ela, que para poder ver e saber sobre tudo e todos,  nunca tinha vivido a própria vida. Uma heroína caída, desconhecida e muito infeliz… Um capricho da vidência? Por que sua morte era importante?

Se ver no momento derradeiro foi assustador não pelo sangue seco que manchava aquele vestido todo, nem pelos cortes por todo seu corpo e a dor que viu que sentiria, mas por estar só . Morrendo sozinha, sem nenhum ser vivo para sentira sua falta. Talvez nem ser morto sabia de sua existência. A que ponto chegou sua vida? Ao ponto da morte… Sim, todas as vidas acabam, mas quase ninguém pode dizer que viu a morte. E talvez ninguém mesmo mereça um fim tão melancólico. Por que não poderia ter visto sua morte numa festa no clube das mulheres? Talvez por que nunca tinha tido coragem de visitá-lo. Mas já que sabia do fim que se aproximava, sacou umas notas do banco e saiu de casa decidida a enfiá-los numa cueca bem recheada…

Musique du jour: Where did you sleep last night – Nirvana

Cozinhando na Pressão – Parte 3

Janeiro 20, 2009 at 12:05 pm | In Contos | 2 Comments
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Chegou no inferno, era o que pensava. E nenhum sinal de seu filho, nenhum sinal de vida, morte, luz. Nenhum sinal, então lembrou que tinha um celular que iluminava as trevas com seu visor, mas sem sinal para comunicação. Naquela hora isso nem importava tanto, ver onde estava era mais urgente que pedir ajuda. E pra quem ligaria? Como explicaria onde estava ou, melhor ainda, como tinha chegado ali? Só queria achar o Gabriel e sair dali. Continuou chamando o filho enquanto tentava enxergar alguma coisa, andava perto da parede onde estava a escada, não podia perder a escada também… Sentiu uma porta que parecia gigantesca na parede, tentou iluminar a fechadura com o celular e viu que só abriria por dentro. Forçou e abriu, parecia que já estava aberta, então entrou. Uma luz esverdeada acesa fazia a fumaça que existia no lugar parecer ridícula e artificial como a névoa que surgia em cenas de pântanos filmadas em estúdio. Mas ali não parecia ser um estudio…

E um ser ridículo estava sentado no que parecia ser um trono de cocô, pois estava tão velho e nojento que não era mais possível identificar se era feito de madeira, ferro ou lixo. Ele estava olhando pra ela, ao seu lado estava Gabriel, ou o que ela acreditou ser seu filho pois olhando agora parecia outra coisa.  - Gabriel? É você, meu filho? Nem se mexeu, apenas olhava pra ela como quem olha uma paisagem ao longe. Ela gritou mais alto, seu estômago congelou e uma queimação subiu das bochechas pras orelhas. E continuou aos berros: O que você fez com o meu filho? A respiração já nem parecia humana, ela tinha incoporado a fera que protege a cria, urrava pelo filho, foi pra cima do filho tentando protegê-lo, talvez enfiá-lo em sua bolsa de mãe-canguru e sair pulando. Ela não mais dominava a razão. Seu filho não tinha a menor reação. A coisa nojenta no trono resolveu falar, sua voz era chiada, como se suas cordas vocais estivessem podres, saia uma fumaça verde de sua boca quando falava, ela se esforçava para entender o que dizia.

Xeu fio pote boltar… HAHAHAHA!

Ela não entendeu muito bem, mas o pote boltar soou algo como pode voltar, ela pegou o garoto no colo e correu, nem sentia o peso de um quase adolescente, ela corria como se estivessem sob bombardeio, como se ele tivesse o peso de quando tinha dois meses, como se a permissão do monstro da boca podre fosse, na verdade, uma ameaça. Tudo estava muito escuro, mas seus olhos já tinham se acostumado quando, de repente, tudo ficou muito claro, como se tivesse levado um golpe de luz que a deixou cega. Piscava, piscava… O foco voltava, era dia ainda, um lindo entardecer. Seu filho estava ao seu lado, dormia em seu colo com a expressão de anjo que tinha desde que nasceu e que ela acreditava que ele não perderia nunca. Ela não quis acordá-lo logo, apesar de não entender como ele estava ali. Talvez, talvez tudo tenha sido um pesadelo. Será que ele teve o mesmo sonho?


