O hábito da criação
Julho 29, 2009 at 2:32 pm | In Brisas, É com a Lia | 3 CommentsTags: empatia, propriedade
A dádiva da criatividade, a inspiração que motiva o fazer, capacidade de inventar. Todos têm isso, só depende do estímulo para aparecer. E tem como ampliar, é só variar o cardápio de vida sempre que possível. Permitir-se viver experiências, buscar novos pontos de vista sobre o que acredita ser o certo, questionar(-se), mudar(-se). Cada pessoa de um jeito, algumas por necessidade de sobrevivência, algumas por vontade de expressar qualquer coisa, todas pode(ria)m criar. É gostoso ver o que criamos, é bacana quando agrada alguém, mas o importante mesmo é funcionar, usar as habilidades que nos tornam seres inteligentes. E expandí-las é questão só de prática. Todos sabemos que tudo isso que eu disse é óbvio, mas sinto que falta ousadia na criatividade em geral. Talvez só na minha criatividade…
Não sei se é o caminho de buscar vários estímulos e estilos de expressão, mas não consigo definir qual é a minha. Insisto em ser plural, isso frustra o aperfeiçoamento. Não considero muito bom quase nada do que faço. Algumas cagadas, coisas por acaso que saem muito melhores do que se eu tivesse planejado, alguma facilidade para aprender certas coisas. Será que dividir a vontade em diversas formas de expressão diferentes torna tudo mais medíocre, mediano? Eu danço, mais ou menos… Fiz ballet e jazz e sempre tive ritmo pra me mexer, ensinei meu irmãozinho a dançar rock dos anos 60 e sou apaixonada pela expressão corporal. Não quis me dedicar totalmente. Pinto, como eu pinto. Pinto painéis e telas com personagens inventados ou existentes de mangás e animes, alguns amigos gostam, ninguém teve coragem de falar na minha cara que odeia minhas pinceladas, mas não consigo me dedicar apenas aos traços. Escrever, essa paixão exige bastante dedicação e disciplina para não abandonar a estória na metade. Quem me lê há algum tempo sabe que tenho mania de deixar pela metade idéias que poderiam ser desenvolvidas e concluídas.
A arte é apaixonante e só vejo nela a expressão livre, mas não é a única forma de criar. Meu idealismo quer criar com tudo, quer mudar o mundo, quer ser herói. Mesmo que tenha de seguir regras, mesmo que haja limitação, a criatividade é exatamente superar limites. Na arte não existe limite. Criatividade é lidar com a realidade transformando-a, de preferência, em algo melhor. E resolver um problema, um conflito, uma situação embaraçosa com criatividade não é muito fácil. A realidade nem sempre é tão inspiradora, acolhedora e possível quanto a arte. Por isso que está certo o ditado “Viver é uma arte”. E todo mundo usa a criatividade na vida, pro bem e pro mal. Speed porco existe em todo lugar. A pessoa é criativa ao resolver ou causar um conflito, a necessidade força a criação. Talvez seja por isso que não consigo ousar: não consigo ver a necessidade de e, portanto, evito a fadiga. Sigo quase criando, quem sabe até inspirando, quem precise mais do que eu…
Música de hoje, celebrando nossas semelhanças, por que no fundo, no fundo somos todos caveiras – Bones – the Killers
Pensar por si mesmo
Junho 22, 2009 at 1:45 pm | In Brisas | 6 CommentsTags: escrever, propriedade, protesto, work
Ter opinião requer, no mínimo, informação sobre o o objeto analisado. Informação e conhecimento deram uma boa propaganda pro Estadão e uma boa cutucada em quem pensa que sabe alguma coisa. Eu gosto de informação, não é por acaso que escolhi esta profissão. Mas está um bafafá sobre a não obrigatoriedade do diploma universitário para jornalistas. Não sei se sou contra ou não, mas um ponto chave que me intriga é a prisão especial para pessoas que possuem diploma de curso superior, que está está prevista no art. 295, inciso VII, do Código de Processo Penal. Bem, é prisão especial até o julgamento, que demora horrores no Brasil, mas como fica o jornalista nessa situação? O que não tem faculdade e é processado – coisa corriqueira no meio – tem direito ao “benefício”?
