Lia Drumond

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Cultura do medo

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Talvez uma estratégia para vender caros calmantes e/ou controlar a vontade da massa, ou ainda uma maneira de impedir a integração social de diferentes culturas, provavelmente um pouco de cada teoria conspiratória com a mesma função: lucro financeiro.

O medo está incutido em tudo, desde a proteção para tomadas que qualquer família moderna é obrigada a colocar para não deixar os filhos levarem nenhum choque até a alimentação supostamente orgânica que confiamos ser mais saudável.

O medo de morrer é inerente ao ser humano, pois trata-se de território desconhecido. Naturalmente sentimos medo da morte e usamos aquilo que nos dá prazer para nos distrair desse medo, segundo algumas lendas. Mas a cultura do medo quer fazer as pessoas sentirem medo de viver. Muito medo de viver.

Medo da violência, medo de solidão, medo de rejeição, medo do desconhecido. O que mais aumenta, hoje em dia, é a ignorância, logo tudo é desconhecido. Quanto mais ignorantes e superficiais as pessoas forem, mais fácil será fazê-las acreditar em qualquer coisa. O culto à celebridades fúteis é um grande instrumento para tal fim, a invasão à privacidade é uma via de duas mãos: a vida pessoal e profissional de qualquer um que for o cristo ou a fanta da vez pode virar informação para a geral, quer estejam interessados ou não (mas a aposta é que quanto pior, melhor).

O consumismo (e aí eu me incluo na categoria maníaca de supermercado) nos torna preocupados com o que não temos ainda, nos fazendo esquecer do que temos e nós sabemos, e sabemos bem, o quanto jogamos fora diariamente. Precisamos ter para sentir segurança na vida, como se tudo não perecesse cedo ou tarde. Nada material dura pra sempre, mas queremos ter tudo, fomos condicionados para pensar desse jeito. Tenha medo de faltar margarina na sua mesa! Tenha margarina, manteiga, maionese, requeijão, patê, frios, geléia, pasta de avelã – ainda que ninguém consiga comer tanto, ainda que seu café da manhã favorito seja café com leite e pão com manteiga e você tenha comido isso pela maior parte da sua vida.

Meu filho já apresenta sintomas desse consumismo, está tão acostumado que ganha brinquedos de presente de quase todo mundo toda vez que o encontram que já me fez passar muita vergonha por solicitar tais agrados sem qualquer cerimônia, como qualquer criança que ainda não entende que precisamos ser menos agressivos quanto ao que esperamos. Hoje brinquedo é mais barato, você consegue comprar um grande trambolho de plástico made in China por trocados. Ele ainda não sente medo da vida, mas já aprende que acumular objetos é gratificante e é uma briga fazê-lo abrir mão de seus valiosos cacarecos quando resolvo que está na hora de liberar algum espaço no quarto dele.

Quanto menos conhecemos mais medo sentimos. A primeira vez em que estive no Rio de Janeiro estava preparada para ser assaltada ou ver alguma vítima de bala perdida em qualquer esquina, era o que eu conhecia até então via mídia sensacionalista (existe outra? me apresentem, por favor…). Nenhuma das vezes em que lá estive me deparei com violência, enquanto que já fui vítima de abuso de poder por parte da polícia em cidadezinha do interior de Minas Gerais, onde todo mundo conhece todo mundo ali dentro e nunca ouviram falar do lugar do lado de fora.

Medo dá audiência, controla impulsos de rebeldia, mantém a ordem que foi estabelecida ninguém sabe por quê ou quem. Medo impede ação. É mais fácil assustar uma criança do que fazê-la sentir-se segura no mundo que será dela também, medo está moldando a sociedade há séculos, a História se repete e temos medo de (re)conhecê-la.

Música, então, pois hoje é aniversário do Guto, meu brother também…  Pra lembrar dos shows da época da (boa e velha) inconseqüência: Pescador de Ilusões – O Rappa

Written by Lia Drumond

novembro 4, 2010 às 12:02

Publicado em Brisas

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Uma resposta

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  1. Fico impressionada como muitas vezes pensamos igual e em muitas diferente… Eu também já fiz um post sobe isso! Vivemos com medo de tudo! Temos medo da nossa própria sombra, um dia ela nos matará! Esquecemos é que é o medo que nos mata todos os dias um pouco. Cada minuto que se vive não volta mais. E não viver plenamente todos os minutos nos faz menos vividos, ou seja, mais mortos… Eu sei, minha lógica é um lixo, mas a ideia é boa! Beijos

    sahveiga

    novembro 5, 2010 at 1:15


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