Operação Sorriso
Julho 8, 2009 at 2:07 pm | In Conselhos Inúteis | Leave a CommentTags: crianças
Eu liguei e confirmei, é verdade. Falei no telefone do Rio de Janeiro com Elisa Campos. Estou repassando por ser bacana… Talvez o banner não esteja muito bacana em termos de resolução, então vamos aos dados:
Triagem para participar acontecerá dias 6 e 7 de agosto à partir das 8 horas no Hospital do Fundão na UFRJ. Dão alojamentos para pacientes e acompanhante. Maiores informações nos telefones (11) 3443 1710 e (21) 7152 3855.
Música pra véspera de feriado com boa notícia: Dias de Luta – Ira!
Dias das Mães (pra quem ainda tem coragem)
Maio 7, 2009 at 11:36 am | In Brisas | 3 CommentsTags: crianças, Família, propriedade, work
Aí, outro dia eu ouço no rádio do carro uma propaganda de revista cuja manchete era “Licença Maternidade de 2 anos é possível” ou algo que o valha. E o locutor seguia desfiando a idéia de que se a mulher se preparar ($$) com antecedência, pode ficar os primeiros dois anos com a cria sem falir. A tal revista é voltada para o público feminino, principalmente o que trabalha fora (leia-se remuneradamente, por que trabalhar em casa é sujo, pesado, escravocrata e quase nada reconhecido pelos “patrões”). Achei a tal matéria uma puta hipocrisia. Nem a li, na verdade e, portanto, minha opinião talvez seja só mais uma crise de achismo. Mas pelo menos é uma opinião baseada na experiência real de mercado de trabalho que vivo desde os 15 anos. O fato é que a maioria das mulheres nos trabalhos burocráticos não têm filhos. As que têm, ou tiveram muito cedo, ou muito tarde, dessas poucas mães são raras as que têm mais de um filho, algumas têm gêmeos por que assim é uma licença só pra dois e é fácil conseguir gêmeos quando se engravida com técnicas de reprodução assistida. Fala-se de mulher no mercado de trabalho, mas não se fala da mãe. Sim, vida pessoal e vida profissional devem estar separadas. É? Como mãe eu digo que sou uma profissional muito mais responsável por ter um filhote em casa que depende do que ganho com meu trabalho, e isso me deixa muito mais mansa.
Fato é que a maioria dos patrões, quando vão contratar mulheres, preferem as que não têm filhos e nem pretendem. As que têm filhos pequenos precisam dar certeza que nunca vão precisar deixar o trabalho pra cuidar de assuntos da maternidade (ter babá no tronco de casa 24 horas por dia, ter avó no tronco de casa, ter alguém no tronco pra levar as chibatadas do padecer no paraíso por você) ou você pode ficar bem atrás da concorrência das que decidiram que ser mãe dá muito trabalho. Realmente dá, realmente desfavorece quem precisa ser workaholic pra mostrar competência, realmente não é fácil ser mãe e profissional. Mas há quem consiga e há até quem tire de letra. Uma dia quero tirar de letra e não apenas conseguir.
Meu plano de curto prazo é diminuir minha carga de trabalho pra meio período. Por enquanto não dá, mas penso que ano que vem há de ser. Sim, eu adoro ficar em casa cuidando de casa e de filho. Sim, eu enlouqueceria se só fizesse isso. Mas acho que conciliar faz parte do bem-estar. Vou trabalhar melhor se não me sentir culpada por passar o dia todo longe dele, vou cuidar melhor se tiver mais tempo pra ele, vou ser mais feliz se conseguir o que quero, eu acho. É importante ter mais tempo pra cuidar das coisas da casa, das pessoas da minha vida. Trabalhar dignifica esse tempo, que será muito mais valorizado. Dinheiro? Vai ficar em segundo plano. Eu sei que não tenho como competir com mulheres que fazem da carreira profissional a vida delas. Só sei que tenho pena… Minha vida tem mais vida e não é uma crise internacional que vai abalar as estruturas de amor que um lar oferece. Nesse dia das Mães eu só queria mesmo propôr uma reflexão pras mães de filhos únicos: ter outro filho pode atrapalhar sua carreira, mas não tê-lo pode atrapalhar o desenvolvimento de seu filho. Geralmente os pais morrem antes de seus filhos, e um filho único fica sem família quando isso acontece. Feliz Dia das mães, pra todas as corajosas e medrosas desse mundo. Feliz Dia das mães, mãe! Te Amoo! Obrigada pelo Pequia (hoje mais conhecido como tio Otto) Amo vocês!
Música pra googlar e dançar – minha mãe que me ensinou a gostar desse cara: You’ve lost that lovin’ feeling – Johnny Rivers
P.S do dia seguinte: Quando fiquei pensando nesse texto depois de postado, foi inevitável pensar que faltou citar o Idiocracy. A mulherada muito inteligente demais pra deixar a carreira de lado e criar filho está deixando o mundo mais burro…
Lágrimas
Novembro 30, 2008 at 8:33 pm | In Brisas | 9 CommentsTags: chata, crianças, tempo
Quando a pessoa nasce, chora pra mostrar que está viva. Seria, no mínimo, estranho ver a vida tão diferente do lado de fora da mãe e dizer: “- Olá! Que sufoco lá dentro!”. No tempo que se segue o bebê chora por que não sabe o que se passa, não sabe como lidar com as próprias sensações, chora pra ser satisfeito, atendido. Quando já se comunica, a criança chora pra demonstrar que algo não está como gostaria, claro que há o choro de dor física, mas aí é coisa pra pediatra, então, a criança chora por que foi contrariada, por que não consegue o que quer. Chora por que não sabe argumentar pra conseguir o que deseja. A criança chora, basicamente, por que não sabe. E por não saber é que o choro da criança passa logo, a ignorância é a chave da felicidade. Criança que vive como criança deve viver é feliz.
