Lia Drumond

É só um blog…

Vale quando se perde

with 9 comments

É assim que funciona, na maioria das vezes. Não sabemos dar valor ao que temos, só quando não se pode mais ser é que importa, que faz falta. É comum ver homens que mandam chocolate, flores e jóias quando levam um pé na bunda, sei até de casos suicidas, a morte como homenagem ao fim mais trágico que a falta de amor pode causar. O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar. Mas o valor ao que se perde não se aplica só ao envolvimento emocional, é comum. Aquela velha estória de que só quem já passou fome aprendeu a não desperdiçar comida. Eu nunca passei fome, não me excluo dos que só valorizam quando perdem.

Já perdi muitas coisas, muitas vezes. Cada perda me trouxe novos ganhos, de outras maneiras. Hoje eu valorizo a liberdade que não tenho mais, pois hoje sou modelo de comportamento pro meu filho, não posso ser inconseqüente, viajar semanas, ficar bêbada, morrer. É incrível como ser responsável por uma nova vida nos faz dar muito mais valor para coisas que antes eram triviais. Ainda não precisei perder a infância do meu filho pra sentir o quanto faz falta, mas deixá-lo na escolinha sempre me faz sentir uma invejinha daquelas mães que não fazem nada além de criar seus rebentos. Hoje eu valorizo o tempo, pois sei que desperdicei bastante construindo essa personalidade fugaz, não me faz falta o tempo que foi, mas queria esticar ao máximo o que tenho agora. Queria mais tempo pra poder perder tempo…

Valorizar o que perdi tentando enxergar o que ganhei. Leva algum tempo… Sei que ganhei experiência, e com ela talvez um pouco mais de maturidade mas… não me basta. E ninguém me perdeu pois, até aprender a valorizar o tempo da liberdade, eu era só minha… Hoje eu sou só dele e vivo meu tempo para que sua liberdade seja a mais linda do mundo. Um dia vou perdê-lo pra vida, pro mundo. Quando o tempo da liberdade dele atingir o auge, vou sentir falta da sua dependência e ganhar netos. Tomara! A cada dia eu tento valorizar mais o que tenho, pois quanto mais o tempo passa mais percebo que tudo acaba, tudo muda, nada dura pra sempre. E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…

Música pra uma segunda reflexiva e introspectiva: Thirty-Three – The Smashing Pumpkins

Written by Lia Drumond

setembro 8, 2008 às 9:37

Publicado em Brisas

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9 Respostas

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  1. Que lindo Lia! Como sempre, simples, verdadeiro, real, tocante. Lindo! Eu tb não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais… POrque tive que me perder, pra me encontrar. Perdi muitas coisas tb e sempre prefiro acreditar que nunca é tarde e, se for, antes tarde do que nunca. Mas o tempo… Ah o tempo. Esse é cruel. Não volta mesmo, de jeito nenhum… Minha filha acabou de nascer, lembro como se fosse ontem, e lá se foram 7 anos. Ela chegou sem que eu, conscientemente, quisesse e hoje eu, com 33 anos, não sei como vivi 27 anos sem ela ao meu lado. O tempo não volta, é verdade. Mas ensina que uma coisa é eterna, a lembrança. Tão eterna que dói! Beijo grande!!!!!

    Andrea Mentor

    setembro 8, 2008 at 11:38

  2. Mais uma vez, muito bom!!!
    Adorei as passagens:

    “…O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar.”

    “… Eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde
    demais…”

    Muito verdadeiro!!!

    Ah, se vale… indico o filme “Linha de Passe”.. Nada haver, mas assisti ontem e tô com ele na cabeça.

    Até…

    Gustavo

    setembro 8, 2008 at 12:38

  3. Desculpe a invasão, mas não posso deixar de dizer que tudo aqui é lindo, e em especial esse post, me identifiquei completamente. Adorei de verdade.
    O texto é seu? É lindo mesmo.
    Aguardo a sua visita.
    Bjos

    Bárbara

    setembro 8, 2008 at 13:28

  4. Incrivel.. Por esses dias estava a pensar justamente nesse ponto. Sobre valorizar certas coisas o quanto elas merecem. Acho as vezes que a vida é curta demais, para se aprender a ver o quanto certas coisas valem.Ah, eu não sei… Só sei que sinto medo de notar o valor disso ou daquilo quando não puder mais tocar ou sentir.. É tomar cuidado com tudo rs..