Jabá da Lia

Janeiro 15, 2009 at 12:22 pm | In Contos | 5 Comments
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Ah, eu sou tão kul… É sim, muita gente quer ser meu amigo. Alguns (meia dúzia de chegados) gostam de perguntar o que estou ouvindo, ou lendo, ou acompanhando com a intenção de me copiarem e parecerem mais interessantes para as futuras vítimas. Algumas vezes o tiro sai pela culatra, afinal o mau gosto impera, né? Mas, pra quem se interessa, esta aqui é a minha estação de rádio na Last FM. Claro que você terá de criar um usuário ali, mas é um lugar muito decente pra se conhecer música diferente.

Eu escrevi um post irado esses dias, com raiva das escolhas que a vida fez por mim, com raiva da limitação alheia em perdoar e superar mágoas, triste por expôr a falta de amor de quem diz que ama meu filho. Resolvi não publicar, por piedade ou pra evitar a fadiga, ou ainda por saber que esse caminho não é o melhor. Mês que vem é aniversário do meu filho, dois anos de coisa linda da minha vida. É muito legal saber que nas fotos da festa, que um dia ele verá e compreenderá melhor, estarão as provas de que meu amor por ele é capaz de superar até a  presença de indesejáveis.

E hoje vou recomendar uma banda muito foda, que estou namorando todo dia, e essa música em especial eu ofereço à todos os bundões que não sabem conquistar o respeito alheio e vivem sob o jugo da aceitação dos que deveriam incentivar em vez de reprimir (ainda bem que a mãe do meu filho não é um monstro desses). Aliás, ouçam outras músicas dessa banda… Adorei quase todas. Mas essa é especial – Sobre ser sentimental – Ecos Falsos

P.S. Antes que algum purista xiita venha chacoalhar as pulgas em mim, não ganhei nada pra fazer propaganda… só fiz por que sou idiota mesmo.

Cozinhando na Pressão – Parte 2

Janeiro 9, 2009 at 10:53 am | In Contos | 2 Comments
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A tarde acaba, ela resolve voltar pra casa quando vê um buraco de esgoto sem tampa ao lado do teatro. Nada demais, pensou por um segundo… Mas viu uma cabeça muito familiar aparecer e desaparecer ali dentro – seu filho Gabriel. Ela reconheceu seu rostinho ainda de anjo, apesar da recente acne e do cabelo pintado de verde. E ficou aflita, gritou seu nome, mas ele tinha desaparecido dentro do buraco. Será que estava louca, finalmente? Correu até o buraco e olhou para se certificar que já estava alucinando, mas foi como um soco no estômago. Gabriel descia uma escada e olhou pra cima, deu um sorriso pra mãe e continuou descendo, parecia estar alheio aos seus berros histéricos… E ela ficou sem reação, apesar do pânico que começava a enjoar o estômago. Nem se perguntava a razão pela qual seu filho descia ali, o que ele fazia fora de casa, ela simplesmente não conseguia pensar. Só foi junto, só entrou no buraco e desceu as escadas, só foi atrás de sua cria. Chamava o filho, nenhuma resposta e a escada parecia que nunca acabava, a descida parecia lhe restituir a razão – que diabos era aquilo tudo? E descia, chamava o filho, descia, descia.

E acabou num buraco, literalmente. Nenhuma luz, a fraca abertura pela qual desceu não era suficiente pra iluminar aquele inferno fedorento.  – Gabrieeeeel! Bieeeeeel! Ela chamava, sem resposta. Recomeçou a duvidar de sua sanidade mental, afinal o que seu filho de onze anos estaria fazendo ali, um lugar como aqueles? Nada de luz, pegou na bolsa o celular para tentar iluminar aquela treva toda, quando o visor acendeu levou um tremendo susto ao se deparar com… aquilo.  Apesar de parecer ser uma motocicleta no melhor estilo dos Abutres, estava sobre trilhos que pareciam aqueles das minas subterrâneas. Realmente deslizavam sobre os trilhos, pois ao iluminar o lugar e levar um susto, percebeu que alguma coisa parecida com… aquilo estava se deslocando bem na sua frente e sumiu da visibilidade. Nas trevas qualquer luz é Sol, apesar da bateria estar na metade, a luz daquele celular era todo o conforto que ela tinha ali, e parecia funcionar. Ela percebeu que estava num lugar muito, muito estranho. Restos de carros alegóricos de Carnaval, restos de carroças ou carruagens, restos de civilização, tudo podre e medonho. E ela não sabia o que estava acontecendo, acreditava estar no subterrâneo do teatro, acreditava estar atrás de seu filho que se enfiou naquele buraco. Subiu naquele veículo híbrido de moto do Capeta com trenzinho de mina e ele começou a deslizar pelos trilhos, a velocidade foi aumentando, mais nada era reconhecível.

