Lia Drumond

É só um blog…

Coisas que se passaram com o tio Oto.

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Ele nasceu, dia 22 de janeiro de 1983, quase 4 kilos, lindo, saudável, caçula. Com 3 meses de vida, uma injeção infectada (diz a lenda, tá?) o fez pegar uma inflamação, que resultou em pneumonia dupla e galopante que o fez ficar 3 meses internado, tomar extrema-unção e quase ter um atestado de óbito. Isso é só o começo. Pra finalizar o primeiro fato, ele entrou com 3 meses no hospital com 6 kilos e saiu, aos 6 meses, com 3 kilos…. a fonte de tal informação é nossa madre.

Quando ele ainda engatinhava, sua irmã, que já tinha mania de escrever, enfiou-lhe uma caneta na moleira quando tentou pegar dela. A mesma também lhe abriu o forno para ensinar-lhe a pegar bolo e ele, ao subir na porta e virar o eletroméstico, ganhou uma cicatriz no queixo com tantos pontos que parecia barba. Também passou por um incêndio onde moravam, no quinto andar, começado acidentalmente por sua irmã que brincava com fósforos enquanto todos dormiam numa linda manhã de final de semana (será? na minha memória, era sábado ou domingo) – saiu asfixiado e espumando de lá. Isso tudo antes dos 3 anos.

Uma vez ele tentou pescar, era sua primeira vez com a vara na mão  e pegou a própria orelha, também há testemunhas oculares do Reveillón (ou Natal?) em que ele cumprimentou o Bobby, o cachorro, latindo e explicou, super naturalmente, que estava falando a língua do animal. Teve também uma vez em que ele cabulou o colégio e se escondeu embaixo da cama, só que dormiu. Começou a roncar e mi madre ouviu, pegou no flagra o meliante. Jogando futevolley na praia, colocou a bola num montinho já preparado, só que embaixo tinha um grande pedregulho e lhe quebrou vários ossinhos do pé. Teve os mesmos dedos quase fatiados anos antes pela roda traseira da bicicleta Ceci que sua irmã pilotava sem saber fazer curvas e o levava de garupa.

Sua irmã dizia “esse menino é podre”, brigava com ele, testava. Foram parceiros de disputas, dividiam quase tudo, uniam-se contra a mãe quando o interesse era de ambos. Mas ele era notoriamente mais acidentado, enquanto a irmã nunca levou um ponto. Numa tarde em que chegou da escola empolgado dançando lambada, escorregou no tapete, bateu a cara numa quina e abriu o supercílio milímetros acima de onde já tinha aberto anos antes, depois de ser empurrado pela irmã na máquina de costura. Numa briga em que deu uma vassourada na irmã e esta revidou jogando uma escova de cabelo, ele levou meia dúzia de pontos na cabeça, a irmã ficou se achando por estar bem longe durante o lançamento. Na última briga com esta, ela tinha quatorze anos, ele levou uma mordida no ombro e a deixou de olho roxo e nariz sangrando, então ficaram mais amigos, a irmã virou pacifista.

Fazia o tipo sociável, uma criança fofa, muito fofa, que falava com todo mundo, andava na rua virando estrelinhas, subia em tudo, conhecia até os bichos da vizinhança pelo nome. Era o bonzinho, oposto de sua irmã chamada de ‘capeta’ até pelos professores. Na escola, o tio Oto era celebridade. Menino branquelo, o mais branquelo da formatura do pré, ao começar o ensino fundamental pegou uma turma que funcionava que nem a novela Carrossel, da mesma época. Apesar de ser uma escola de periferia tinha apenas 12 salas e uma diretora lendária, a Dona Shirley, que gostava do que fazia e era uma boa pessoa, competente, durona. A professora do tio Oto, a dona Juraci, foi a mesma até quase a sétima série, e a turma também, mesmos alunos. Só a turma deles era assim na escola, o que permitia muita união, era a turma mais legal… A irmã estava um ano na frente, tão popular quanto ele mas pelos motivos errados, quando ela resolveu entrar para o Grêmio Estudantil, com a chapa M.E.R.D.A (Movimento Estudantil Revolucionário dos Alunos – pô, tinha 12 anos, a sigla era mais importante que o significado) ele também se interessou e tinha muito mais habilidade política. Os dois passaram a ser os dois cabeções…

