Lia Drumond

É só um blog…

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Brasil é sinônimo de injustiça

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Mexa sua cabeça, olhe em volta. Muita gente poderia estar pior, eu também se não fosse abraçada pela sorte. Tantos não reconhecem a própria condição miserável por que são herdeiros de propriedades rotas, inflacionadas pela ganância. Quantos não têm sequer um pedaço de chão pra plantar uma batata mas se acham melhores em seus andares superiores? Qualquer instabilidade social pode acabar com o conforto da vida urbana, quem não tem chão não tem nada. Se amanhã houver guerra (o que não é difícil, ainda vivemos na ditadura militar, acreditem!), condomínios não têm fontes de água ou plantações de qualquer espécie alimentícia para garantir a sobrevivência de seus moradores. E por isso tanta gente briga por terra, qualidade de vida não está em condomínio fechado e vigiado, está no chão e na liberdade de um céu e uma terra só para sua família. Por isso Pinheirinho foi desocupado, pois servirá aos interesses de quem pode vender chão para quem pode pagar pelo privilégio que hoje é tão caro. E quem vende? Parceiros de negócios dos candidatos das eleições desse ano, financiarão campanhas de tucanos e petistas, gregos e troianos, vão beijar bebês pobres e ricos para as câmeras…

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Written by Lia Drumond

janeiro 24, 2012 at 12:07

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Humildade?

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É meu dilema a percepção de que fui enganada, mas não quero mais. A impressão é essa. Não só pela família, mas tudo o que vi, li, assisti, ouvi e aprendi dizia e repetia que nascemos por algum motivo, que para crescer e me considerar  madura era preciso evoluir e ser melhor, maior, mais inteligente e bondosa. Ser bom sempre foi a grande lição de toda a moral de quase toda história. Claro, ser bom sempre é confundido com ser obediente e ingênuo, mas nunca vi bondade ser sinônimo de indiferença para com o sofrimento alheio. Aí que já posso me julgar adulta agora que não sou adolescente e tenho crianças sob minha responsabilidade. Ou seja, posso dizer que cresci, apesar de acreditar estarmos todos em pleno desenvolvimento até o fim de nossas existências.

Hoje em dia a lição é outra: seja igual. E não é seja igual ao melhor, sabe? É seja igual a média, seja medíocre – queira sempre mais, compre sem pensar, não aceite sua aparência normal, pense como a maioria. “Não ofenda os outros com lições de moral sobre ser melhor!” Mas existe melhor, sim. Quando existe o que menos prejudica, este é melhor. Hoje em dia o errado está certo. O politicamente incorreto é um nome que ganha admiração pela ignorância da maioria em relação ao que é política. Preconceito não tem graça e só quem se acha acima do bem e do mal pode julgar menor o sofrimento alheio. Liberdade de expressão não significa liberdade de ofensa e agressão. Ecologistas ganham cada vez mais apelidos pejorativos por defenderem o lar que deveria ser de todos, pacifistas são agredidos para que tenham medo de defender em público sua não reação à violência, cientistas são cada vez mais raros por se dedicarem ao conhecimento, mulheres são mortas impunemente para que não possam influenciar. Depois que cresci, querem me ensinar que preciso ser estúpida para ser aceita. Ainda bem, apesar de tudo, ainda não me acho tão estúpida.

Gentileza, bondade, cordialidade, humildade para aprender- sempre há mais, há muito mais do que poderíamos saber ainda que dedicássemos a vida toda. E, ainda assim, não é preciso tanto. É preciso apenas que cada um seja mais capaz de trocar de lugar com o outro e perceber que é frágil a diferença que nos separa.

A chuva não molha apenas um tipo de gente, o Sol clareia o dia de todo mundo que está vivo… Quando há dor, não importa em quem seja ou qual meio haja (ou não) para resolver, dói igual.

Written by Lia Drumond

dezembro 18, 2011 at 7:38

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Juventude conservadora e retrógrada

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Espera-se que a juventude seja uma esperança para o futuro, que traga mudanças e ajude a evoluir a sociedade. Isso significa questionar o que é estabelecido e que pode limitar sua experiência de vida: família, religião, sociedade, etc. Geralmente jovens questionam tudo, talvez com pouca autocrítica, mas hoje em dia a coisa está mudando, alguns jovens estão concordando com o estabelecido.