Sei lá, isso me parece mais uma medida antidemocrática, mais um jeito de cercear a liberdade de imprensa. Se o jornalista não tiver curso superior e for em cana, é literalmente um coitado. Pensar por si mesmo é questionar? Eu questiono o curso superior em si, que forma idiotas, peças de reposição para o mercado de trabalho. Não há espaço nem estímulo para o aluno questionar a realidade (a sociedade, os valores, os conteúdos) no curso superior. Em jornalismo, onde o senso crítico deveria ser valorizado e desenvolvido, não existe sequer questionamento. Bom, não é por acaso que muitos dos que se formam comigo sonham em ser vjs da mtv ou repórteres de estádio de futebor… Fala sério se precisa fazer faculdade pra fazer isso aí.
Meu diploma vai dar um belo papel, que eu paguei muito caro por ele, mas posso afirmar sem medo que aprendi muito pouco no curso superior que escolhi. Passei os 4 anos horrorizada com o descaso ao conteúdo, com a negligência dos professores para com o futuro da sociedade da informação e com a alienação da maioria dos colegas (não todos, não me xinguem, idiotas…) Aprendi a escrever por gostar, aprendi a entrevistar na raça, aprendi a ser jornalista na prática e SEI que tenho MUITO pra aprender, mas acredito que nenhum curso vai me ensinar o que preciso. O jeito é seguir questionando e observando em busca de, ao menos, pontos de vista diferentes, alternativos. Novas idéias…
Música agora: Tomorrow – Silverchair
Tutorial – Pintura de Quarto de Filhote
Maio 21, 2009 at 12:03 pm | In Conselhos Inúteis | 5 CommentsTags: Américo, filhote, propriedade, work
1. Desenhe as paredes com um lápis número 2. No caso eu peguei umas figuras de fundo do mar pra colorir na internet, foi muito difícil encontrar, tive que abrir o google e escrever “fundo do mar pra colorir”. Ah, e depois clicar em search. Pra ver as imagens com mais detalhes, clique nelas, duh…
2. Depois use lápis aquarelável (outros tipos não sei se prestam, pois nunca testei) e pinte as figuras. Não se preocupe em pintar bonito, apenas que não saia do contorno do desenho.
3. Depois de pintar com lápis aquarelável tudo o que pretende colorir, começa uma parte bem legal: aquarelar. Use um cotonete ou qualquer coisa com um algodão na ponta. No meu caso, usei um treco de manicure. Não esqueça de molhar o algodão, viu? Mas não precisa deixar pingando, senào escorre. Bom, a prática leva à perfeição. Depois de uns dois ou três desenhos, pega-se o jeito de quando e quanto molhar o algodão. Use um cotonete (algodão) para cada cor.
4. Pra finalizar o desenho, contorne sem dó com caneta hidrográfica preta.
E Voilá… Olha que bacana ficou:
Durante o trabalho é bom escutar: Foo Fighters… Que é bom até pra saúde…
P.S. Sim, eu poderia fazer isso pra você. Pagando bem, que mal tem?
Dias das Mães (pra quem ainda tem coragem)
Maio 7, 2009 at 11:36 am | In Brisas | 3 CommentsTags: crianças, Família, propriedade, work
Aí, outro dia eu ouço no rádio do carro uma propaganda de revista cuja manchete era “Licença Maternidade de 2 anos é possível” ou algo que o valha. E o locutor seguia desfiando a idéia de que se a mulher se preparar ($$) com antecedência, pode ficar os primeiros dois anos com a cria sem falir. A tal revista é voltada para o público feminino, principalmente o que trabalha fora (leia-se remuneradamente, por que trabalhar em casa é sujo, pesado, escravocrata e quase nada reconhecido pelos “patrões”). Achei a tal matéria uma puta hipocrisia. Nem a li, na verdade e, portanto, minha opinião talvez seja só mais uma crise de achismo. Mas pelo menos é uma opinião baseada na experiência real de mercado de trabalho que vivo desde os 15 anos. O fato é que a maioria das mulheres nos trabalhos burocráticos não têm filhos. As que têm, ou tiveram muito cedo, ou muito tarde, dessas poucas mães são raras as que têm mais de um filho, algumas têm gêmeos por que assim é uma licença só pra dois e é fácil conseguir gêmeos quando se engravida com técnicas de reprodução assistida. Fala-se de mulher no mercado de trabalho, mas não se fala da mãe. Sim, vida pessoal e vida profissional devem estar separadas. É? Como mãe eu digo que sou uma profissional muito mais responsável por ter um filhote em casa que depende do que ganho com meu trabalho, e isso me deixa muito mais mansa.