    Khronos

    setembro 9, 2008 at 16:55

  5. Pegou mas não agarrou o sentido da coisa, talvez por aparente impossibilidade, mas é possível possibilitar e o tempo perdido não dá pra ser resgatado e o que está aí este sim dá pra ser aproveitado tal do jeito que a gente quer porque é ilusão ficar só no emaranhado das impossibilidades. Esta aparente impossibilidade é que produz aquela “invejinha” que é sinal para agir reagir em favor do que de fato quer o querer.
    Cadinho RoCo

    Cadinho RoCo

    setembro 11, 2008 at 10:18

  6. Saber perder para poder ganhar…

    Verdade, mas é difícil pra caramba aprender a fazer isso… mesmo a experiência obtida em cada oportunidade, por vezes não satisfaz nossas expectativas e necessidades.

    Belo texto…

    PS: E sim! É futebol, e, no caso da Seleção Brasileira, um dos maiores patrimônios culturais desse país… por isso a indignação… fazer o que né!?

    abçs!

    Danilo Pádua

    setembro 11, 2008 at 15:04

  7. Lia, bela crônica. O maior presente que Deus pode dar a uma pessoa é dar-lhe o dom de saber que nas coisas mais simples da vida e da Natureza estão as mais importantes. Qual a diferença da beleza de um edifício maravilhoso de Dubai e de uma flor nascida no cerrado? O que lhe dá mais felicidade, alegria de viver? Eis a diferença.
    Abraços, ótima semana. Parabéns mais uma vez pela sua crônica.

    Adelino

    setembro 14, 2008 at 10:27

  8. Esses dias fiquei com meus botões fazendo a mesma reflexão. ” E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…” isso é de se tatuar no corpo de tão perfeito q é!

    Rafael Vidal

    setembro 15, 2008 at 0:41

  9. Lia ,vou contar uma estórinha prá vc,senta aeh e me ature um pouquinho, é coisa rápida. o legal de tudo no q faço ,é quando quero algo ou amo alguém não existe o vencer ou perder , o q penso ou não penso é sómente no fazer.Para alguns isso é chamado de loucura , burrice , sem noção.Mas isso me faz viver ,se sou feliz ou não para os outros não me importa.Eu gosto de viver e fazer.Tudo neste planeta é uma escola ,para aprender não consigo ficar só em teorias ou em filosófias q não me cabem.Se estou com uma mulher desde os 15 é porque me dei bem e tenho tesão nela em todos os sentido.Se “tenho” q ficar “cuidando” de minhas filhas ou minha neta , não é porque é uma obrigação , é um plazer, é o amor e a vontade de aprender q me dá essa atitude.Se vou surfar sózinho no pacifico colombiano , no meio da selva q invade o mar, aonde não tem meios de comunicação , longe de tudo q gosto e amo é um risco q passo sem pensar ,sem sentir mêdo ou dificuldades,os obstáculos desaparecem quando são chamados na xinxa para enfrentar, quando o objetivo é alcançado é porque “fiz”, se deu certo ou não isso é um detalhe. Fazendo se aprende muito sem doer tanto, porque eu amo o “fazendo” , amo minha vida,não acredito em nada q vc não possa fazer por amor, de alguma forma tudo q se faz é valioso , o ganhar ou o perder sempre nos acrescentam algo. Fazer amando é a frase chave.Aprender é atitude prá vida toda.O perder faz bem, te caleja, o perder nos faz amar , a dar valor.O perder nos faz nunca cometer o mesmo erro.O perder nos faz ganhar.
    Teu blog é feito com amor,
    Aloha Lia.

    Elias ManSurf

    outubro 7, 2008 at 21:32


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