Essa juventude foi moldada pelo medo, principalmente esses que se dizem conservadores. Pois é da natureza humana experimentar para se desenvolver. Jovens que lutam contra o direito de todos viverem as próprias  experiências são uma antítese da juventude. Experimentar sexo, drogas e rock and roll faz o mundo evoluir e a velhice ser pouco amarga por contar com boas memórias. Medo do outro, medo de se tornar o outro, medo do inferno. Só o medo explica tamanha contradição que é a juventude estar castrando seu próprio potencial com as idéias de gente que já foi. O maior perigo desses caras é que, por princípio e ideal, querem dominar a vida alheia. Estão muito preocupados em saber se você faz sexo, usa alguma substância que não foi comprada diretamente de indústrias farmacêuticas, tenta escapar do trabalho para viver e se pensa diferente deles. Não querem saber se você precisa de alguma coisa, não acham válido dar a mão – a menos que seja pra te empurrar e “ajudar o mais forte a sobreviver”. Esse é o argumento de muitos desses caras…

Creio que a luta pela igualdade de liberdade é causa da gente desde que a sociedade foi estabelecida. Assim como sempre existiu um speed porco pra desejar e perseguir o poder para fazer valer o que achava ser melhor para si e para os seus, sempre existiram pessoas fraternas que enxergam no outro um aliado, não um oponente. Essas pessoas são os heróis que, mesmo errando, tentaram salvar os seus irmãos da opressão. E onde existe autoridade, existe opressão. Nossa sociedade é cheia de autoridades, podem crer! Personalidades, celebridades, autoridades. É uma escala de babaquice sem fim, ignorando o que é de conhecimento geral: a maioria desse país é pobre e/ou ignorante. Pois tem também gente que só tem dinheiro, mais nada na cabeça ou no coração. Deixam a vida levar pra onde qualquer problema alheio não incomode.

Alistamento militar obrigatório, aborto, drogas, sexualidade são do interesse não apenas do jovem, mas de toda a sociedade. Espera-se do sangue novo a renovação, mas o medo impede esses novos caretas – que eu realmente considero geração perdida – de mudar o que existe para melhor. Respeito se conquista, não se impõe. Esses novos babacas nunca conheceram uma aldeia indígena de perto, uma favela por dentro, os bastidores da política e da salsicha. São repetidores de discursos de medo, onde o outro é uma ameaça e deve ser combatido. Até quando, Brasil? Esse país (e esse mundo e todo o universo) não pode aceitar numa boa que essa geração de filhinhos de mamãe se coloque contra a luta primordial de nossa evolução: o respeito pela liberdade de todos.

Até tempo atrás eu me desesperava achando que não havia solução, sabe? Que o mundo estava fadado à um remake estilo ‘Idade Mérdia’, que o discurso dos cagões que se apavoram feito galinhas (desculpem, galinhas!) diante do outro estava dominando o mundo… Não é bem por aí, apesar do que querem fazer parecer. Assim como na Idade Média os reis e a igreja dominavam o pensamento da sociedade, hoje em dia temos reis da mídia e outras indústrias, além de várias igrejas e derivados que querem dizer como as pessoas devem viver para serem percebidas. No fundo, é só um desesperado “continue pagando” em vários aspectos, sabe? Continue pagando o pato se não for capaz de abrir sua consciência para a possibilidade de renovação. O estabelecido por tantos séculos de conservadorismo em nossa sociedade te exclui caso você não esteja sempre do lado mais forte.

Written by Lia Drumond

dezembro 2, 2011 at 5:37

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Passar pra frente

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São campanhas vazias essas que as pessoas fazem apenas replicando conteúdo. Não é preciso ir às ruas e fazer panelaço, mas também é o cúmulo que o indivíduo nem ao menos pense sobre o que está concordando ao clicar em ‘compartilhar’ (gostar, retuitar, encaminhar, whatever…). O tio gugol está aí, bem na cara e, geralmente, também na barra de ferramentas do navegador. Não é preciso nem abrir uma nova aba ou janela, é só copiar o conteúdo de qualquer assunto ali e se maravilhar com ‘informação’ de mais de uma fonte. E, uma dica bacana: leia os comentários e evite sites que não permitem ao leitor questionar ou manifestar-se quanto ao conteúdo. Cagar regra não é legal e estou fazendo isso agora mesmo, mas é pelo bem do povo e felicidade geral da nação. Em tempos de involução causada pelo crescimento do pensamento religioso (que cresce junto com a ignorância, podem crer) estamos diante de barbaridades que pregam intolerância, desrespeito com as liberdades individuais e futilidade, muita futilidade sobre gente medíocre para evitar que as pessoas usem a web para adquirir o temido conhecimento.

