Lia Drumond

É só um blog…

O clichê da novidade

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Pode meter o pau em novelas, é tipo clichê, mas funciona pra caramba, principalmente no cybermundinho. Até por que a juventude já trocou as tramas realmente fictícias pela pseudo-verdade dos reality shows. Ok, eu gosto de The Beauty and The Geek e assisti ao último episódio pra me decepcionar com o mauricinho que levou a melhor. Nerds são bem parecidos mundo afora, gostosas também. Nada é mais clichê do que tentar ser autêntico… Mas posso imaginar possibilidades absurdas interessantes para a teledramaturgia. Novelas com núcleos de gravação no exterior sempre ficam mais tempo gravando em lugares miseráveis, posso imaginar várias razões para isso, mas só quero escrever duas: 1- o custo de produção na Índia é bem mais barato que em Oslo, por exemplo. 2- se a população que assiste novela se encanta com as diferenças sócio-culturais indianas é por que a realidade lá consegue ser mais dura que a de cá, se a novela mostrasse uma sociedade mais justa e mais eficiente, a audiência poderia começar a pensar nas razões para a injustiça daqui.  Resumindo, novela de pobre pega por que o pobre sempre tem um quê de mártir, o excluído vira herói superando as trilhares de dificuldades.

O melhor da TV são os documentários, pena que eu sempre durmo depois dos primeiros 20 minutos – menos no Borat. Os documentários hoje em dia abusam da critividade e ficam bem parecidos, ou seja, chatos e complicados de acompanhar. Muito ou pouco apelo visual, muita ou pouca música, muita ou pouca atitude. Fico imaginando o que vão pensar meus netos quando acreditarem que O Segredo é um documento visual da minha geração. KSSETI! Mais duro é imaginar que eles vão me perguntar se eu “era fã da Mônica teen”. Os super heróis estão salvando o cinema com filmes que todos sabemos o final, mas mesmo assim pagamos no mínimo 50 conto (entrada+pipoca de ouro do cinema+refrigerante de ouro líquido do cinema) pra ver mais do mesmo, as crianças dos gibis resolveram crescer e negar a grande virtude do papel – aceitar tudo, inclusive a imortalidade, a inexorabilidade. Mas, não! Vamos transformar a fofa da Luluzinha numa Bratz sexy e comercialmente mais atraente. Afinal de contas, onde já se viu uma heroína redondinha, né? Pelo menos tiveram piedade com o Bolinha e não mudaram o nome dele pra Kauã, Caiaque, Ezno ou esses nomes estranhos da moda.

E os desenhos pra crianças??? Deuses, eu poderia ter me transformado numa cereal killer de tanto assistir ao Pica Pau e Tom & Jerry. Afinal de contas, nada era muito pedagógico, os personagens não repetiam as cenas para meu raciocínio pouco treinado acompanhar, a violência que só o papel permite sem sangue e fraturas me fazia rir terrivelmente a cada tiro de espingarda que transformava a cara de alguém em margarida. E eu adoro o Chaves, hoje não tanto quanto na infância, mas eu poderia ser processada por delinquência juvenil se chamasse minha tia-avó de “bruxa do 71” hoje em dia… Mundo estranho? Que nada! Mundo careta… O clichê da novidade faz pressão para a criação de mais merda do mesmo.

Música hojeeeee: Touch me – The Doors

Written by Lia Drumond

agosto 4, 2009 às 15:19

Publicado em Brisas

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7 Respostas

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  1. Tenho medo de coisas que se apresentam “autênticos”. Mas é uma faca de dois gumes. Ou algo é realmente “original” (palavrinha complicada) ou é apenas um emaranhado terrível de referências (nada contra as intertextualidades, mas tem gente que, definitivamente, não sabe usá-las).

    Alisson da Hora

    agosto 4, 2009 at 16:57

  2. Sem falar nas frases que viram modas…

    Odeio qunado alguem me olha e fala…Fer!! Que mara!!! Aliás de onde vem isso?

    Tbem adoro chaves, ainda adoro!!

    Beijos lindona!!

    Fernanda

    agosto 4, 2009 at 20:34

  3. Tb vejo The Beauty and The Geek kkkkkkk Essa novela é um tormento! Acredito que Chaves é algo atemporal!

    Rafael Vidal

    agosto 5, 2009 at 14:57

  4. A novela da Índia é, na verdade, gravada no Rio de Janeiro…

    carol cortez

    agosto 6, 2009 at 11:31

  5. Claro… Seria mais difícil reproduzir Oslo na cidade maravilhosa…

    Lia Drumond

    agosto 6, 2009 at 18:18

  6. poisé, neh? mas se vc pensar bem sobre a mudança, se não houvesse mudança, ainda estaríamos andando nús, caçando e catando comida. mas concordo, há, hoje em dia, mais mudanças prejudiciais que beneficiantes. isso já sabemos, e bem. MAS O QUE PODEMOS FAZER PARA MUDAR ISSO? (pois até isso tem de mudar). essa pergunta me assombra há tempo . . .

    euclides jardim

    agosto 10, 2009 at 10:49

  7. Oi Lia.
    Você se lembra do Joãozinho Trinta? Ele dizia, ao se referir aos desfiles de escolas de samba que idealizava, que quem gosta de miséria é rico, pobre gosta mesmo é de luxo. Eu acho que nas novelas é mais ou menos por aí, porque ninguém gosta de ver repetida na telinha a sua dura rotina. As pessoas gostam mesmo é de sonhar, não importa muito o custo. O que me irrita nessas novelas é a caricatura que criam de personagens estrangeiros, por absoluto e natural desconhecimento de como essas pessoas são de verdade no seu dia a dia. Um exemplo é o personagem do Osmar Prado (que eu sempre achei um bom ator) nessa novelica das oito (nove, sei lá…). Lembra daquele rock nacioneba antigo? “Se me aparece o Francisco Cuoco, adeus televisão!” Se não custasse tão caro…🙂 Mas mesmo nas muitas opções da TV a cabo, anda difícil achar o que assistir… uma salva de palmas para o DVD!!!!!!! Beijos.

    Flavio Rodrigues

    agosto 10, 2009 at 12:18


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