Lia Drumond

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Sobre aborto

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Tenho um filho que está com quase 4 anos e espero outro, nunca fiz um aborto mas acho que foi mais por sorte do que por consciência. Sou pró-aborto, apesar de nunca ter feito, pois acredito que se há alguma pessoa ou entidade que pode decidir se haverá ou não vida é a responsável por sua criação: a mãe. Claro que prevenir é melhor que remediar, mas é um atraso evolutivo condenar meninas à maternidade só porque treparam sem ter noção das consequências. E elas não têm, os garotos também não têm… Só quem já cuidou tempo integral de uma criança – aí incluo todas as pessoas que ajudaram a criar irmãos muito menores, sobrinhos, agregados, etc – pode ter noção do trabalho que dá, sem contar as despesas. É muito importante que a mãe queira o filho, acho que assim é que se possibilita a criação do vínculo de amor. Quando uma mãe o é por obrigação, por opção alheia ou falta de opção, pode acabar deprimida e até rejeitar o filho.

O Américo foi uma surpresa maravilhosa, apesar de não planejado ele foi muito querido. Fiquei muito feliz quando soube que estava grávida… Mas tinha 25 anos, morava sozinha, trabalhava e, ainda que não pudesse dar tudo o que um filho poderia querer, sabia que poderia dar mais do que eu mesma tive e, o essencial, eu queria muito ter o meu filho. Como agora, quero muito o que espero, mas acho que se alguém pode decidir sobre o que será total responsabilidade minha sou eu. Minha situação confortável me permite querer meus filhos, não falo só de dinheiro, mas alguma estabilidade emocional para lidar com a mudança que isso gera na vida. Imagino uma mulher com problemas e que se descobre grávida, sem querer aquele filho pois o pai é um idiota, ou por ela não ter condições financeiras ou emocionais para receber e criar outro ser humano. Filho não é bicho, apesar de todo criador de bichos compará-los com crianças, bicho é muito, muito mais fácil…

Aí se discute se deveria ou não ser legalizado o aborto. Quem deve decidir se quer ou não abortar um filho é a mãe e o Estado deveria apenas garantir o apoio. Acontece que quando a mãe quer o filho, o Estado está cagando e andando… Salário mínimo é vexame, assistência social é esmola, se a mãe não vai trabalhar muito pra sustentar o que pariu, mata o filho de fome ou o condena à miséria excludente, pois o Estado não cuida para garantir que o filho que a mãe não abortou terá uma vida digna. Se a mãe resolve abortar, precisa procurar clínica ilegal e muitas vezes sofrer consequencias irreversíveis. O Brasil não garante a individualidade das mulheres, submete todas à maternidade para ter mais bucha de canhão para alimentar o sistema desigual que nossa sociedade vive. Sociedades evoluídas legalizam o aborto, quem decide se quer ou não abortar é a mãe.

Música pra quase sexta:  Cannonball – The Breeders

Em tempo:  espero que a Dilma, como primeira presidente mulher do Brasil, legalize o aborto.

Em tempo 2: não falo de pai porque filho é da mãe…  pai não fica grávido.

Written by Lia Drumond

outubro 7, 2010 às 10:48

Publicado em Maternidade

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2 Respostas

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  1. AMEI! Estava discutindo exatamente isso em um forum!😀 =*

    Lili

    outubro 7, 2010 at 14:18

  2. Concordo plenamente com você. O problema é que a maioria pensa que liberar o aborto é só colocar uma lei e pronto, ninguém pensa em investir na educação sexual dos seres humanos que estão na escola! França e Holanda têm o aborto liberado, e são os países com o menor número de abortos no planeta, não chega a 1 por ano. Mas lá as crianças têm aulas de educação sexual nas escolas, aprendem a se prevenir… Coisa que aqui “a Igreja não deixa”, afinal, sexo é só para reprodução, né! Ahã, Cláudia, senta lá.
    Conhece o documentário O Aborto dos Outros? Se puder, veja. Vc vai concordar com ele.
    abs,
    Camila

    Camila Rubim

    outubro 8, 2010 at 16:07


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