Fato é que a maioria dos patrões, quando vão contratar mulheres, preferem as que não têm filhos e nem pretendem. As que têm filhos pequenos precisam dar certeza que nunca vão precisar deixar o trabalho pra cuidar de assuntos da maternidade (ter babá no tronco de casa 24 horas por dia, ter avó no tronco de casa, ter alguém no tronco pra levar as chibatadas do padecer no paraíso por você) ou você pode ficar bem atrás da concorrência das que decidiram que ser mãe dá muito trabalho. Realmente dá, realmente desfavorece quem precisa ser workaholic pra mostrar competência, realmente não é fácil ser mãe e profissional. Mas há quem consiga e há até quem tire de letra. Uma dia quero tirar de letra e não apenas conseguir.
Meu plano de curto prazo é diminuir minha carga de trabalho pra meio período. Por enquanto não dá, mas penso que ano que vem há de ser. Sim, eu adoro ficar em casa cuidando de casa e de filho. Sim, eu enlouqueceria se só fizesse isso. Mas acho que conciliar faz parte do bem-estar. Vou trabalhar melhor se não me sentir culpada por passar o dia todo longe dele, vou cuidar melhor se tiver mais tempo pra ele, vou ser mais feliz se conseguir o que quero, eu acho. É importante ter mais tempo pra cuidar das coisas da casa, das pessoas da minha vida. Trabalhar dignifica esse tempo, que será muito mais valorizado. Dinheiro? Vai ficar em segundo plano. Eu sei que não tenho como competir com mulheres que fazem da carreira profissional a vida delas. Só sei que tenho pena… Minha vida tem mais vida e não é uma crise internacional que vai abalar as estruturas de amor que um lar oferece. Nesse dia das Mães eu só queria mesmo propôr uma reflexão pras mães de filhos únicos: ter outro filho pode atrapalhar sua carreira, mas não tê-lo pode atrapalhar o desenvolvimento de seu filho. Geralmente os pais morrem antes de seus filhos, e um filho único fica sem família quando isso acontece. Feliz Dia das mães, pra todas as corajosas e medrosas desse mundo. Feliz Dia das mães, mãe! Te Amoo! Obrigada pelo Pequia (hoje mais conhecido como tio Otto) Amo vocês!
Música pra googlar e dançar – minha mãe que me ensinou a gostar desse cara: You’ve lost that lovin’ feeling – Johnny Rivers
P.S do dia seguinte: Quando fiquei pensando nesse texto depois de postado, foi inevitável pensar que faltou citar o Idiocracy. A mulherada muito inteligente demais pra deixar a carreira de lado e criar filho está deixando o mundo mais burro…
Nossa! Eu que fiz?
Março 18, 2009 at 11:46 am | In É com a Lia | 1 CommentTags: Amor, presunção, propriedade, tempo
Pois é… Sabe? De tempos em tempos eu gosto de me ler e me surpreendo comigo. Tem coisas ridículas que escrevi que me deixam cheia de vergonha, outras me deixam quase orgulhosa… Tipo esse:
Ainda penso como nesse texto, ainda acredito que o amor da minha vida sou eu. Enfim… E com tudo isso posso dizer que hoje sei amar melhor. Posso não saber o que esperar sempre, mas me decepciono cada vez menos, minhas expectativas são mais realistas no quesito relacionamento. E sou mais feliz no amor do que jamais fui… Obrigada, Lia! Você é o maxxxx!
Música pro liafafa: Are you gonna be my girl? – Jet
Imagine quando tiver 40
Fevereiro 12, 2009 at 10:29 am | In Brisas | 3 CommentsTags: propriedade
Se com 27 eu pareço uma velha rabugenta, disparando reclamações infinitas sobre a estupidez da sociedade e de tudo mais, imagina quando eu tiver 40… Tenho quase certeza que só os gatos surdos me farão companhia, e daqueles gatos quadrúpedes, pode crer.
Se com 27 eu já desconfio de pessoas boazinhas, daquelas que todos adoram e são do tipo inofensivas, se afirmo que são perigosas e faço questão de me afastar dos bens intencionados, imagina quando eu tiver 40… Provavelmente serei a vizinha que apavora as criancinhas quando aparece na janela só quando a luz do crepúsculo torna a cena mais medonha ainda.
Se com 27 já tenho senso de responsabilidade e me sinto responsável (e por que não dizer culpada) pela existência da humanidade sobre a Terra, se sinto urgência em aprimorar comportamentos pelo bem de Lia e felicidade geral da minha corja, imagina quando eu tiver 40… Provavelmente já terei fundado alguma seita, pois a utopia de acreditar no bom senso do indivíduo estará extinta.