Como uma cega na montanha-russa só conseguia sentir a vertigem da descida e das viradas. Só pra baixo, provavelmente acabaria no inferno, ou no Japão. E por que seu filho se enfiou naquele buraco? Provavelmente pra chocá-la. Ele realmente tinha extrapolado os limites dessa vez, ela pensava num bom castigo pro pequeno meliante, talvez tirar a internet dele por umas semanas… Sentiu culpa, remorso, medo e aflição depois de pensar em puní-lo. Como poderia pensar nisso num momento tão… tão… ridículo! Era isso mesmo, tudo aquilo era ridículo. Ela ainda não conseguia acreditar. E essa era a prova de sua sanidade, pois qualquer pessoa que achasse comum estar num subterrâneo como aquele só poderia ser louca. Só uma mãe consegue ser tão louca ao ponto de descer ao inferno, acreditar que o filho estava a frente e que conseguiria voltar com ele pra casa, como quando sumiu no parque e ela ficou quatro horas procurando. Otimismo materno é tudo, só uma mãe é capaz de ser tão otimista com tão pouco, só ela é capaz de ver num ser com cara de joelho, sem dentes e totalmente indefeso o futuro da humanidade e achar que isso é uma coisa boa. Mães… As boas são todas iguais. Onde aqueles trilhos acabariam, afinal? Deu mais um grito, pra se certificar de estar fazendo alguma coisa além de se deixar levar pelas circunstâncias: Gabrieeeeeeel!!!!

Continua

Musica desta sexta: Neither heaven nor space – Nada Surf

WTF is a MEME?

Janeiro 6, 2009 at 8:56 pm | In Conselhos Inúteis, Contos | 10 Comments
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Recebi um MEME (O o) da Karol, do InBalada. MEME é, aparentemente, uma forma de você obrigatoriamente passear pelo blog dos outros e saber de coisas que eles queiram que você saiba, por alguma razão que só eles e os Deuses sabem…
As regras são as seguintes:
1 – Linkar a pessoa que te indicou.
2 – Escrever as regras do MEME em seu blog.
3 – Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4 – Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.
5 – Deixe a pessoa saber que você o indicou, deixando um comentário para ela.
6 – Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.
Então…
1º. Quando eu sou boa, sou muito boa e quando sou má sou melhor ainda…
2º. Odeio quando não dá pra segurar a onda
3º. Sou louca
4º. Sou um exemplo clássico de que o mau gosto impera
5º. Sou insuportável quando estou cansada
6º. Sou muito mais insuportável quando estou empolgada

Empurrar o MEME para 6 pessoas…

Brisa Feliz

EscúchamePorra

Lesma de Sofá

Mais ou Menos Nostalgia

O Mundo do Avesso

Tal e Coisa, Coisa e Tals…

É,  acho que é isso, gente…

Música? Quer? Flamenco Diablo – Yngwie Malmsteen

Cozinhando na pressão

Janeiro 5, 2009 at 4:14 pm | In Contos | 5 Comments
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Se ela era escritora? Claro que não, apenas sabia escrever. E todos seus personagens eram sua fuga pro que queria ter coragem de viver. Não que lhe faltasse coragem na vida, talvez ânimo, talvez interesse…  Como personagem não se achava grande coisa então quase tudo era autobiográfico, mas era quase tudo mentira. E vivia na pressão. Vivendo numa cidade enorme, desumana mesmo com (ou talvez por ter) tanta gente, feia durante o dia e perigosa à noite, sentia-se vivendo na barriga de um monstro. E sentia-se mal por não sentir-se tão mal com isso. Ela tinha um nome estranho, Larilará. Seu pai era um músico bêbado e apaixonado que morreu cedo demais, o nome que ele escolheu contribuiu muito para a infelicidade de Lara – era como ela se apresentava para não ter sempre de explicar o motivo constragedor pelo qual seu pai escolhera batizá-la de maneira tão ridícula.

