Prece pela minha paixão
Julho 22, 2009 at 3:03 pm | In Brisas | Leave a CommentTags: desejo, empatia, megalomania
Que eu nunca me esqueça do que sinto quando vejo alguém ser humilhado na minha frente, que nunca me falte coragem para lutar pelo respeito mútuo.
Que as pedras no caminho sejam duras o suficiente para que possa subir em cima delas, e que as quedas nunca sejam tão duras ao ponto de não permitirem levantar-me novamente.
Que eu seja sempre minha referência e juíz, que a estrada que me leva seja ladeada pela boa-vontade e que a motivação seja sempre evoluir o todo.
Que a tristeza pela burrice e alienação alheias não me impeça de combater a indiferença para com o sofrimento dos homens, que eu nunca me conforme com injustiça e que sempre tenha voz para manifestar meu desejo de paz.
Que eu nunca veja com meus próprios olhos a maldade de que só o ser humano é capaz de cometer, que eu nunca tenha oportunidade de fazer justiça com minhas próprias mãos e que o tempo apazigüe meu instinto de Erínia.
Que nunca o tempo me faça séria e sisuda, que a graça da alegria que carrego seja sempre um refúgio para quem se deixou tomar pelo desânimo. Que eu nunca deixe de fazer essa prece pelas minhas paixões e que o amor cresça cada dia mais.
Música hoje? Vamos de Devil’s Dance – Metallica (sim, eu não vou crescer nunca)
Certeza da opção sexual?
Junho 18, 2009 at 2:25 pm | In Brisas | 8 CommentsTags: desejo, presunção
Eu já cheguei a questionar minha sexualidade. Sim, foi na adolescência e fiquei em dúvida se queria homens ou mulheres… Admirava muito as mulheres, fui criada só por mãe. Achava que o sexo forte era o meu, isso já me deixava meio confusa… Um homem pra quê? Cada experiência me dizia que os homens são eternos garotos, nunca amadurecem para, talvez, ocupar o lugar do pai que eu não tive. E então percebi que não queria um homem, sentia falta de pai, talvez do contato com um homem mais velho. Mas a admiração pelas mulheres só aumentava, eu via que muitas eram muito felizes bem longe do ideal feminino de realização. Muitas ocupavam o lugar de homem e se saiam muito bem sem ajuda alguma do sexo oposto.
Mas sou uma tremenda narcisista. Não demorou pra perceber que a mulher que eu admirava (e realmente não era todo tipo de mulher) era parecida com o tipo de mulher que eu busco ser. Narcisista pra carai, ao ponto de achar mulheres diferentes fisicamente, menores e tals, feias… Ou seja, eu queria mesmo um homem que parecesse comigo em tudo. Então, não queria um homem, queria eu mesma. Terapias de autoconhecimento são bacanas pra narcisistas. Ajudam a enxergar que não somos tão incríveis quanto pensamos ser e deixamos de ficar tão apaixonados por nós mesmos quando constatamos isso. Aí já sabia que não queria mulheres, e também aprendi que não existem homens muito maduros e seguros…
Uma coisa que me deixa meio sem graça hoje em dia é o tanto de novidade do campo de opções sexuais. Você não precisa se definir e isso é até bacana, diversidade é divertido e tals. Sou só eu que me sinto uma múmia quanto o assunto são novidades na cama? Sei lá, sexo pra mim é uma coisa que acontece melhor entre duas pessoas, mas isso parece cada vez mais antigo no mundo de hoje. A moda é sexo grupal… E eu estou de fora, pois o único par de seios que não me incomodo de sentir encostando em mim durante um abraço é o da mamãe. E dois homens? Acho que não dou conta, não… Não sou tão Matusalém ao ponto de achar que sexo deve ser feito só com amor e blablablá, whiskas sachet, acho que é possível sentir prazer de muitas maneiras, com ou sem sentimento, hetero-bi-homo-pan-self, acho que tudo é possível. Mas acho que está rolando uma glamouri(banali)zação da putaria. O que poderia ser uma alternativa está se tornando regra e as pessoas estão cada vez menos satisfeitas.