Se com 27 fraquejo diante da ignorância, se evito o conflito para evitar o desgaste e cismo em acreditar que todo são capazes quando qualquer um prova que é possível, com 40 estarei farta das desculpas esfarrapadas e serei a maior intolerante com a autopiedade que jamais existiu.
Se com 27 anos eu consigo fingir essa autocrítica toda e fazer parecer que sou consciente e preocupada com o futuro, aos 40 serei presidente… Não vou apostar com toda minha costumeira convicção por que sempre perco as apostas…
Música pra viajar ontem e amanhã: The house of the rising sun – The Animals
De volta pro que não é meu…
Fevereiro 2, 2009 at 1:56 pm | In Brisas | 2 CommentsTags: propriedade
Ou seja, esta é minha nova casa virtual. Sejam bem-vindos, ou não… Expressar é só uma necessidade ou é meu tratamento? Não sei, só sei que cansei de ter problemas com o pontocom e, pra fazer o que mais gosto na vida, ou seja, evitar a fadiga, resolvi mudar de ares. Como quando você mora numa cidade grande e tem tudo, tem variedade e acesso ao que interessa, mas não tem paz de espírito, então se muda pr’um cafundó onde nem sinal de celular chega e acredita que vive melhor. É o que fiz virtualmente…
O capitalismo pode funcionar
Dezembro 11, 2008 at 8:57 am | In Brisas | 6 CommentsTags: brasil, propriedade
É uma coisa que penso sempre, o maldito capitalismo. Um monstro que incorpora toda a ganância e infâmia possíveis, acúmulo como atividade e lucro como objetivo. Coisas feias, muito feias. Por exemplo: penso que a Coca Cola poderia investir maciçamente na preservação dos ursos polares que a ajudou a vender tanto refrigerante e gerar tanta celulite. Aposto que os ursos nunca foram consultados e, tomara Deuses, nunca sequer tomaram o refrigerante. Mas as garrafas pet de Coca também fazem parte da poluição que mata não só os ursos, mas o planeta. Ok, já existe a reciclagem… Eu até separo meu lixo, mas como a coleta não é seletiva no meu bairro e eu não posso levar sempre todo o lixo para locais apropriados, o esforço é inútil.
Grandes corporações lucram muito. Empregam muito, mas a riqueza não é realmente dividida entre quem a produz e estes são muitos, a maioria. Demissão em qualquer montadora de automóveis tem um impacto enorme na vida de uma comunidade, é muita gente que depende dessas corporações. Não só como empregado, mas como consumidor também. É inegável que consumimos e gostamos disso. Não somos capazes de produzir quase nada que realmente seja útil para o escambo como maneira de negociação, então é mais fácil trabalhar por dinheiro. E dinheiro é ótimo. Gostamos de ganhar dinheiro. Dinheiro garante a tranquilidade em relação à sobrevivência física e o conforto material. Não garante saúde, mas quem já teve oportunidade de viver a situação de precisar ser atendido num hospital público alguma vez na vida e depois pôde pagar em dinheiro por um atendimento particular sabe do que estou falando – plano de saúde não é dinheiro, é apenas uma situação intermediária. O médico, o hospital, você – todo mundo – quer receber em dinheiro. E quer ganhar o que considera justo. Já falei o que penso sobre a situação vexante do salário mínimo, mas infelizmente a desigualdade não diminiu de verdade, e há até quem defenda o direito do excluído social impor sua condição através da violência… Não defendo, mas compreendo. Não sei o que faria se meu filho precisasse, por exemplo.
Acredito que na etapa atual do desenvolvimento humano é impossível retroceder o capitalismo, mas é possível torná-lo menos tendencioso. O capitalismo fez questão de privar os mais pobres de educação, mas não os privou do consumo, do desejo. E hoje muito mais pessoas são capazes de ter opinião quando têm informação. O papel da informação e da comunicação é fundamental. A opinião pública mobilizada e engajada poderia fazer valer o acesso à cidadania, entre eles o direito de participação real nas decisões políticas. O povo nunca sabe de nada, a não ser o que é escândalo. Isso é errado! Um exemplo? Hoje a pauta do plenário em Sampa são vetos à criação de escolas municipais profissionalizantes, a criação de salas especiais para a terceira idade nas repartições do município, a criação da Ouvidoria Ambiental… Vetos, isso aí. A imprensa não divulga isso. A TV Senado é um porrrrre! Eles poderiam me chamar pra produzir aquela merda, pelo menos daria um bom humorístico… Ou não. Mas é esse tipo de informação que diz respeito a toda sociedade, não quem é o bandido que sequestrou a namorada ou quem foi pego beijando uma celebridade.