Como esse movimento Gota d’Água, cheio de artistas com discurso contra a construção da usina de Belo Monte. Fosse outro governo, leia-se governo tucano, e estariam defendendo a necessidade de geração de mais energia. Campanhas religiosas em redes sociais contra o aborto, piadas fáceis com estereótipos e preconceitos, indicações de que “essa pessoa” tem a mesma velha opinião formada sobre tudo – formada e moldada sem que se perceba. Agora pouco se discute sobre a divisão do Pará, que é iminente, jogaram pro povo escolher sem maiores informações sobre quais serão os possíveis resultados e impactos. Talvez, em breve nenhum Estado possa ser maior que o Rio Grande do Norte. Separatismo rulez, união não. Políticos mais caros do mundo fazem questão de mandar matar quem ouse ameaçar essa dinâmica de ignorância, apatia e incompetência para ELEGER coisa melhor, pois vivemos numa democracia (sic!), neam?

A Índia subsidiou  tablets para estudantes, fazendo com que a população rural tenha finalmente acesso ao que antes só era possível nas grandes cidades: informação. Aqui os impostos fazem tudo tão caro que é preciso ir ao Paraguai para comprar bugiganga (que agora tem o nome chique de gadget), pirataria domina o mercado pois há demanda, são poucos os que podem pagar o preço de ‘originais’ absurdamente inflacionados pela tributação do nosso governo. E esses tributos, taxas, impostos, vias, etc, etc, etc, burocracias sem fim para manter a máquina grande e cara e difícil de ser fiscalizada são usados em nada de retorno palpável para a sociedade. Basta andar de carro pela maior e mais rica cidade do Brasil para ver como ela é feia, mal planejada, mal conservada e com péssima qualidade de vida para seus habitantes, que geralmente são mal educados e desconhecem gentileza. E esta é a cidade mais rica…

Qualquer movimento para mudar o que está estabelecido, ou seja, essa porcaria desigual e inútil que fomenta a ignorância e suas filhas intolerância, violência e impotência será reprimido pela máquina. PM, TV, STF – siglas que precisamos engolir como representações da nossa existência, justificadas pela apatia da maioria sobre o que significam e quais seus deveres para com a sociedade. Quem quer que o povão saiba o que significa a concessão do sinal de televisão no Brasil, né? Não se pode culpar o povo por sua apatia, condicionada pela tríade mídia, (falta de) educação e repressão durante tantas décadas, falta de opção para os que não têm dinheiro para se incluir digitalmente ou pagar por TV a cabo é uma realidade ainda hoje. E na mídia impressa o esquema de distribuição é realmente muito sujo, não tem pra onde fugir nesse mar de estupidez.

Tudo isso acontece agora e tem muito mais, mesmo. Não são tão poucos os que também buscam compartilhar informação, são inúmeros sites, blogs e vlogs que usam a única terra que ainda é de ninguém para tentar combater a imbecilização da web, que é inundada pelas empresas de mídia em busca do público que sempre ignoraram. A interatividade se tornou obrigação para o capitalismo, mas não serve para diminuir desigualdades, apenas para ajudar empresas a lucrarem mais conhecendo melhor seu público alvo. Todo e cada produto custa o seu valor de produção, mais propaganda e mais impostos – pagamos muito caro por tudo e esse dinheiro todo fica na mão de quase ninguém. É preciso que mais gente se disponha a pensar mais antes de comprar, compartilhar opinião que não é realmentre sua e, acima de tudo, concordar. É preciso que mais gente questione, conteste e pesquise antes de concordar.

