Lia Drumond

É só um blog…

Archive for the ‘Maternidade’ Category

Sem planejamento

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Que só hoje deveria importar, mas não dá pra parar de pensar no que será. Não quando se carrega pequenas promessas nos braços, para proteger da indiferença onde lhes querem plantar. Saber é, saber levar um golpe a cada coisa que se sabe triste e se precisa explicar. É doce e salgada a rotina de cuidar e amar e cuidar até que, se tudo der certo, só sobre o amar. É a agonia de ainda esperar, por mais que acreditasse, ingênua, que a espera acabaria no fim dos nove meses. Temos tanto o que esperar que a expectativa é inevitável, o sofrer com ela é infinito. Culpa e tentativas de racionalizar, afinal pensar é normal. É normal pensar? É preciso parar de pensar e planejar… (?)

Som: Call Me – Chris Montez

 

Written by Lia Drumond

março 20, 2012 at 9:57

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Segundo filho

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O drama com o primeiro filho é bem maior… Quem é filho único deve aguentar uma barra pesada pelo medo dos pais. Hoje o Aquiles fez seu primeiro treino de paraquedista, do carrinho para o chão. Diferente de quando isso aconteceu com o Américo, tudo o que eu fiz foi pegá-lo no colo e dar um pedaço de pão, o choro parou na hora. Claro que estou observando e fiquei preocupada, porém bem menos desesperada. A menor possibilidade de perder qualquer um deles é – e suspeito que sempre será – o maior medo da minha vida, mas já não sou marinheira de primeira viagem, sei que um tombo geralmente não é fatal de uma altura pequena e sei que com meio ano de vida e mais de oito quilos de muita esperteza, ele vai ficar bem.

Written by Lia Drumond

setembro 12, 2011 at 7:49

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Todo tempo

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Ter todo o tempo para estar ocupada com quase tudo e achar que não fez nada. Vai explicar a tarefa de casa pra dona, fazer gelatina, cabana, pintura e não ter tempo para ler um livro. Há tempo quando vão dormir, acostumei cedo para ter tempo pra fazer alguma coizzzz zzzz… zzz…

É, qualquer tempo que sobra é desperdiçado em descanso, ainda que involuntário. Padecer no paraíso é o clichê, mas é… Apesar de saber que tudo passa logo, tudo passará, o cadáver faz trinta esse ano e é muito foda conhecer o que é um joelho falhar. Não que eu vá usar pra muita coisa, mas eles não podem falhar quando meus preciosos estão no colo, que susto… Escrever, nem pensar. Ele acordou e estas linhas são escritas com pressa, sem pensar, só pra registrar que não tem jeito. É possível procrastinar qualquer trabalho, mas é preciso estar mais do que disposta para sempre atender ao exigente e constante chamado deles.

E está tocando Under pressure – Queen

Written by Lia Drumond

agosto 25, 2011 at 9:58

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Preparação

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Admito que o medo é tema corriqueiro em meus pensamentos, a surpresa é que não mais apenas por ele que sou motivada. Pois ter medo é freqüente não só em idéia, é na vida, na cultura e coisa e tals… Depois das merdas que acontecem não adianta pensar. Qualquer pessoa com inteligência média é capaz de perceber o quanto a maldade pode ser mantida velada, o quanto a segurança pode estar enganada. Me pergunto quantas pessoas são  mantidas em bunkers de países devastados por guerras antigas e que hoje são ricos… A polícia pode encontrar depois de anos, prender o maldito bandido mas, e daí? Os anos que a pessoa prisioneira perdeu, a vida condenada por lembranças e pensamentos ruins, nada compensará. Câmeras que filmam babás agressoras… O que penso é cruel, mas fato é que eu avisaria qualquer pessoa que trabalhe pra mim sob vigilância que ela está sendo gravada, depois de bater em meus filhos será tarde demais. É melhor prevenir do que remediar… Minha surpresa em relação ao medo é não encará-lo mais de frente, tenho mais a perder. Tenho tudo a perder… Questões sobre ter ou não ter não funcionam quando realmente se tem, talvez só quem tenha possa realmente entender…

Ano que vem está chegando e, se tudo mudar, o fim de nossa era vier e se nada houver, será bom ter aprendido a fazer mais coisas práticas como costurar e cultivar, caso a gente sobreviva. Penso em fazer também uns intrumentos musicais que estão num livro velho que achei. Livros, eles não se acabarão com o fim da energia elétrica, talvez a sua produção… Sorte de quem conseguir (primeiro achar, né) imprimir e manter o que há de útil no google… É bem bacana fazer coisas e acabo dando muitos presentes por não ter tanto espaço. Nesse findi tem dois aniversários de criança para ir e os presentes serão um robô e um vampiro feitos por mim, é muito legal saber que não haverá presente igual. Como também é muito legal a salada que cresce na varanda e vou colher com meu filho para realizar sua fantasia de protagonizar a maldita propaganda de danone que vende marketing ecológico para justificar o preço absurdo de seu produto de sempre. Deixo ele fazer essas coisas, sei lá se amanhã precisarei ensinar coisas mais tristes que o nascimento de uma salada. Sei que nunca fui assim, tão medrosa…

Penso que há muito futuro pela minha frente, não vejo de outra maneira, não consigo. Ter meus filhos nos braços dá superpoderes e o maior medo da vida. Sou mais do que posso e faço até o impossível por eles… No livro que achei tem até como fazer um banjo.