É que conheço vários pseudos: comunistas, socialistas, veganos, xiitas. E acredito que dinheiro no bolso deixa as pessoas felizes. Saber que seu trabalho vale uma vida digna deixa a sociedade mais segura. Meter o pau nas grandes corporações é fácil. Difícil é convencer os funcionários dessas corporações, que são obrigados a engolir que são um time quando o objetivo é gerar riquezas, que deveriam fazer greve geral e tomar (não quebrar!) a empresa até que o lucro seja redistribuído de maneira mais igual. Isso nem é subversão… Pra mim, é óbvio. Seria um seqüestro pelo bem de todos e felicidade geral da nação – se bem que uma empresa so é pessoa jurídica. Existe seqüestro de pessoa jurídica? E, não é legal comprar presente de Natal para as pessoas que você ama? (ok, Natal é só uma data comercial e coisa e tals, mas o fato é que acabo não comprando nada pra maioria o ano inteiro, por falta de tempo, dinheiro, inspiração… Natal é uma ótima desculpa). Imagina não poder comprar nenhum presente? (ok, de novo, é possível se fazer um presente se você for super criativo, mas é preciso dinheiro pro material, duh).
Música pro que há: Your time has come – Audioslave Mas… Mim quer tocar, do Ultraje também serve, eu amo o Ultraje, aiai…)
Soninha 2012!
Novembro 4, 2008 at 2:23 pm | In Brisas | 7 CommentsTags: brasil, propriedade, protesto
Olha, que legal, ontem eu e o Euclides, um camarada da facu, fomos entrevistar a Soninha pra um trabalho cujo tema são a relevância da maioria dos projetos de lei apresentados pelos vereadores. Quando o trabalho estiver puronto, eu coloco o link…
Mas valeu muito a pena ter pensado na Soninha pra fazer uma coisa autêntica, de qualidade. Ela não é hipócrita, fala a real mesmo, sem ensaio… Ela fala com tanta propriedade de São Paulo e dos fatos que impedem a cidade de ser melhor e mais justa que dá até medo. O fato de que a imprensa a procure só pra falar sobre o que pode render ibope, distorcendo idéias e não dando espaço pro que realmente é interessante mostrar na grande mídia foi abordado. Aliás, uma coisa muito interessante é o termo ampla divulgação na mídia. O que isso significa? Um exemplo cruel (créu): o caso Eloá. Aquilo foi um GRANDE exemplo de AMPLA divulgação na mídia. Vocês sabiam que, na lei, um Projeto de Lei que é submetido à votação pelos vereadores tem de, obrigatoriamente, ser amplamente divulgado pela mídia? Isso não acontece por que a mídia não procura os vereadores que disputam a apresentação de seus projetos de maneira trapaceira, valorizando mais a autoria do projeto do que sua relevância para a sociedade. A mídia não divulga amplamente os projetos, nem ao menos os cita, o povo não sabe de nada. Mas, enfim, quando o trabalho estiver pronto eu coloco um link aqui, só sei que a Soninha me conquistou e ao Euclides, a gente saiu de lá super feliz por tê-la conhecido de perto e ouvido de sua boca que vai concorrer de novo à prefeitura em 2012 (eu já comecei a fazer campanha, tá vendo?). Não parece que ela quer o poder só pelo poder, mas por saber que é com o poder que ela vai poder combater a maneira sem vergonha de se fazer política aqui em Sao Paulo, quem sabe no Brasil, um dia.. O site da Soninha, muuuuito informativo sobre suas ações, compromissos e ideologia, vale a pena ser acessado, vou linkar e acompanhar. É bom saber que nem todos os políticos são uns filhos da puta, pra variar…
Música pra hoje: Oh me – Nirvana
Queixadinha
Outubro 25, 2008 at 11:28 pm | In Brisas | 4 CommentsTags: presunção, propriedade, protesto
Ah, eu também resolvi dar uma queixadinha por que sou uma mulher latino-americana que também sabe se lamentar… Duas coisas que me irritam ultimamente: o jornalismo sensacionalista e as “dinâmicas” de grupo. O primeiro me deprime, a liberdade de imprensa está indo longe demais, deixou de ser liberdade para ser libertinagem. Informar a sociedade significa dar notícias que sejam relevantes para a maioria, que sejam realmente de interesse social, no meu ponto de vista que parece o de uma autista cega… O caso Isabela Nardoni e mais recentemente o caso Eloá são evidências claras de como desviar a atenção pública para a tragédia particular, fazendo-os nem prestar atenção em notícias sobre política e economia, você viu mais alguma notícia sobre a guerra das