Um som que adoro, pra variar: Up and away – Good Riddance

Written by Lia Drumond

novembro 23, 2011 at 20:53

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Preparação

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Admito que o medo é tema corriqueiro em meus pensamentos, a surpresa é que não mais apenas por ele que sou motivada. Pois ter medo é freqüente não só em idéia, é na vida, na cultura e coisa e tals… Depois das merdas que acontecem não adianta pensar. Qualquer pessoa com inteligência média é capaz de perceber o quanto a maldade pode ser mantida velada, o quanto a segurança pode estar enganada. Me pergunto quantas pessoas são  mantidas em bunkers de países devastados por guerras antigas e que hoje são ricos… A polícia pode encontrar depois de anos, prender o maldito bandido mas, e daí? Os anos que a pessoa prisioneira perdeu, a vida condenada por lembranças e pensamentos ruins, nada compensará. Câmeras que filmam babás agressoras… O que penso é cruel, mas fato é que eu avisaria qualquer pessoa que trabalhe pra mim sob vigilância que ela está sendo gravada, depois de bater em meus filhos será tarde demais. É melhor prevenir do que remediar… Minha surpresa em relação ao medo é não encará-lo mais de frente, tenho mais a perder. Tenho tudo a perder… Questões sobre ter ou não ter não funcionam quando realmente se tem, talvez só quem tenha possa realmente entender…

Ano que vem está chegando e, se tudo mudar, o fim de nossa era vier e se nada houver, será bom ter aprendido a fazer mais coisas práticas como costurar e cultivar, caso a gente sobreviva. Penso em fazer também uns intrumentos musicais que estão num livro velho que achei. Livros, eles não se acabarão com o fim da energia elétrica, talvez a sua produção… Sorte de quem conseguir (primeiro achar, né) imprimir e manter o que há de útil no google… É bem bacana fazer coisas e acabo dando muitos presentes por não ter tanto espaço. Nesse findi tem dois aniversários de criança para ir e os presentes serão um robô e um vampiro feitos por mim, é muito legal saber que não haverá presente igual. Como também é muito legal a salada que cresce na varanda e vou colher com meu filho para realizar sua fantasia de protagonizar a maldita propaganda de danone que vende marketing ecológico para justificar o preço absurdo de seu produto de sempre. Deixo ele fazer essas coisas, sei lá se amanhã precisarei ensinar coisas mais tristes que o nascimento de uma salada. Sei que nunca fui assim, tão medrosa…

Penso que há muito futuro pela minha frente, não vejo de outra maneira, não consigo. Ter meus filhos nos braços dá superpoderes e o maior medo da vida. Sou mais do que posso e faço até o impossível por eles… No livro que achei tem até como fazer um banjo.

Música, para celebrar tempos de paz – que não acredito do fundo do coração serem duradouros – tão inspiradores: The Subways – I want to hear what you have got to say

Written by Lia Drumond

agosto 2, 2011 at 10:17

Santa ansiedade

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É só de esperança que vive o coração de uma mãe nos dias de hoje… Não que as outras pessoas sintam menos… Ah, é sim, mães são mais sentimentais mesmo. Mas o medo é constante, minha gente. O medo do futuro… Pois somos bombardeados toda hora com notícias sobre violência, desastre, maldade. Além de fatos, ainda fazem documentários sobre o que poderia acontecer se uma bomba nuclear caísse, como as construções da humanidade pereceriam após o seu fim, quantas doenças podem ter sido criadas propositalmente em laboratórios para que indústrias farmacêuticas vendessem drogas… Enfim, cultura contemporânea será conhecida nos livros de História (se houver amanhã!) como a Idade do Pavor.

Estamos condenados a repetir os mesmos erros pois algo que o ser humano aprendeu (talvez com os felinos) é a enterrar a própria merda e fazer cara de paisagem. Não se fala de um erro para comentar o que seria certo, evitar pânico e sim para apavorar possíveis vítimas no caso de o mesmo erro ser – e provavelmente será – cometido. Então esconda as crianças, a sua mulher e o seu marido… O medo é ridículo, material pra piada mesmo. Trocamos a liberdade por uma falsa segurança, quem nos ameaça é quem pagamos para nos proteger. E pagamos caro. Vivemos com medo e abismados e impotentes diante de tanto absurdo. Depois da notícia de que um assassino e estuprador de bebês fugiu da cadeia vem economista tecer comentário sobre as cotações da bolsa de valores, que quase ninguém sabe pra que serve, só se sabe que é coisa de quem tem dinheiro.

