Lia Drumond

É só um blog…

Questão de criação

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Dizem que a lendária Fênix renasce das próprias cinzas, isso é bem dramático… Eu fui criada para ser bem forte, descendo de uma linhagem de mulheres fortes e independentes. Até que ponto isso foi bom pra mim, só eu sei e agradeço horrores, afinal eu não me trocaria por outra por nada nesse mundo. Ser assim é uma delícia, desse jeito como eu sou… Mas será que foi bom pro meu irmão? Até que ponto ser uma mulher mais macho que muito homem pode transformar os filhos homens em cagões? Eles crescem acostumados que serão protegidos pelas mulheres, amparados, superestimados, superexigidos… Como será que aprendem a lidar com a frustração de não serem tão versáteis quanto suas mães, mulheres e filhas?  Acho que alguns nunca aprendem, e chegam até a agredí-las em tentativas covardes de autoafirmação. Alguns lutam a vida toda para escapar da opinião materna, aliás, as mães quase sempre nem fazem idéia de quanto suas opiniões pesam e podem atrapalhar a vida dos filhos. É um ditado (olha eu dando uma de mi madrezita) que é bem aplicável: o fruto nunca cai muito longe de sua árvore. Os filhos vão refletir a criação que tiveram, vão copiar os exemplos até que comecem a questioná-los, se tiverem aprendido que isso é bom. Até que ponto uma mãe forte pode sufocar seu filho? Eu me preocupo muito com isso, por que quero muito criar um filho forte, mais do que eu até. Fico sempre me policiando para não tratá-lo como um bebê mais novo do que ele é, para não subestimá-lo ou desencorajá-lo a viver suas aventuras. É difícil, já dá saudade de quando ele era menor, quando cabia nos meus braços inteirinho… Sei que um dia nem meu colo inteiro será capaz de comportar sua presença, sei também que meu coração todo vai sempre morrer de medo da sua ausência. Ser mãe é viver no limite das emoções, é viver sem limites.  Quando bate a incerteza, a dúvida sobre o futuro, sempre penso: A vida é curta, mas eu não tenho pressa…

Written by Lia Drumond

março 15, 2008 às 12:22

Publicado em Maternidade

2 Respostas

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  1. Querida Lia:

    Meu filho foi criado muito solto e se deu bem. A única restrição foi de boas maneiras conosco e outros adultos. Ele é frágil; todos filhos únicos o são.
    Gostei da chavezinha de ouro do post. Pressa pra quê?

    tina oiticica harris

    março 17, 2008 at 6:33

  2. Lia, bonito o carinho que demonstra para com o seu filho.

    Na sua crônica você fala em “vida para viver”, não é? Às vezes fico pensando coisas curiosas. Por exemplo: tantos sábios, cientistas, pesquisadores morrem cedo quando tinham ainda muita coisa a descobrir e realizar. Por que não é diferente? Quem não estivesse mais interessado na vida poderia vender um pouco de seu tempo de vida para os que saberiam melhor aproveitá-la. Não seria uma boa? Ou porque não é facultada às pessoas escolherem o dia e hora em que partirão para sempre dessa Terra? Já imaginou que legal: “Fulano comunica aos parentes e amigos que desaparecerá dia tal às tantas horas. Gostaríamos de sua presença. Local etc…
    Beijos, Lia.

    Adelino

    março 21, 2008 at 15:58


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