Lia Drumond

É só um blog…

Pensar por si mesmo

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Ter opinião requer, no mínimo, informação sobre o o objeto analisado. Informação e conhecimento deram uma boa propaganda pro Estadão e uma boa cutucada em quem pensa que sabe alguma coisa. Eu gosto de informação, não é por acaso que escolhi esta profissão. Mas está um bafafá sobre a não obrigatoriedade do diploma universitário para jornalistas. Não sei se sou contra ou não, mas um ponto chave que me intriga é a prisão especial para pessoas que possuem diploma de curso superior, que está está prevista no art. 295, inciso VII, do Código de Processo Penal. Bem, é prisão especial até o julgamento, que demora horrores no Brasil, mas como fica o jornalista nessa situação? O que não tem faculdade e é processado – coisa corriqueira no meio – tem direito ao “benefício”?

Sei lá, isso me parece mais uma medida antidemocrática, mais um jeito de cercear a liberdade de imprensa. Se o jornalista não tiver curso superior e for em cana, é literalmente um coitado. Pensar por si mesmo é questionar? Eu questiono o curso superior em si, que forma idiotas, peças de reposição para o mercado de trabalho. Não há espaço nem estímulo para o aluno questionar a realidade (a sociedade, os valores, os conteúdos) no curso superior. Em jornalismo, onde o senso crítico deveria ser valorizado e desenvolvido, não existe sequer questionamento. Bom, não é por acaso que muitos dos que se formam comigo sonham em ser vjs da mtv ou repórteres de estádio de futebor… Fala sério se precisa fazer faculdade pra fazer isso aí.

Meu diploma vai dar um belo papel, que eu paguei muito caro por ele, mas posso afirmar sem medo que aprendi muito pouco no curso superior que escolhi. Passei os 4 anos horrorizada com o descaso ao conteúdo, com a negligência dos professores para com o futuro da sociedade da informação e com a alienação da maioria dos colegas (não todos, não me xinguem, idiotas…) Aprendi a escrever por gostar, aprendi a entrevistar na raça,  aprendi a ser jornalista na prática e SEI que tenho MUITO pra aprender, mas acredito que nenhum curso vai me ensinar o que preciso. O jeito é seguir questionando e observando em busca de, ao menos, pontos de vista diferentes, alternativos. Novas idéias…

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Música agora: Tomorrow – Silverchair

Written by Lia Drumond

junho 22, 2009 às 13:45

Publicado em Brisas

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6 Respostas

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  1. Se não me engano, a mordomia pra quem tem diploma até o julgamento já caiu também.
    Nem me incomoda tanto não precisar de diploma, que o mercado não vai contratar “assim na boa” tanta gente desavisada…
    O que me bota doida é a moda de jornalista fazer tudo. Escrever, fotografar, editar imagem, lavar, passar e cozinhar. Teremos uma geração de gente meia boca, de profissionais que fazem um pouco de cada coisa com a devida mediocridade.
    Antes o desafio era vc saber escrever sobre futiba, moda, guerra e moda gestante. Mas profissional de jornalismo multi mídia é a piada da vez…
    beijos

    Elaine

    junho 22, 2009 at 16:05

  2. Interessante esse lado que você levantou… O Brasil já não tem mais a Lei de Imprensa de 1967 (ponto pra sociedade), mas se não há essa regalia, bastante questionável aliás, pra quem possui diploma, um profissional sem diploma exerceria de bom grado sua liberdade de pensamento? Imagino que não…
    Pensando, pensando…

    Alisson da Hora

    junho 22, 2009 at 20:04

  3. nao importa o diploma…. sua capacidade de escrever e principalmente de pensar vem de muito antes desse certificado, vc é uma jornalista brilhante e sempre vai ser. Sua fã incondicional sempre…..

    nereide

    junho 22, 2009 at 23:35

  4. Acho que existe uma grande diferença entre as universidades públicas e particulares, já estudei nas duas e pude perceber a grande diferença. Na particular realmente existe esse descaso tanto dos professores quanto aos próprios acadêmicos (a maioria da minha sala era fútil e tinham objetivos parecidos com os seus colegas…). Mas quando passei pra pública as coisas mudaram, a maioria das pessoas realmente “pensam” e em todas as aulas existem debates e análises críticas sobre praticamente tudo, o principal problema da universidade pública é a estrutura, falta de equipamentos suficientes e outras coisas, mas mesmo com toda dificuldade considero um curso completo porque apesar de tudo nós conseguimos realmente aprender praticando também.
    Quanto a não obrigatoriedade do diploma, estou revoltada, pois escolhi exercer essa profissão e pra isso, eu estou me qualificando, ainda tenho mais 2 semestres pra concluir, e agora me deparo com essa desvalorização do diploma que estou ralando pra conseguir.

    Annie

    junho 23, 2009 at 11:02

  5. “Aprendi a escrever por gostar, aprendi a entrevistar na raça, aprendi a ser jornalista na prática” …
    É exatamente esse o ponto que defendo no meu texto. Concorda que com ou sem faculdade você aprenderia da mesma forma? Então, exigir diploma pra que? Vamos contratar gente interessante, que saiba se expressar, que possua conteudo. E que parem de acreditar que um simples papel define sua capacidade!

    Aaah, e que eu saiba, a prisão especial é só pra quem tem curso suerior, então, não…os jornalistas não formados não têm esse direito…rs.

    Carol Cortez

    junho 23, 2009 at 13:29

  6. É muito gratificante te ver crescer como jornalista… O amadurecimento das tuas idéias e conclusões.

    Tbem sou tua fã.

    Beijos flor!!

    Fernanda

    junho 23, 2009 at 22:03


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