Hoje em dia é “super natural” um cara transar com duas mulheres (ou duas mulheres com um cara, whatever). Não demora nada e vai ser “super natural” dois homens transarem com uma mulher. Logo a moda vai ser gang-bang de idosos na Praça da República. Tudo natural, minha gente. Pode ser mais rabugisse minha, mas essa evolução me parece fruto de muita insatisfação. Acho que se eu fosse uma mal comida, passaria a vida tentando sentir prazer de alguma forma, mesmo que essa forma fosse “alternativa”. Só tenho muita pena mesmo de quem se submete a todas as novidades sem sentir prazer algum, só pelo marketing do “eu já fiz…”
Música sugoii!!: Bad Guy – The Automatic
Exercício de convivência
Outubro 5, 2008 at 6:25 pm | In Contos | 8 CommentsTags: desejo, megalomania, tempo, utopia
Minha maior auto-sabotagem é a imaginação. Por causa dela é que me tornei um ser idealista e utópico em quase todas as esferas da sobrevivência. Já controlo um pouco melhor a impulsividade. Dizem que o tempo aprimora a reflexão… Não que hoje eu seja calculista, mas aprendo a cada dia como ser mais objetiva comigo mesma. E a maior angústia que sinto nessa fase é o “não saber”, tipo: “O que sinto em relação ao futuro? – Não sei!” Se sentisse medo seria mais fácil, era só buscar maneiras de me sentir protegida, precavida. Se sentisse vontade, era só esperar acontecer. Sinto que não posso deixar minha imaginação me sabotar de novo. Existem coisas concretas, como o fato de que no futuro ainda serei eu mesma a mãe do meu filho e a filha da minha mãe. Existem coisas que só têm futuro na minha imaginação. E ela é idealista e utópica, já falei.
Preciso me munir de coragem para encarar com realismo a vida. Preciso enxergar a verdade como ela é, as pessoas como são. Não devo continuar superestimando quem eu gosto e subestimando quem detesto. Nem o contrário, também… As coisas são como são, nós é que não enxergamos quando deixamos a expectativa dominar o bom senso. Algumas coisas me incomodam demais, tipo a covardia. Preciso parar de enxergar herói onde não existe sequer atrevimento, cojones. Não quero mais me decepcionar comigo mesma, quero dar essa chance pra alguém. Pois me enganei sempre sozinha, sempre por conta. Não consigo admitir que, sendo tão incrível e poderosa como penso ser, tenha me deixado enganar por seres tão frágeis e medrosos. Mea culpa, como sempre, de preferência. Se é pra escolher, sou sempre o algoz, jamais a vítima. Convivo com uma carrasca muito desastrada…
E, apesar de tentar não me auto-sabotar dessa vez, apesar de tentar enxergar a realidade crua, apesar de não esperar que me surpreendam de maneira positiva, ainda assim, consigo me decepcionar com coisas que podem parecer irrelevantes. Não entendo o mecanismo do desengano, como pode haver decepção sem expectativa. Como pode haver vida sem expectativa, ou esperança sem imaginação. Quanto mais a vida passa, mais confusa eu fico.
Música pra essa vida, louca: Ah, se eu fôsse homem – Ultraje a Rigor
P.S. Na verdade, não sei se idealismo e inconformismo são a mesma coisa ou se ambas dominam minha personalidade. Não me contento e nem quero me contentar com menos do que sei que mereço, do que realmente quero. Ok, posso não saber ao certo o que quero, pois vivo me confundindo entre o que é real e o que é só minha imaginação. Só sei que não quero me contentar com menos do que a intensidade que invisto, não quero menos do que cartas e canções de amor do começo ao fim e não só no começo, não vou me contentar com menos do que minha própria perspicácia e coragem, menos do que minha capacidade intelectual, menos do que idealizo pro mundo, menos do que dou. Não vou mais me misturar com a gentalha… Tomara.
Desejo e entropia
Julho 10, 2008 at 1:36 pm | In Brisas | 1 CommentTags: desejo
Algumas ausências são realmente impensáveis, somos desejo. Algumas pessoas nos são caras demais, alguns lugares, coisas, momentos, verdades… sim, somos limitados por isso e muitos enlouquecemos por não aprender a abrir mão quando é necessário. Algumas ausências, como a de um filho, fazem toda uma vida perder o sentido. Nossa sociedade quase não evoluiu nada. Ainda se vive na época em que é preciso matar para viver, brigar pra ir e vir ou pensar, delegar ao outro as próprias falhas e ignorância, submeter-se por medo ou para conseguir proteção (aprovação?), somos feitos de substância humana, o homem é capaz de admitir sua pobreza de espírito, sua primitividade.
O desejo é o nosso alívio, o sonho, todas as coisas que nos são caras são o refúgio para todo o mal que aprendemos com a vida, são a nossa parte pura, por mais impuro que o desejo seja. O desejo nos move e quando ele não existe ou é impossível de existir, não há motivação. Mas muita gente vive desapegado, muita gente é altruísta demais ou totalmente de menos, muita gente não sonha, só deseja o que lhe é oferecido, só aproveita o que há, só quer o que pode e, apesar de não serem totalmente auto-suficientes (ninguém o é), enxergam-se assim. Pergunto-me se esse tipo de gente sente alguma coisa ou apenas reage.
