Filhotes gatos
Junho 2, 2006 at 3:38 pm | In Bichanos | Leave a CommentTags: ailurofilia
Gatos filhotes são criaturas ingênuas e masoquistas. Não têm nem um pingo da majestade que apresentam na idade adulta. Geralmente são até feios, com orelhas enormes e cabeças pequenas, magrelos e alguns dos que pegamos das ruas parecem que saíram do inferno mesmo. Geralmente são assustados, escondem-se de tudo em qualquer lugar. São carentes e procuram qualquer lugar quentinho pra dormir, mesmo que esse lugar seja em cima da sua cabeça, no seu pescoço ou dentro do motor da geladeira.Assim é a Raiona Liona, minha atual companheira de aventuras que trouxemos de Ubatuba pra Sampa. E ela veio durante toda a viagem no maior sossego, no meu colo, no final de um feriado prolongado. Quando meu namorado me deixou no meu apartamento e foi sozinho com a gata para a casa dele, ela o batizou e ao seu carro com uma bela diarréia assim que saíram do estacionamento do meu condomínio. E no fim de semana seguinte havia outro feriado prolongado, resolvemos levar a gata junto para não deixá-la sozinha por três dias. A viagem de ida e volta foi tranqüila, até que ele me deixou de novo no meu prédio e a batizada se repetiu. Quando ele me contou, eu rolava de dar risada, mas aposto que se fosse comigo eu não acharia a menor graça.
A Raiona era um pedaço cor de laranja de carência e magreza. Quando a levamos para dentro da casa de praia, não tínhamos nada que servisse pra ela comer, apenas nozinho de queijo na geladeira. Foi o que eu ofereci e ela comeu como se fosse carne crua e fresca. Fomos comprar ração e ela ficou com a gente. Está conosco ainda e conforme ela cresce se torna cada vez mais altiva, mais fresca e mais gata. Continua muito carinhosa e carente, talvez pelo fato de trabalharmos o dia inteiro e ela ficar sozinha.
Datinha é uma gatinha preta que mi madre pegou para fazer companhia para o Koji desde que roubaram a Derri. Filhotinha de tudo, bem pequena, cara de morcego, orelhas enormes, magrela, assustada e muito carente. E não desgruda do meu sobrinho de dois anos. Talvez pelo fato de que ele cheire a leite e biscoito, talvez porque o mau gosto impere. Ele judia dela, chuta, aperta, amassa, beija, morde. E ela continua o seguindo pra todo lado. Dizem que os gatos enxergam a aura das pessoas, como a tal terceira visão que os lamas tibetanos afirmam ter. Vai ver que é isso, ela enxerga o quanto ele é especial…
Gato Morango
Maio 29, 2006 at 10:55 am | In Bichanos | Leave a CommentTags: ailurofilia
Era para chamar Ruivão. Mestiço de persa com vira-lata. Todinho cor de laranja. Uma bolinha de pêlos bem fofa e linda. Chegou depois do Capitão, que era um filhotão também. Logo fizeram uma bela amizade, onde estava um, estava o outro. Mas ele não gostava de seu nome… Não havia nada que o fizesse olhar para mim quando eu chamava: Ruivão! Era uma chatice, um nome tão apropriado para aquele pedaço ruivo de fofura e lindeza.
Sempre assisti muito a programação infantil, lembro que na época tinha um personagem do programa da Eliana que cantava * Meu morango, meu morango lango*, e eu estava com a terrível mania de cantar esse refrão (mania que sempre tive com várias outras músicas bestas). Certa tarde eu estava pintando as paredes de um cômodo da casa e cantando igual uma louca: Meu morango, meu morango lango lulu, Meeeeu moraaango, meu morango lango lulu… E o Ruivão, que tinha uns três meses então, não saia de perto de mim. E eu observei que toda a vez que toda vez que gritava *Morango*, ele olhava. Parei de cantar e comecei a chamar: Morangoooo, Morangooooo. E ele olhava todas as vezes. Fui para o quintal e chamei: Morangoooo. Ele veio até mim, miando e ronronando de felicidade.
Foi então que eu percebi que ele queria ter o nome da minha fruta favorita, e não o nome de um personagem que o deixaria com a personalidade clichê. Ele escolheu ser chamado de Morango. E era uma delícia apertar, brincar com ele. Era uma mala velha, se abria pra todo mundo, adorava carinho na barriga. E era um contorcionista. Eu não acreditei quando o vi escapar para a gandaia certa noite passando através de uma fresta de um vitraux que estava emperrado. Ele conseguiu passar o corpo gordo de quase cinco quilos por uma fresta de dois centímetros e meio. E fugia pra gandaia. Sempre voltava quando o dia estava amanhecendo e deitava na minha cama. De preferência, em cima de mim…
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