polícias em São Paulo? Claro que não… É muito mais fácil dominar e subjugar uma sociedade massificada e estúpida. O dinheiro que pagou os carros, bombas, armas e fardas que usaram no “protesto” saiu do nosso bolso, mas era mais importante saber do drama doméstico de uma menina que poderia ter saído viva se a imprensa não tivesse se metido… Quando eu pensava que o jornalismo que cobre a vida de celebridades instantâneas fosse o fundo do poço, ele consegue se superar e fazer pior. Numa boa, valeria censura de horário pra violência no telejornal, não sei se meu filho ficou traumatizado ao ver uma menina que tentou salvar uma amiga aparecer com um tiro na cara, ao vivo, numa tarde de primavera…
As malditas dinâmicas. Sou do tipo que puxa papo, uma mala. E quando participo de alguma entrevista de emprego, acabo ficando amiguinha dos concorrentes, afinal estamos todos ali no mesmo barco furado. Estamos ali para mentir, basicamente. Não entendo a utilidade de se contratar uma empresa de RH externa. Se o cara, o chefe, precisa de funcionários, ele sabe que tipo precisa. Ok, o próximo passo seria listar quais requisitos os candidatos devem preencher para concorrer à vaga. Uma secretária é capaz de separar os currículos que correspondem aos requisitos. No final, grande parte da entrevista vai por água abaixo, pois o chefe vai entrevistar os que mais se aproximaram das exigências que podem ser comprovadas (currículo) e vai escolher aquele que ele gostar mais. Isso mesmo: gostar. O sujeito pode ser o mais qualificado que existe, se o contratante não gostar da cara dele, já era. Por que, então, torturar o candidato com tantas etapas? E obrigá-lo a mentir, pois ninguém vai falar a real quando a pergunta é “Quais são seus defeitos?” e a resposta certa vale um salário de quatro dígitos… Quem teria coragem de admitir nessa situação que seu pior defeito é ser muuuuuito preguiçoso? Ou ser rabugento? Ninguém responderia “Quais são suas melhores qualidades?” algo do tipo “Sou gostosa e isso vai facilitar muito as coisas na sua empresa”? Ou quase ninguém, acho… Os defeitos e qualidades reais ficam implícitas ou ocultas, não interessam na sua vida profissional, não nesse mundo máquina, onde tudo é produto, desde tragédia familiar até mão de obra…
Toca Raul! Eu também vou reclamar – Raul Seixas
Propriedade
Setembro 16, 2008 at 1:21 pm | In Brisas | 6 CommentsTags: Lia´s, propriedade
É minha propriedade, falar sobre o que sei, o que vejo, o que penso. Mais egocêntrico, impossível. Mais justo também é impossível. Sabe, aquela piada infame: “Copiar algo de uma pessoa é plágio, de várias é tese”. Nunca me senti confortável com trabalhos em que tinha de analisar os pensamentos de pessoas de outras épocas, outros lugares. Pessoas não são tão iguais, o ambiente é fundamental para uma análise justa. E aí que a coisa pega, analisar uma obra fora de seu ambiente, de sua atmosfera geral, é leviano e digo mais: vulgar. Claro, o dom da criação é divino e nem todos acreditam possuí-lo, mas é mais interessante ter propriedade pra criticar se não há coragem pra criar.
Tampouco acho que esse pensamento seja novo, mas tenho propriedade pra falar do que vejo, do que aprendo nesse meu tempo, sobre as pessoas que acredito conhecer. Fico fula quando uma pessoa velha fala mal da juventude de hoje, pois acredito que suas análises não possuem propriedade, apenas a experiência da distante juventude que viveram, outro tempo. Acho que arte também não poderia ser criticada sem haver antes uma mente realmente aberta para o conceito de que expressão é tudo e tudo pode ser expresso, mesmo que o conceito não agrade e, algumas vezes, a intenção é essa.
O jornalismo… Putz, não consigo me livrar do idealismo egocêntrico, que me dá síndrome de Lara Croft e me faz querer revirar tumbas da podreira que sei que rola em tanto lugar, aqui perto, ali na esquina, “gente fina” – meu advogado jura… Não consigo parar de pensar em propriedade ao escrever, poderia fazer uma lista enorme e tão presunçosa quanto eu de tudo que acredito ter propriedade pra escrever a respeito. Ou não… A inconstância é mãe da minha imaginação e da insegurança em meus próprios talentos. Mas, tudo bem… Se eu não conseguir dominar o mundo com uma revolução hedonista, posso fazer uma tese sobre isso.
