Lia Drumond

É só um blog…

Passar pra frente

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São campanhas vazias essas que as pessoas fazem apenas replicando conteúdo. Não é preciso ir às ruas e fazer panelaço, mas também é o cúmulo que o indivíduo nem ao menos pense sobre o que está concordando ao clicar em ‘compartilhar’ (gostar, retuitar, encaminhar, whatever…). O tio gugol está aí, bem na cara e, geralmente, também na barra de ferramentas do navegador. Não é preciso nem abrir uma nova aba ou janela, é só copiar o conteúdo de qualquer assunto ali e se maravilhar com ‘informação’ de mais de uma fonte. E, uma dica bacana: leia os comentários e evite sites que não permitem ao leitor questionar ou manifestar-se quanto ao conteúdo. Cagar regra não é legal e estou fazendo isso agora mesmo, mas é pelo bem do povo e felicidade geral da nação. Em tempos de involução causada pelo crescimento do pensamento religioso (que cresce junto com a ignorância, podem crer) estamos diante de barbaridades que pregam intolerância, desrespeito com as liberdades individuais e futilidade, muita futilidade sobre gente medíocre para evitar que as pessoas usem a web para adquirir o temido conhecimento.

Como esse movimento Gota d’Água, cheio de artistas com discurso contra a construção da usina de Belo Monte. Fosse outro governo, leia-se governo tucano, e estariam defendendo a necessidade de geração de mais energia. Campanhas religiosas em redes sociais contra o aborto, piadas fáceis com estereótipos e preconceitos, indicações de que “essa pessoa” tem a mesma velha opinião formada sobre tudo – formada e moldada sem que se perceba. Agora pouco se discute sobre a divisão do Pará, que é iminente, jogaram pro povo escolher sem maiores informações sobre quais serão os possíveis resultados e impactos. Talvez, em breve nenhum Estado possa ser maior que o Rio Grande do Norte. Separatismo rulez, união não. Políticos mais caros do mundo fazem questão de mandar matar quem ouse ameaçar essa dinâmica de ignorância, apatia e incompetência para ELEGER coisa melhor, pois vivemos numa democracia (sic!), neam?

A Índia subsidiou  tablets para estudantes, fazendo com que a população rural tenha finalmente acesso ao que antes só era possível nas grandes cidades: informação. Aqui os impostos fazem tudo tão caro que é preciso ir ao Paraguai para comprar bugiganga (que agora tem o nome chique de gadget), pirataria domina o mercado pois há demanda, são poucos os que podem pagar o preço de ‘originais’ absurdamente inflacionados pela tributação do nosso governo. E esses tributos, taxas, impostos, vias, etc, etc, etc, burocracias sem fim para manter a máquina grande e cara e difícil de ser fiscalizada são usados em nada de retorno palpável para a sociedade. Basta andar de carro pela maior e mais rica cidade do Brasil para ver como ela é feia, mal planejada, mal conservada e com péssima qualidade de vida para seus habitantes, que geralmente são mal educados e desconhecem gentileza. E esta é a cidade mais rica…

Qualquer movimento para mudar o que está estabelecido, ou seja, essa porcaria desigual e inútil que fomenta a ignorância e suas filhas intolerância, violência e impotência será reprimido pela máquina. PM, TV, STF – siglas que precisamos engolir como representações da nossa existência, justificadas pela apatia da maioria sobre o que significam e quais seus deveres para com a sociedade. Quem quer que o povão saiba o que significa a concessão do sinal de televisão no Brasil, né? Não se pode culpar o povo por sua apatia, condicionada pela tríade mídia, (falta de) educação e repressão durante tantas décadas, falta de opção para os que não têm dinheiro para se incluir digitalmente ou pagar por TV a cabo é uma realidade ainda hoje. E na mídia impressa o esquema de distribuição é realmente muito sujo, não tem pra onde fugir nesse mar de estupidez.

Tudo isso acontece agora e tem muito mais, mesmo. Não são tão poucos os que também buscam compartilhar informação, são inúmeros sites, blogs e vlogs que usam a única terra que ainda é de ninguém para tentar combater a imbecilização da web, que é inundada pelas empresas de mídia em busca do público que sempre ignoraram. A interatividade se tornou obrigação para o capitalismo, mas não serve para diminuir desigualdades, apenas para ajudar empresas a lucrarem mais conhecendo melhor seu público alvo. Todo e cada produto custa o seu valor de produção, mais propaganda e mais impostos – pagamos muito caro por tudo e esse dinheiro todo fica na mão de quase ninguém. É preciso que mais gente se disponha a pensar mais antes de comprar, compartilhar opinião que não é realmentre sua e, acima de tudo, concordar. É preciso que mais gente questione, conteste e pesquise antes de concordar.

Um som que adoro, pra variar: Up and away – Good Riddance

Written by Lia Drumond

novembro 23, 2011 às 20:53

Publicado em Brisas

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Uma resposta

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  1. Delícia de texto Lia!😀

    Lili

    novembro 24, 2011 at 10:53


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