Lia Drumond

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Speeda Lunática – Parte 2

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Passou duas semanas numa clínica psiquiátrica dessas bem chiques, pois sua família não conseguia acreditar na fantástica história de como ela tinha ido parar na Islândia. Devido ao seu comportamento impulsivo e aventureiro, a família toda achou que ela tinha fugido, ou simplesmente viajado, como fizera tantas vezes antes. Carro voador, árvore gigante na lava e alienígenas eram realmente menos prováveis que um surto de “preciso viajar para não morrer de tédio…”. Já agora nem ela acreditava que tinha vivido aquilo tudo, desconfiava de sua memória e mais ainda de sua sanidade. Todos a tratavam como um bebê incapaz: “- Você tá bem, queridinha?? Quer um suquinho?” Como se falar as últimas palavras no diminutivo ajudassem alguma coisa… Ajudavam a irritá-la. Qualquer motivação serviria, ela resolveu que não queria ser a louca de verdade da família, saiu para a vida, para o que era, então, realidade… Mesmo que movida apenas pela raiva da piedade alheia.

Simplesmente não queria voltar pra vida a pé, foi até a garagem e contemplou o vazio. Seu carro ficou na Islândia. Como? Isso ninguém sabia explicar, quando a família era questionada sobre o assunto, apenas repetiam: “Ah, mas daquela ali você pode esperar qualquer coisa…” Como se isso explicasse o fato de um carro levar apenas algumas horas para atravessar o oceano. Por que a Islândia, afinal? Decidiu que iria de taxi, iria para qualquer lugar, de qualquer jeito: cinema, parque de diversão, centro da cidade, barzinho de adolescentes… queria ver vida, estar rodeada de gente real. Dentro do taxi o mundo passava rápido pela janela e imagens se formavam em sua mente, lembrava que há muito tempo não sentia o conforto de ser passageira, de se deixar levar, confiar. Desde os 18 anos estava motorizada e adorava guiar pelas estradas, principalmente em dias ensolarados como aquele. Apesar disso, estava curtindo a idéia de não estar no comando naquela manhã, observava o que se passava ao lado do carro e não só na frente, esqueceu o trânsito e se deixou levar pelas pessoas que passavam do lado de fora, as paisagens que mudavam, os alienígenas flutuantes que estavam atrás do carro… Epa!

Olhou bem para a traseira do carro. Olhou bem mesmo. Abriu e fechou os olhos várias vezes. Sim, eles estavam ali. Chamou o motorista e pediu que olhasse no retrovisor, perguntou se ele estava vendo algo estranho atrás do carro. O motorista levou um susto tão grande que quase bateu o táxi, mas começaram a voar. De novo, ela não estava acreditando. Que absurdo ser perseguida por alienígenas telecinéticos em plena recuperação de uma crise de estresse… que eles causaram, diga-se de passagem! Mas desta vez não estava só. O motorista viu também, tremia feito uma velha e gaguejava um “mmmma  mmaaa..q q qqquueee… mma mama…” Dava dó ver o estado do pobre diabo. Ela já estava mais acostumada.

Ficou supresa consigo mesma por se considerar experiente em abduções alienígenas. Realmente, aquela situação só podia ser um fim do mundo. Não poderia fazer nada além de esperar. Onde será que o carro pousaria dessa vez, antes de rumar para algum lugar remoto da realidade? Ela até tentou não perder o controle, mas era realmente difícil e, afinal de contas, inútil. Resolveu gritar para pararem, pedia para levarem-na para sua casa, que a deixassem em paz… E o taxi subia pelos ares, ela não se atrevia a olhar pela janela, não queria nem saber qual era o perigo da altura, só queria saber se aquilo teria um final e se demoraria muito. Travada no banco traseiro, ela virou o pescoço para ver os alienígenas atrás do carro, mas nem sinal dos meliantes… Se ter feito uma parada na árvore gigante plantada em lava parecia surreal, pousar num girassol gigante em um campo de girassóis gigantes também não parecia muito melhor. Àquela altura o motorista já tinha tido um treco e estava babando no volante, talvez um infarte, talvez só pânico. Ela estava só, e sabia que nem o inútil motorista acreditaria nela, ele esqueceria de tudo apenas  por que sua vida seria muito mais simples sem aquela verdade… Uma árvore, um girassol… Será que as plantas gigantes tinham alguma relação?

Written by Lia Drumond

julho 7, 2009 às 17:39

Publicado em Contos

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Uma resposta

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  1. Aqui você tem texto prá ser bastante esticado, heim tia?
    Tem vários probleminhas técnicos, tipo você não curte pular linha ou usa vírgula demais.
    Outro vício seu é o gerundismo.
    Ou seja, na essência você manda legal, mas na hora de fazer a treta, sai um negócio todo encavalado!
    Você tem uma veia de Clarice Linspector bem forte.
    Tem talento, tem competência, mas sua afobação complica tudo.
    Já pensou em escrever conto erótico?

    Roberto Pereira

    setembro 23, 2009 at 9:45


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