Lia Drumond

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Engolidora de semente

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Um dia ela se lembrou do que sua avó lhe dizia: “Não engole a semente que vai nascer uma árvore na sua barriga!” – Ela não acreditou, nunca acreditou. Colocou junto com as ameaças de que seus olhos entortariam caso ela insistisse em comer se olhando no espelho, de que o homem do saco a pegaria caso ela desobedecesse e saísse pra rua e coisas do tipo. Mas quando soube que brotava ela lembrou-se do que a avó disse na hora. Talvez fosse um pé de mixirica, laranja ou tédio, mas estava ali. dentro dela buscando luz para continuar crescendo. E a única luz dentro dela vinham de suas idéias, portanto a planta crescia em direção à sua cabeça.

Ninguém percebia de olhar, ela tinha uma planta crescendo dentro dela e por fora estava tudo certo ainda. Ela descobriu quando começou a encontrar folhas pela cama toda vez que acordava. Resolveu colocar uma filmadora para pegar o sacana que colocava as folhas lá enquanto ela dormia. Vomitou duas vezes quando assistiu ao vídeo… Depois que seu corpo adormeceu, um fio verde começou a sair de suas orelhas e pareceu se abrir, parecia um galho com folhas e tudo. E crescia e aumentava até que todo seu corpo estava embrulhado por uma folhagem que dele brotava, e ela não acordava. Quando o sol nascia e seu quarto se iluminava, tudo voltava pra dentro dela sem deixar vestígios… O vídeo era uma prova e tanto de que algo incrível estava acontecendo, mas não queria que ninguém soubesse que ela era, na verdade, uma aberração.

“É um pé de mim…” Algo mágico, talvez mórbido, talvez uma grande loucura. Ela assistia ao vídeo diariamente pra acreditar, chegou a fazer outras gravações pra ver (se) como evoluía e constatou que sim… A cada noite filmada a planta ficava um pouco maior, as folhas se amontoavam pelo quarto cada vez mais, já somavam duas sacolas vagabundas de supermercado cheias toda manhã. Ela sentia cada vez mais sede e menos fome, fazia sentido ser um simbionte assim, sem grandes incômodos, sentia-se – e era realmente impossível não sentir-se – conectada com aquele “pé de mim“.

Continua…

Written by Lia Drumond

agosto 18, 2009 às 21:43

Publicado em Contos

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