Não existe verdade absoluta, não há solução para problemas que inexistem em outro universo que não o da própria existência e, não sei se é uma premissa da contemporaneidade, mas não há mais esperança. Ser cético é uma possibilidade que finalmente pode ser expressa sem que haja punição por parte da sociedade, mas é tão triste chegar ao ponto de abraçar o ceticismo como ideologia. É tão triste alguém que só acredita no que pode ver, porque gente assim não consegue ser otimista, esperar pelo melhor, em geral são até negativas e esperam pelo pior. Alguns céticos até comemoram quando a triste realidade vem à tona, como se algo podre pudesse ser comemorado, como se o fato de ele estar certo fosse mais importante que uma realidade triste. Sim, a tristeza é necessária para que haja alegria. E há gosto pra tudo. Há quem faça questão de se fechar para qualquer possibilidade, e há quem não se contenta com que é possível.
Faço questão de ainda ter esperança e fé na humanidade. A mesma entropia que tirou a esperança de quem muito sabe foi causadora da minha incessante busca pelo que existe de melhor em cada um, em mim, em tudo. Sempre.
O Amor… (2)
Junho 9, 2008 at 3:14 pm | In Brisas, Conselhos Inúteis | 3 CommentsTags: Amor, desejo, propriedade
Agora vou falar do amor romântico, por que amor próprio é básico, e não é tão interessante quanto o amor que inspira poemas, loucuras e lindas histórias com finais felizes. Esse amor também vale muito a pena e ajuda a manter a forma. É um amor que requer: disposição física*, boa vontade*, paciência*, paixão*. Não sei explicar em que ordem, mas vou explicar porque só precisa isso…
*Disposição física é fundamental pro amor. É muito horrível amar e/ou ser alguém que não se cuida, que vive cansado, caindo pelas tabelas, dormindo em qualquer tempo livre, que só dá rapidinhas… Uma pessoa que tem disposição física pra amar é, com certeza, um amante melhor. Se sua vida não lhe permite ter disposição, mude de vida… Como? Só sei sobre a minha, que sempre mudei quando quis… Inclusive estas palavras são baseadas apenas no meu profundo conhecimento sobre a minha própria vida. Mudar de vida é só querer, é mandar umas pessoas pra uns lugares, ir você mesmo pra outros.´Putz, pra mim sempre foi muito fácil fazer isso, mas nem sempre saí ilesa…
*Boa vontade é excelente quando nos deparamos com a limitação alheia. É legal ter sempre em mente que amar alguém não faz do alvo de seus sentimentos um ser perfeito, assim como você também não o é. Ter boa vontade com as imperfeições, não ser deselegante quando estiver de saco cheio, não descontar problemas de outros departamentos sentimentais nesse seu romance, não ser sempre um folgado(a), e quando algo lhe for pedido, ouça com carinho. Poxa, ter boa vontade é muito fácil. Na minha humilde opinião, boa vontade só pode ser superada (mas por que não, complementada?) pelo bom humor…
*Paciência é o complemento, ou a chave para a boa vontade, mas é diferente num aspecto. Ter boa vontade é ativo, paciência é passiva. Ser paciente é quase dominar o poder de ter tranqüilidade para aceitar o que não pode ser mudado. E, não vale a pena querer mudar outra pessoa. Claro, quando se trata de uma pessoa muito down, do tipo que inspira dó por se autodestruir, às vezes sentimos um instinto de proteção, e acabamos nos envolvendo pra ajudar. Já vi acontecer algumas vezes da pessoa mudar, melhorar e perder totalmente a graça… Ter paciência no amor é não querer mudar o outro. É também aceitar que não se pode estar certo sobre tudo, ninguém é dono da verdade. Paciência é ser flexível, é ceder algumas vezes, é argumentar sobre sua opinião sem tentar enfiá-la goela abaixo do seu interlocutor.
*Paixão é tudo no amor romântico. Numa boa, romance sem vermelho é que nem sede, fome e dor, tudo ao mesmo tempo. Nada mata mais o amor que olhar o ser amado e sentir que não tem vontade de beijá-lo a todo momento, abraçá-lo antes de dormir, não estar com mais ninguém no universo além dele. Quando a paixão vai embora, nem faz mais sentido amar… Amar com paixão é uma delícia, ser correspondido num amor assim, na mesma intensidade, faz a vida ter sentido, o mundo ser belo, o céu mais azul e as flores sorrirem. Ser amado com paixão é o que todo mundo quer, eu acho. Se é dando que se recebe…
Tomara que eu leia tudo isso daqui uns tempos e ache que não estava tão errada. Vai significar que deu certo essa teoria! E aí, vou escrever um complemento chamado: O amor (3) – Como não enlouquecer com a felicidade…
Trilha de hoje? Hum… My Girl – The Tempatations
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