Música oferecida com demência: Come out and play – The Offspring
E uma linda imagem do meu fim de semana, meus dois amores mais lindos:
Escreve aí
Agosto 22, 2008 at 11:46 am | In Brisas | 2 CommentsTags: escrever, propriedade
Tanta gente que odeia escrever me fala: “Ai, eu queria tanto ter esse seu ‘talento’, mas eu não sei escrever”. E eu sei? Acredito que todo mundo sabe. Ei!!! Isso aqui, esse blog, é mais pra mim do que pra você, sabia? É um grande exercício de autoconhecimento e superação. Escrever alivia grandes probabilidades de desvios psicológicos na minha conduta quase imaculada. Duuuh! Fico em dúvida se consegui desvendar um grande mistério da humanidade: escrever. Se você pensa e sabe ler, então, você é capaz de escrever. Não requer um árduo treinamento ninja pra se colocar em palavras o que acontece na imaginação. Se as pessoas tentassem escrever o que sentem e guardassem esses textos, teriam material de sobra pra perceber a própria inconstância, burrice, fragilidade e comédia.
Seria bem legal ser lida não fosse pelos que não conseguem acompanhar o raciocínio selvagem das minhas palavras, não fosse o julgamento ao qual sou submetida pelos que nem imaginação têm, não fosse o mal-entendido que qualquer expressão pode desencadear. Seria incrível ganhar dinheiro pela minha grafomania, mas se eu fosse publicada acredito que receberia um prêmio pelo maior “Worst Seller” da história, perdão pela falta de modéstia, mas realmente não creio que alguém pagaria pra ler tanta bobagem. E quando me perguntam se não tenho interesse em publicar, digo que já está publicado na web. E eu acredito na web, gosto dessa liberdade que tenho aqui, gosto de saber que quem lê esse texto encontra o que eu realmente escrevi, sem edição, sem palpites e quase sem noção da própria força.
Escreve aí, cara! Coloca em palavras seus pensametos e leia. Não se surpreenda se começar a discordar de si mesmo assim que começar a se enxergar, ou ainda, se escrevendo você se atenha mais aos detalhes, coisas que passaram despercebidas, ou ainda, o quanto você não se conhece. “Conhece-te a ti mesmo”, socrático, básico, patético. Há quem resmungue que olhar pra dentro é pequeno, limitado. E, graças aos Deuses, há quem acredite que é fundamental se saber antes de fuçar a vida alheia. Somos nossas melhores referências, e somos as únicas que teremos de tolerar até o fim…
Música pra essa filosofia de boteco digna de “fried day”: Dostoievski – Wandi Doratiotto
O Amor… (2)
Junho 9, 2008 at 3:14 pm | In Brisas, Conselhos Inúteis | 3 CommentsTags: Amor, desejo, propriedade
Agora vou falar do amor romântico, por que amor próprio é básico, e não é tão interessante quanto o amor que inspira poemas, loucuras e lindas histórias com finais felizes. Esse amor também vale muito a pena e ajuda a manter a forma. É um amor que requer: disposição física*, boa vontade*, paciência*, paixão*. Não sei explicar em que ordem, mas vou explicar porque só precisa isso…
*Disposição física é fundamental pro amor. É muito horrível amar e/ou ser alguém que não se cuida, que vive cansado, caindo pelas tabelas, dormindo em qualquer tempo livre, que só dá rapidinhas… Uma pessoa que tem disposição física pra amar é, com certeza, um amante melhor. Se sua vida não lhe permite ter disposição, mude de vida… Como? Só sei sobre a minha, que sempre mudei quando quis… Inclusive estas palavras são baseadas apenas no meu profundo conhecimento sobre a minha própria vida. Mudar de vida é só querer, é mandar umas pessoas pra uns lugares, ir você mesmo pra outros.´Putz, pra mim sempre foi muito fácil fazer isso, mas nem sempre saí ilesa…
*Boa vontade é excelente quando nos deparamos com a limitação alheia. É legal ter sempre em mente que amar alguém não faz do alvo de seus sentimentos um ser perfeito, assim como você também não o é. Ter boa vontade com as imperfeições, não ser deselegante quando estiver de saco cheio, não descontar problemas de outros departamentos sentimentais nesse seu romance, não ser sempre um folgado(a), e quando algo lhe for pedido, ouça com carinho. Poxa, ter boa vontade é muito fácil. Na minha humilde opinião, boa vontade só pode ser superada (mas por que não, complementada?) pelo bom humor…
*Paciência é o complemento, ou a chave para a boa vontade, mas é diferente num aspecto. Ter boa vontade é ativo, paciência é passiva. Ser paciente é quase dominar o poder de ter tranqüilidade para aceitar o que não pode ser mudado. E, não vale a pena querer mudar outra pessoa. Claro, quando se trata de uma pessoa muito down, do tipo que inspira dó por se autodestruir, às vezes sentimos um instinto de proteção, e acabamos nos envolvendo pra ajudar. Já vi acontecer algumas vezes da pessoa mudar, melhorar e perder totalmente a graça… Ter paciência no amor é não querer mudar o outro. É também aceitar que não se pode estar certo sobre tudo, ninguém é dono da verdade. Paciência é ser flexível, é ceder algumas vezes, é argumentar sobre sua opinião sem tentar enfiá-la goela abaixo do seu interlocutor.