Aí o adulto chora. São tantas emoções… O adulto também chora quando não sabe, mas tem capacidade e habilidade pra saber. Lágrimas de gente grande talvez sejam mais falsas. Moi, je, moi, je, moi, je… Quase sempre é uma repetição da condição infantil de despreparo ante as próprias sensações, mas diferente dos pequenos, o adulto busca/provoca suas sensações, de uma maneira ou de outra. O ponto que me intriga nesse pensamento é: até quando esperar que outro lhe ampare é saudável? Talvez todos tenhamos dias ruins, em que um ombro amigo (ou mais que isso) é o refúgio de qualquer amargura. Dias ruins não acontecem todo dia… Os dias bons têm de ser mais numerosos para se poder contar com alguém num dia de cão. Lágrimas podem ser armas, ou armadilhas. Em ambos os casos, só escuto mesmo o choro de quem ainda não sabe o que fazer pra parar de chorar sozinho…
Música feliz (putz, viva meu servidor! recuperou meus textículos e tudo voltou ao normal!): Stop crying your heart out – Oasis
Onde isso vai parar?
Setembro 24, 2008 at 3:21 pm | In Brisas | 4 CommentsTags: brasil, crianças, protesto
Tanta violência na TV contra crianças deixa muita, mas muita revolta mesmo. Pedofilia, agressão, assassinato. Que vontade de sair matando esse tipo de criminoso… Claro que qualquer violência é revoltante, mas contra anjos inocentes e totalmente indefesos é MUITO mais grave. Fico besta, me pergunto com anda a cabecinha dos pequenos que assistem ao show de horror dos noticiarios, como olham pros adultos que deveriam zelar pelas felicidade em suas vidinhas.
É todo dia. A cada dia uma nova barbárie, não há punição decente para esses criminosos, a justiça no Brasil é ridícula. Morosidade na investigação, demora no processo judicial, assistência social ineficiente. Mais a pobreza… Essa é fator constante. Com exceção do caso da Isabela Nardoni, que teve tanta repercursão exatamente por ser de classe média, todos os que surgem diariamente são retratos da miséria humana. Mães, que o são por não terem condições de pagar um aborto clandestino em clínica bacana, abandonam filhos nos lugares mais desgraçados que se pode imaginar, dá vontade de ver a sujeita castrada pra nunca mais ter chance de errar assim com a vida de outro filho, sempre imagino por qual motivo essas fulanas não deixaram esses bebês em lugares seguros, pelo menos. Pais que estupraram filhos respondendo aos processos em liberdade, crianças que crescem fumando crack e sendo espancadas, babás que judiam. É tanta coisa que nem sentimos muito.
A classe média, vítima da culpa mas não da fraternidade cristã, sente-se mal para protestar e reclamar. Poxa, não podemos reclamar da nossa comida enquanto tantos são os que passam fome, não podemos reclamar do caos nos hospitais quando temos plano de saúde, se nossos filhos estudam em escola particular fica mal reclamar da pública. E por aí vai, há até quem diga que só paga imposto de renda quem ganha o suficiente pra isso. Verdade, segundo as leis imorais do nosso país. Se ganhar 1.500 reais por mês já leva mordida do leão, já é classe média. O salário mínimo, ridículo no nosso país, talvez não aumente por que quem ganha cinco deles já se acha rico demais pra reclamar. Essa omissão garante o ciclo de pobreza, que passa de pai pra filho, assim como o ranço burguês dos que tiveram oportunidades mas acreditam que conquistaram tudo sozinhos.
A sociedade discute ambientalismo enquanto tem criança se prostituindo em Brasília por 3 reais. Claro que um assunto não desmerece outro, mas vamos combinar que essa criança vai crescer sem ter a menor oportunidade de se maravilhar com a reciclagem mágica, muito menos saber do que se trata educação ambiental. As pessoas estão esquecendo das pessoas mais importantes: as que estão crescendo. O futuro sempre é delas, mas somos nós, os adultos, que seremos os responsáveis pelos monstrinhos que estamos criando. Se omitir em relação ao descaso do governo com essa pobreza que gera tanta tragédia é irresponsabilidade. O assistencialismo das bolsas-esmolas poderiam ter fim se a classe média se manifestasse em favor da dignidade do salário mínimo. As oportunidades seriam melhores se as famílias não tivessem só sexo e TV como formas de entretenimento. Se a desigualdade não diminuir, continuaremos a assistir de cima ao freak show dos flagelados na TV, e teremos parte da responsabilidade quando essa violência nos atingir.
Som do protesto: Perfeição – Legião Urbana
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