Lia Drumond

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Medo de escuro – Parte 1

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Medo de escuro – Parte 1

Foi agarrado pelo pescoço enquanto corria fugindo da chuva. Enfiaram um capuz em sua cabeça e o arrastaram para outro lugar. Ficou apavorado, toda a racionalidade lhe fugiu da consciência quando não pôde enxergar para onde estava sendo levado. Poderia ser um sequestro, já que está na moda da bandidagem. Poderiam tê-lo confundido com outra pessoa jurada de morte. Poderia ser a mafia, o marido de sua amante, um bandido contratado pela sua esposa que descobriu toda a traição e preferia a viuvez a dividir os bens, poderia ser uma abdução alienígena.

Apesar da chuva, seu corpo queimava num calor cheio de calafrios. Era tensão, medo. A respiração era difícil dentro do capuz, parecia sufocar, mas não sufocava por que o ar entrava por baixo. Nem pensava em tirar o capuz. Seguravm seus braços, não estava algemado ou amarrado, mas não se atreveria a tirar o capuz. Queria que fosse um pesadelo, que despertasse com um travesseiro em cima da cara e tudo não passasse de um sonho ruim. Deveria falar ou esperar que lhe perguntassem alguma coisa? Para onde o estavam levando?

Escorregou, mas não caiu. Os homens que o levavam pelos braços evitaram a queda. Por baixo do capuz, conseguia vez um pouco do ambiente por onde passavam. Parecia que estava andando sobre terra molhada. Seria o morro? Talvez um pântano ou um local onde exterminam e *desovam* pessoas. Sentiu vontade de mijar. Era incontrolável e ele acabou fazendo nas calças. Era o medo. Não teve nem coragem para pedir que o levassem para um banheiro. Sentia-se apavorado e humilhado. Não mijava nas próprias calças desde que tinha onze anos e andou numa montanha-russa pela primeira vez. Começou a chorar, mas baixinho. Tinha medo de irritar seus raptores. Não diziam nada. Ele não dizia nada? Naquele lugar de terra úmida, tinham o feito sentar no que parecia ser uma cadeira. Era dia ainda.

– Vamos esperar?
– É, temos que esperar ligarem.

Foi tudo o que escutou os dois conversarem durante todo o tempo. De quem seria a ligação que estavam esperando? Até que horas ele ficaria encapuzado, mijado e sentado ali? Sentiu que tentavam lhe tirar as calças. Era só o que faltava: um estupro. Tentou resistir, mas não tinha coragem. Eram dois contra um. A violência poderia ser bem maior se ele resistisse. Ficou sem calças e esperava que lhe arrancassem a cueca e lhe fodessem como aqueles pederastas dos filmes sobre presidiários.

– Fica calmo, florzinha. A gente não quer que todo mundo fique sabendo que você se mijou todo de medo.

Vestiram-lhe uma calça seca. Quem seria todo mundo?

Written by Lia Drumond

outubro 19, 2006 às 19:59

Publicado em Contos

3 Respostas

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  1. Aê, Lia! Curto pacaramba teus escritos!
    Já disse que sou teu fã? =)

    Macabro esse conto… Mal posso esperar pela parte 2!

    Bjo! =*

    Jefferson de Souza

    outubro 20, 2006 at 14:17

  2. Mesmo se for uma festa de aniversário surpresa o sitio da vovó, eu juro que arrebentava até a vovó!

    Selph

    outubro 25, 2006 at 3:08

  3. Cara Lia,

    Thanks pelas visitas e comentários, quanto ao texto aqueles que sofrem por engano sofrem em dobro, não o que vem para a segunda parte, mas a situação inspira cuidados….

    Bjs

    + Kazzx +

    outubro 26, 2006 at 11:35


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