Ridícula era uma de suas palavras favoritas, aliás. Quando odiava alguma coisa, taxava de ridícula.Vivia pressionada com prazos, tinha sempre de entregar algum release – que é um texto idiota feito para as assessorias de imprensa venderem seus clientes pra mídia – pra ontem, tinha de dar conta de revisar textos de formandos antes dos prazos finais, pois estes quase sempre eram incapazes de fazer um bom trabalho de conclusão de curso ou mesmo de admitir a própria incompetência e encomendá-los com justa antecedência, tinha de dar conta de dois filhos quase crianças e quase adolescentes, tinha de ser mulher e tentar ser feliz. Era feliz se felicidade significa ter o que se precisa para viver como saúde, família, trabalho. Não era feliz por nunca relaxar. Sentia que nunca mais tinha dormido uma noite sossegada desde que seu primeiro filho nasceu. E a coisa só foi aumentando, as demandas da vida só cresceram e ela continuava se sentindo a mesma. Alguns dias ela acordava e se perguntava se tudo era real mesmo, onde ela estava quando toda sua vida aconteceu até aquele ponto ou como o tempo podia passar tão despercebido.

Então ela resolveu escrever mais um capítulo pro romance que não concluía nunca. Escrevia aquela maldita história há sete anos, tudo já tinha mudado de rumo quinze vezes, ela já teria escrito pelo menos seis livros diferentes se não fosse tão insegura, indecisa, insatisfeita consigo mesma. Insólita. Tanta vida passou por ela que a fez intrigar quem viveu menos e irritar quem viveu mais. Era o caso. Tinha sentido-se desafiada por aquela vaca que a atormentava desde que eram crianças. Oh! A senhora vaca-botox continua casada e deixa a filha única com uma babá quando vai semanalmente relaxar num spa. E ainda tinha coragem de dizer que não gostava de ler livros, só revistas. Uma inútil, uma fútil, uma abominação que precisava ser  repelida e superada. Ela terminaria seu romance, seria publicada e seria melhor e mais feliz que a vaca-botox. Ela não queria acreditar que podia estar errada sobre mulheres burras serem apenas objetos, mesmo considerando muitas vezes que burra tinha sido ela por deixar a juventude passar sendo orgulhosa demais para usar sua beleza no lugar das idéias. Ela era muito inteligente, mas era muito burra…

Naquela manhã resolveu visitar o cenário de sua travada ficção – o Teatro Municipal. Era uma construção antiga, fantasmagórica e que a encantava desde criança. Sua família tinha um senso de humor muito negro, típico dos sarcásticos Andaluzes e seu pai sentia um sádico prazer em contar terríveis histórias de belas mocinhas que iam sozinhas ao teatro e desapareciam nas garras de monstros e fantasmas que viviam (viviam?)  em um subsolo secreto que estava ligado aos esgotos da cidade. Ela gostava de lembrar do medo que sentia. E ali, no imponente Teatro Municipal, buscava inspiração para continuar seu romance. Sua heróina já tinha descoberto os monstros e os esgotos tinham se tornado uma rota alternativa para fugir dos que a perseguiam. E o romance empacou ali. Nada incrível depois da descoberta dos tais monstros… Nada além de mais um café na lanchonete mais próxima e mais uma tarde entre lembranças dos traumas da infância.

Continua…

Música pra 2009 começar: Be quiet and drive – Deftones

Adiós, 2008…

Dezembro 21, 2008 at 7:45 pm | In Contos | 6 Comments
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Retrospectiva? Inevitável… Várias coisas aconteceram em 2008, minha vida mudou muito, algumas coisas evoluíram e outras retrocederam, mas isso não é novidade já que vivo na montanha-russa da entropia e do desejo. Foi um ano bacana, me aproximei muito mais de mi madrezita, vi meu filho crescer muito mais incrível e maravilhoso do que pensei que seria (corujona, yeah!),  aprendi a trabalhar com coisas diferentes, escrevi algumas coisas que gostei e outras que vão me constranger algum dia, conheci mais gente do que esperava, estou me curando do vício virtual e já consigo ficar um final de semana inteiro sem checar emails, voltei à minha forma física de antes da maternidade (ou quase, afinal o tempo é implacável), abandonei – espero que – temporariamente minha pintura, voltei para as aulas de Jazz…

No ano de 2009 eu começo em um novo emprego muito legal, tenho que escrever um livro-reportagem bem tsukê, quero conseguir dar piruetas bonitinhas de novo, viajar e surfar mais, terminar meu livro de suspense fantástico e aprender a confiar mais nas pessoas. No promises! Não acho que tanta coisa pode mudar em um ano, mas minha vida sempre surpreende. O que eu quero mesmo é saúde pra mim e pra todo mundo. O resto é mais fácil de correr atrás…

Desejo aos visitantes desse espaço, que sempre me alegram com comentários gentis em textos estúpidos, que o Natal seja uma puta festa de celebração da união entre pessoas de boa vontade e que 2009 seja um ano de evolução e revolução pela Vida e pela felicidade de todos!

