Lia Drumond

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O primeiro parto

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A Chu foi uma gata muito especial, apesar de hoje desfrutar do céu de Bast, será sempre lembrada e reverenciada como uma das melhores amigas que eu tive. Logo que me separei e voltei pra casa da mamãe, levei comigo um gato muito especial: Capitão. Um elegante albino, cuja história eu conto em outra oportunidade. Um dia o Capitão morreu. E eu, inconsolável, passei num Pet Shop e vi um filhote albino pra adoção. Não pensei duas vezes. Levei pra casa. Eu já tinha o Faísca nessa época, e ele era um filhotão também. Achei que com o novo filhote ele não sentiria muito a falta do Capitão. Que nada! O filhote era a gata mais briguenta que eu já tive. Ela não pesava nem meio quilo, mas fazia um barulho igual ao de uma fera. Batia muito no Faísca nas primeiras semanas. Depois se apaixonaram e viveram felizes, um belo casal.

Quando ficou adulta, ela era a gata mais linda do mundo. Recebeu o nome de Chu graças ao rabo de trovão que ela tinha igual ao do Pikachu. Ela parecia adorar seu nome. Toda branquinha, olhos azuis, pêlos compridos, miúda e muito ágil. Eu a vi colocar um cachorro Huski pra correr, e a vi muitas vezes bater em muitos cachorros da vizinhança. Ela era o terror dos cães que ficavam presos, ela sentia um prazer sádico em passear nos muros dessas casas só para ver os coitados se esgoelarem de tanto latir. Era uma bichinha muito arisca. Não gostava de colo, não deixava que estranhos a acariciassem. Caçava ratos, passarinhos e até um morcego ela trouxe pra minha cama, de presente. Eu nunca brigava com ela, não reprimia seu extinto caçador. Achava até muito bacana ela preservar seu espírito selvagem. Ela se achava a própria tigresa albina. E se achava a dona da casa. Até hoje, na casa da minha mãe, é possível ver as marcas de suas unhas na porta de um guarda-roupa. Ela subia lá para ter sossego, para ficar acima das chatices cotidianas que a vida com humanos causa.

E então ela ficou prenhe da primeira cria. O pai era o Faísca, eu acho. Na verdade eu nunca terei certeza. De todas as crias que ela deu, não nasceu nenhum filhote com cor. Todos eram albinos, como ela. E fora, ao todo, 19 filhotes. Eu vi todos nascerem. É incrível como os animais sentem o quanto gostamos deles. Ela era super antisocial, não era o tipo carente, era muito independente, mas quando percebeu que seria mãe, voltou a se aproximar de mim. E, no dia que ela daria a luz, eu já sabia. Não sei explicar essa percepção que tenho, mas sei quando as gatas vão parir. Eu sabia. Ela passou a noite toda na minha cama, eu sabia que a hora estava chegando. Quando a bolsa estourou, ela enlouqueceu e queria porque queria subir no guarda-roupa. Não teve Cristo que me fizesse impedi-la. Não teve jeito. Ela subiu e não sairia dali até que os filhotes nascessem.
Eu fiz o que podia: Subi numa parte do guarda-roupa e tentei ajudá-la da melhor maneira possível. E então nasceram os quatro fabulosos primeiros filhotes de Chu. Não foi nada difícil arrumar donos para eles. Não sei por que as pessoas preferem gatos brancos, mas todos já estavam prometidos. E fizeram muitos lares felizes, como a Chu fazia o meu.

Written by Lia Drumond

maio 19, 2006 às 10:21

Publicado em Bichanos

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