*Paixão é tudo no amor romântico. Numa boa, romance sem vermelho é que nem sede, fome e dor, tudo ao mesmo tempo. Nada mata mais o amor que olhar o ser amado e sentir que não tem vontade de beijá-lo a todo momento, abraçá-lo antes de dormir, não estar com mais ninguém no universo além dele. Quando a paixão vai embora, nem faz mais sentido amar… Amar com paixão é uma delícia, ser correspondido num amor assim, na mesma intensidade, faz a vida ter sentido, o mundo ser belo, o céu mais azul e as flores sorrirem. Ser amado com paixão é o que todo mundo quer, eu acho. Se é dando que se recebe…
Tomara que eu leia tudo isso daqui uns tempos e ache que não estava tão errada. Vai significar que deu certo essa teoria! E aí, vou escrever um complemento chamado: O amor (3) – Como não enlouquecer com a felicidade…
Trilha de hoje? Hum… My Girl – The Tempatations
O Amor…
Junho 7, 2008 at 8:47 am | In Brisas | Leave a CommentTags: Amor, Lia´s, propriedade
Dia dos namorados chegando, deu vontade de escrever sobre esse tema tão universal. O amor, o maior de todos, tem de ser o amor próprio. Parece clichê, mas quem não se ama não é capaz de amar outra pessoa, apenas atribui ao outro a função de fazer-lhe feliz. Não ame alguém que já não é feliz por si só. Essa pessoa não será capaz de te amar também. E amor é sublime. Já amei muito, dei muito do meu amor próprio, e me decepcionei tanto… Nem sei quantas vezes senti o nó na garganta causado pela desilusão. Talvez seja um carma, terminar relações fadadas ao fracasso, por que só uma parte sabia se amar… Mas tudo valeu a pena, pelo menos pela experiência.
Se você ama alguém que não se ama, sinto muito. Se você não se ama, sinto mais ainda… Quem não é feliz consigo mesmo, não é feliz com mais ninguém. E os começos sempre são felizes, as pessoas mostram o melhor de si, muitas vezes esquecem que o melhor de si é fingimento, é apenas vontade de ser tão bom, é apenas a empolgação. Quem não se mostra de verdade, não ama o próprio estilo e sempre acaba decepcionando o outro quando a máscara cai. As máscaras sempre caem, é uma simples questão de tempo. Tem até uma piadinha bem realista: “Quer conhecer quem é realmente seu namorado? Case-se com ele. Quer saber quem é realmente seu marido? Divorcie-se.” Eu já vi isso acontecer duas vezes, e foi bem podre.
É admirável, mas muito raro, encontrar pessoas que sabem amar. Essas sabem o que querem, vão atrás sem medo, esperam quando é preciso, mas não se desviam e nem perdem tempo com quem não é seu amor. Encontrar uma pessoa dessas pode ser prejudicial à saúde de quem não se ama, pois ficam fascinadas e encantadas com a personalidade linda que essas pessoas têm, acabam por apaixonar-se e, sem ter amor próprio, camuflam essa deficiência, conseguem atenção e até aproximação, mas depois são descartados quando a verdade aparece.
É muito lindo amar e ser amado, mas não é nada bonito esperar outra pessoa pra te fazer feliz. Ser feliz não é o destino, mas a jornada…
Trilha sonora de hoje: Holding on to you – Terence Trent D’arby
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