Ela começou a aprender inglês e levava o maior jeito, ele levava mais jeito ainda, pois aprendia com ela por osmose, sem nunca ter feito uma aula. Ficou quase tão hábil quanto ela em inglês e um pouco menos hábil em espanhol (lorrinha foi frolic, hahahaha). Praticavam, basicamente, para conversar sem que a madre entedesse o assunto, ela ficava doida. Muito mais hábil em informática, hoje ele é O analista workaholic que adora saber cada vez mais.Teve caxumba, rinite, chato (não sei se ele realmente já teve chato, mas ele era chato e eu vivia provocando com a pergunta cavilosa ‘tá chateado?’).

Aí, na adolescência, resolveu fazer uma tatuagem, pois sua irmã já tinha e ele acabava sempre fazendo o que ela fazia (péssimo exemplo). A idéia inicial e permitida pela madre era fazer um dragão nas costas mas, ao chegar ao estúdio, o ‘espertão’ se encanta por um desenho menos tradicional de um cachorro enrabando uma boneca e o faz, em bold line. Não demorou para o pai de alguma namorada achar aquilo o cúmulo e ele resolver cobrir o desenho com um, então, dragão. Nunca terminou a tatuagem, tem um borrão nas costas.

Quando soube que seria pai, estava de licença médica por um acidente que quase lhe custou a perna e lhe deixou o tornozelo meio podre. Acabou perdendo o emprego e ganhando um filho lindo. Não era planejado, ele tinha terminado com a namorada fazia algum tempo, mas ainda se viam às vezes… Acabaram ficando juntos algum tempo, ele queria ver o filho crescer, mas não deu certo o ‘casamento’, ela era muito ciumenta por ele ser dez anos mais novo e ele queria mais é ser livre. Queria mesmo é ser pai do filho de que tanto se orgulha, continua vendo o filho na medida que a mãe permite, pois demorou pra que aceitasse a separação.

Ele gosta de ser chamado de Tom, Oto ou de Drumond, parece vaidoso mas é relaxado pra caaa.. deve ser genético. É o tio favorito do Américo, o que ele mais fala e que mais se parece com ele. Obedece o tio Oto não importa o que seja, comer, tomar banho, dormir. É uma maravilha quando está por perto… É um pai admirado, nunca o vi se alterar com o filho, é firme e carinhoso. Esperamos outro sobrinho para logo mais, que Hécate abençõe a união dele com a Guaciara e que seja uma criança linda e saudável como o Thomas – de preferência menina, viu? Já tem homem demais nessa família…

foto by ‘la madre’

Música pro meu brother, que se recupera de uma cirurgia no joelho podre (lady murphy no time adversário): Release me – Pearl Jam

Written by Lia Drumond

fevereiro 18, 2010 às 15:42

Publicado em É com a Lia

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2 Respostas

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  1. Eu nem lembrava da chapa estudantil…..maravilhoso…muito obrigado Li.. vc é foda como sempre…Mas um dia te supero…afinal essa competição sempre vai te impulsionar…Um bjo te amo e vc é foda de novo….

    PS a Gua falou que Hécate parece “Eca” zuado….. rsrsrs Bjos.

    Tio Oto

    fevereiro 19, 2010 at 14:49

  2. Hahahah, hilário, adorei! E eu estava presente na hora da “lorrinha”, confirmo o fato! Tio Otto é tão bravo que quando estou com o Américo é só falar que vou ligar pro tio Otto que ele obedece, uma maravilha! Adoro as histórias de vcs dois, vcs tiveram uma infância muito legal, como nossos irmãos são importantes na nossa essência… e tomara que “Écati” nos abençoe logo, temos nosso baby shower pra fazer juntas, ok?

    Beijão, Li, amamos vocês por aqui!

    Guaci

    fevereiro 19, 2010 at 21:11


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