Lia Drumond

É só um blog…

Certeza da opção sexual?

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Eu já cheguei a questionar minha sexualidade. Sim, foi na adolescência e fiquei em dúvida se queria homens ou mulheres… Admirava muito as mulheres, fui criada só por mãe. Achava que o sexo forte era o meu, isso já me deixava meio confusa… Um homem pra quê? Cada experiência me dizia que os homens são eternos garotos, nunca amadurecem para, talvez, ocupar o lugar do  pai que eu não tive. E então percebi que não queria um homem, sentia falta de pai, talvez do contato com um homem mais velho. Mas a admiração pelas mulheres só aumentava, eu via que muitas eram muito felizes bem longe do ideal feminino de realização. Muitas ocupavam o lugar de homem e se saiam muito bem sem ajuda alguma do sexo oposto.

Mas sou uma tremenda narcisista. Não demorou pra perceber que a mulher que eu admirava (e realmente não era todo tipo de mulher) era parecida com o tipo de mulher que eu busco ser. Narcisista pra carai, ao ponto de achar mulheres diferentes fisicamente, menores e tals, feias… Ou seja, eu queria mesmo um homem que parecesse comigo em tudo. Então, não queria um homem, queria eu mesma. Terapias de autoconhecimento são bacanas pra narcisistas. Ajudam a enxergar que não somos tão incríveis quanto pensamos ser e deixamos de ficar tão apaixonados por nós mesmos quando constatamos isso. Aí já sabia que não queria mulheres, e também aprendi que não existem homens muito maduros e seguros…

Uma coisa que me deixa meio sem graça hoje em dia é o tanto de novidade do campo de opções sexuais. Você não precisa se definir e isso é até bacana, diversidade é divertido e tals. Sou só eu que me sinto uma múmia quanto o assunto são novidades na cama? Sei lá, sexo pra mim é uma coisa que acontece melhor entre duas pessoas, mas isso parece cada vez mais antigo no mundo de hoje. A moda é sexo grupal… E eu estou de fora, pois o único par de seios que não me incomodo de sentir encostando em mim durante um abraço é o da mamãe. E dois homens? Acho que não dou conta, não… Não sou tão Matusalém ao ponto de achar que sexo deve ser feito só com amor e blablablá, whiskas sachet, acho que é possível sentir prazer de muitas maneiras, com ou sem sentimento, hetero-bi-homo-pan-self, acho que tudo é possível. Mas acho que está rolando uma glamouri(banali)zação da putaria. O que poderia ser uma alternativa está se tornando regra e as pessoas estão cada vez menos satisfeitas.

Hoje em dia é “super natural” um cara transar com duas mulheres (ou duas mulheres com um cara, whatever). Não demora nada e vai ser “super natural” dois homens transarem com uma mulher. Logo a moda vai ser gang-bang de idosos na Praça da República. Tudo natural, minha gente. Pode ser mais rabugisse minha, mas essa evolução me parece fruto de muita insatisfação. Acho que se eu fosse uma mal comida, passaria a vida tentando sentir prazer de alguma forma, mesmo que essa forma fosse “alternativa”. Só tenho muita pena mesmo de quem se submete a todas as novidades sem sentir prazer algum, só pelo marketing do “eu já fiz…”

Música sugoii!!: Bad Guy – The Automatic

Written by Lia Drumond

junho 18, 2009 às 14:25

Publicado em Brisas

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8 Respostas

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  1. Uma vez , eu li, não sei onde (é claro, tô velha e desmemoriada)uma definição do homossexualismo que era meio assim:
    “Somos o que queremos.
    Queremos quem somos”.

    Eu nem ligo pras evoluções sexuais, só não vale sem proteção e se tiver alguma traição na jogada. O resto é só desejo: deixa a meninada se divertir…hehe
    beijão

    Elaine

    junho 18, 2009 at 17:03

  2. “Logo a moda vai ser gang-bang de idosos na Praça da República.” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Adorei!kkkkkkkkkkkk e concordo com tudo o que você disse. Eu acho que às vezes forçam um pouco a barra do “experimentar”. Se você é um hetero convicto acaba sendo visto como um ET (acho natural essa visão, afinal por quanto tempo a tal da “heteronormatividade” considerou o lado contrário como o estranho?) careta, enfim… Fui criado em meio feminino, entre o meu pai e nada o nada seria mais presente, e, apesar do monte de mulher surtada que me criou eu sequer cogitei outra vida pra mim que não a de um heterossexual (solitário, é verdade =P). Até porque, se eu inventasse de fazer outra coisa, elas me matariam. As mulheres que me criaram são terrivelmente machistas…hahaha, vá entender…

    Alisson da Hora

    junho 18, 2009 at 17:08

  3. Meio confuso opinar sobre isso, não que eu prefire arroz com feijão sempre, mas ainda prefiro o tradicional homem mulher, saca?

    Beijos!

    Fernanda

    junho 18, 2009 at 20:58

  4. Da mesma forma que forçam a barra do experimentar, também forçam a do sexo livre. Não gosto muito da idéia desse sexo descartável (porém hetero).
    Acho sim, que tudo vale à pena, até suruba, ou o que quer que seja a moda da vez. Se a alma não for pequena… e se houver responsabilidade.

    mulherpolvo

    junho 19, 2009 at 15:33

  5. Oi Lia.

    Agradeço muito pela visita, que bom que gostou do meu texto. Estava longe há bastante tempo. Publiquei o post ontem e dei uma olhada em alguns blos, o seu inclusive, mas como era tarde nem consegui parar para ler, desculpe. Mas fiz questão de voltar, sempre adoro tudo que escreve.

    Legal sua reflexão e desabafo, opinião. Também concordo que o sexo hoje está bem banalizado. Entendo que tem muita gente que tem sim uma postura mais liberal, que topa explorar mais a experiência sensitiva e sexual em si, mas sem deixar vulgar, são super segurar de si. Mas na maioria dos casos, vemos banalização mesmo, e isso engloba muito risco também. E isso é amplamente estimulado pelas pessoas, pela mídia, por tudo quanto é buraco e meio de comunicação. Infelizmente, enfim.

    Eu prefiro estar seguro até aonde me sinto feliz e confortável, e sempre com respeito (próprio e a minha companheira amada).

    Valeu, bj.

    http://devaneiosviscerais.wordpress.com/

    rogeriomarcal

    junho 19, 2009 at 18:17

  6. Ah, mas aqueles que realmente fazem ( e sentem prazer) não ficam por aí alardeando!

    Franz

    junho 20, 2009 at 2:00

  7. Não vejo vc como uma rabugenta, só acho que vc tem posicionamentos referente a coisas que pouco se discute embora muito se fale. Só me faça um favor, se algo começar a acontecer na Republica me avisa, acho que se ver algo como tu citou eu deprimo profundamente… rs

    Beijo

    Ps. Não tenho nada contra a opção alheia disso ou daquilo, só prefiro não presenciar rs

    Mågö Mër£îm

    junho 21, 2009 at 11:53

  8. vc não tem algo mais profundo para filosofar a respeito? que pobreza ,o povo ta curtindo uma liberdade que não tem muito de responsabilidade.É o que eu penso, te admiro muito, sua fã incondicional….bjos .

    nereide

    junho 22, 2009 at 23:42


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