E meus brinquedos vão saindo, quase um por dia, enquanto tento não saber o que acontece lá fora, infelizmente é inevitável ser contaminada pela moda da Idade do Pavor. Tenho medo do futuro, pois não me pertence mais. E preciso de mais espaço para colocar tanto brinquedo…

Written by Lia Drumond

julho 21, 2011 at 10:55

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Escolhas

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‘Cada escolha é uma renúncia’ – cresci ouvindo essa máxima, nunca pensava nela profundamente até que, um dia, cresci ou passei a crer que me dizer adolescente não era apropriado. Escolhi uma vida que me enche de medo, sou cheia de responsabilidades e ainda fico pensando, o que só faz piorar a agonia de viver. Porque a ignorância é realmente a chave para a felicidade mas, uma vez infectado pelo vírus da curiosidade, nunca mais o sossego é pleno. Hoje tenho dois anjos sob minhas asas, mas não sei que homens eles serão nesse mundo louco, onde a tela é imposta como espelho de uma realidade maquiavélica promissora e inescapável. Senti o mesmo pânico quando meu primeiro filho nasceu, o medo do amanhã, o grande medo pavor do revés… Como se eu não fosse digna de tanta coisa…Vem a paranóia de voltar a ser o que era, até alta da internação consegui antecipar por já estar em pé horas depois da cirurgia, para me sentir forte como sempre fui – preparada para proteger meus tesouros com tudo o que tenho. Mais de um mês se foi, agora é a real mesmo, agora é que cai a ficha de que tudo mudou, de que eu trouxe um novo ser humano à vida e sou a maior responsável pelo seu crescimento. Escolhi isso por ser a coisa mais emocionante que eu poderia estar fazendo. Aventura nenhuma supera o frio na barriga de saber-se responsável – em todos os aspectos possíveis – por outro ser humano… A expectativa é tão grande que chega a doer, a vontade de ver um minuto do futuro pra ter certeza de que vai dar tudo certo, a certeza de que crescerão bem e bons. Agora só a certeza de que nada será como antes, pelo menos não aqui. Apesar de toda a fragilidade dessa calmaria, a esperança de que o tempo pare e nada mude nunca acaba.

Agradeço muito e sempre pela sorte que tenho, ainda que sou tão distraída e impressionável. Paranóica, confusa, cansada e muito satisfeita – talvez até empanturrada, ou pode ser apenas um mecanismo de defesa acionado pelo medo de perder. O amor que escolhi ainda é paixão que aumenta, planejamos fugir de casa como velhinhos rebeldes quando os meninos forem grandes para desejarem distância dos pais, planejamos nossa cerimônia oficial de casamento e já decidimos que o Arctic Monkeys não vão tocar 505 na nossa festa porque eles não tocam essa ao vivo tão bem quanto em estúdio, planejamos ter uma casa no campo para plantar nossos livros e discos e a utopia de viver em paz. Nossa sintonia é tão grande que dividimos pensamentos, e cresce… Escolhi aceitar esse amor, ainda que não me considere digna de tanta paixão.

Renunciei, talvez por enquanto, ao estilo aventureiro de me jogar no perigo. Ter a cara sempre cheia de coragem é o que fez  minha vida tão interessante até aqui, mas passou. Hoje considero válido ter uma arma, desconfio das pessoas, observo com empatia em vez de simpatia, o perigo não me atrai porque vejo um mundo muito cruel para quem é indefeso. Os fortes destroem os fracos em vez de protegê-los, a vida é realmente madrasta e nem sempre, nem de tudo, vou poder proteger meus filhotes, mas acho que a agonia faz parte da maternidade. É lindo apesar de tanto medo. É emocionante apesar da rotina inevitável. É fundamental no meu mundo desabitado ter esses dois reis para governar os monstros que criei antes de eles existirem – meus pequenos heróis que me salvam de mim.

Agora há também o medo de voltar ao mundo adulto, ser jornalista ou lecionar – ou fazer algo diferente para aprender alguma coisa nova. Escrever sobre temas que esqueço assim que tento formular o primeiro parágrafo, chover no molhado das atualidades absurdas, expressar meu horror com tudo o que não deveria ser, manchar o branco com meus pensamentos impuros… Queria sentir liberdade para não escrever mas é como se estivesse traindo a História que me prometi registrar – a História da minha vida. Quero agradecer a mim mesma por todas as escolhas que fiz por mim – e à minha mãe por tudo o que ela fez também, hoje eu sei…

Música, então: The way you wear your head – Nada Surf

Written by Lia Drumond

abril 19, 2011 at 16:39

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