E mando um clipe pra você ter certeza que seu Natal será feliz Happy X-Mas (War Is Over) – John Lennon

Conexão interrompida

Dezembro 4, 2008 at 3:18 pm | In Contos | 6 Comments
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Intempéries da vida. Morte. A morte não atrapalha quem morre, eu acho. Só é chata pra quem fica, mas nem é por muito tempo também. Enquanto a morte não chega, podemos esperar de todas as maneiras. Um dia ela chega, pode apostar. Não conheço nenhum imortal de carne e osso, portanto eles não devem existir de verdade… A morte é um fim, mesmo que não seja, se já morremos e vivemos antes, não somos capazes de lembrar, e como aquela regra diz: se eu não lembro, não fiz! Uma vida pode ser muito tempo, ou muito pouco tempo, pra se arrepender. Ideal uma ligação infinita com o que há de bom pra se aproveitar da vida, mas conexões podem ser interrompidas.

Morrer, fim dessa vida como conhecemos, uma passagem para outro plano de existência ou simplesmente o fim. Ou tantas possibilidades… Quando penso no fim, sou tomada de uma curiosidade gigantesca, e sou meio São Tomé. Não acredito em explicações que não posso comprovar com meus próprios olhos, ouvidos, pele, boca ou qualquer outra sensação real. Mas penso no fim. Como não sei se será amanhã ou daqui duzentos anos (mas não quero apressar nem um minuto a derradeira), resolvi escrever como eu gostaria que fosse minha despedida dessa existência.

Em primeiro lugar, eu adoraria morrer de rir. Não quero mesmo morrer doente ou sentindo alguma dor. Morrer de rir é um sonho de verdade. Depois de morrer, quero que me ajeitem num caixão bonitinho (não precisa ser luxuoso, só bacana), coloquem uma roupa que eu adore usar, usem uma maquiagem estilo “pra matar”, e rosas. Com espinhos. Nada de flores de defunto! No meu velório, quero que TODO MUNDO esteja bebendo tequila e ouvindo as músicas que gosto, sem lágrimas, se rolar uma dança seria perfeito! E quando o velório acabar e os meus amigos mais queridos levarem meu caixão pro crematório, quero que toquem La Malagueña e que todos gritem em tom de sofrimento mexicano: AIAIAIIIII!!!!

Quando eu chegar no inferno, chuto o rabo do cão. Só Deus pra me aturar mesmo…Música de hoje: Only the truth – The Last Shadow Puppets (amando essa banda)

Estava maldizendo

Novembro 7, 2008 at 2:15 pm | In Contos | 4 Comments
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- Olha, o fulano disse que ficou sabendo que você falou mal dele, que disse que ele não presta, que é um idiota. Ele ficou revoltado, pois diz que lhe tem muito apreço…

- Ah, mas quem foi que envenenou a cabeça dele?

- Isso ele não disse…

- Pois olha, se eu souber quem foi, vou chamar pra ter uma conversinha na frente dele e quero ver falar na minha cara que eu falei um absurdo desses…

- Pois é, ele ficou com raiva de você.

- Arre… Como eu poderia me defender se nem sei quem me acusa? Essa história de “Olha, tal pessoa disse tal coisa de você, mas não me comprometa” me parece conspiração. A coisa cresce de tal maneira que pode destruir uma amizade…

- E se você soubesse quem falou, teria coragem mesmo de desmentir? Até por que não é bem mentira… O que magoou o fulano é o fato de que tudo é verdade. Acho que apenas usaram seu nome pra dizer verdades que acreditam que ele precisa ouvir. Seu nome dá mais peso, já que é o melhor amigo dele…

- Puta sacanagem, né? Acabar com uma amizade pra dar força pr’uma crítica é uma maldade tremenda… A verdade é que se ele é meu amigo mesmo, vai me falar quem anda me fazendo passar por fofoqueiro… e vai me dar uma chance de me defender.

Som pra essa sexta idiota: Mariana foi pro mar – Ira!

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