Música, para celebrar tempos de paz – que não acredito do fundo do coração serem duradouros – tão inspiradores: The Subways – I want to hear what you have got to say

Written by Lia Drumond

agosto 2, 2011 at 10:17

Santa ansiedade

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É só de esperança que vive o coração de uma mãe nos dias de hoje… Não que as outras pessoas sintam menos… Ah, é sim, mães são mais sentimentais mesmo. Mas o medo é constante, minha gente. O medo do futuro… Pois somos bombardeados toda hora com notícias sobre violência, desastre, maldade. Além de fatos, ainda fazem documentários sobre o que poderia acontecer se uma bomba nuclear caísse, como as construções da humanidade pereceriam após o seu fim, quantas doenças podem ter sido criadas propositalmente em laboratórios para que indústrias farmacêuticas vendessem drogas… Enfim, cultura contemporânea será conhecida nos livros de História (se houver amanhã!) como a Idade do Pavor.

Estamos condenados a repetir os mesmos erros pois algo que o ser humano aprendeu (talvez com os felinos) é a enterrar a própria merda e fazer cara de paisagem. Não se fala de um erro para comentar o que seria certo, evitar pânico e sim para apavorar possíveis vítimas no caso de o mesmo erro ser – e provavelmente será – cometido. Então esconda as crianças, a sua mulher e o seu marido… O medo é ridículo, material pra piada mesmo. Trocamos a liberdade por uma falsa segurança, quem nos ameaça é quem pagamos para nos proteger. E pagamos caro. Vivemos com medo e abismados e impotentes diante de tanto absurdo. Depois da notícia de que um assassino e estuprador de bebês fugiu da cadeia vem economista tecer comentário sobre as cotações da bolsa de valores, que quase ninguém sabe pra que serve, só se sabe que é coisa de quem tem dinheiro.

E meus brinquedos vão saindo, quase um por dia, enquanto tento não saber o que acontece lá fora, infelizmente é inevitável ser contaminada pela moda da Idade do Pavor. Tenho medo do futuro, pois não me pertence mais. E preciso de mais espaço para colocar tanto brinquedo…

Written by Lia Drumond

julho 21, 2011 at 10:55

Publicado em Brisas, Maternidade

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Escolhas

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‘Cada escolha é uma renúncia’ – cresci ouvindo essa máxima, nunca pensava nela profundamente até que, um dia, cresci ou passei a crer que me dizer adolescente não era apropriado. Escolhi uma vida que me enche de medo, sou cheia de responsabilidades e ainda fico pensando, o que só faz piorar a agonia de viver. Porque a ignorância é realmente a chave para a felicidade mas, uma vez infectado pelo vírus da curiosidade, nunca mais o sossego é pleno. Hoje tenho dois anjos sob minhas asas, mas não sei que homens eles serão nesse mundo louco, onde a tela é imposta como espelho de uma realidade maquiavélica promissora e inescapável. Senti o mesmo pânico quando meu primeiro filho nasceu, o medo do amanhã, o grande medo pavor do revés… Como se eu não fosse digna de tanta coisa…Vem a paranóia de voltar a ser o que era, até alta da internação consegui antecipar por já estar em pé horas depois da cirurgia, para me sentir forte como sempre fui – preparada para proteger meus tesouros com tudo o que tenho. Mais de um mês se foi, agora é a real mesmo, agora é que cai a ficha de que tudo mudou, de que eu trouxe um novo ser humano à vida e sou a maior responsável pelo seu crescimento. Escolhi isso por ser a coisa mais emocionante que eu poderia estar fazendo. Aventura nenhuma supera o frio na barriga de saber-se responsável – em todos os aspectos possíveis – por outro ser humano… A expectativa é tão grande que chega a doer, a vontade de ver um minuto do futuro pra ter certeza de que vai dar tudo certo, a certeza de que crescerão bem e bons. Agora só a certeza de que nada será como antes, pelo menos não aqui. Apesar de toda a fragilidade dessa calmaria, a esperança de que o tempo pare e nada mude nunca acaba.

Agradeço muito e sempre pela sorte que tenho, ainda que sou tão distraída e impressionável. Paranóica, confusa, cansada e muito satisfeita – talvez até empanturrada, ou pode ser apenas um mecanismo de defesa acionado pelo medo de perder. O amor que escolhi ainda é paixão que aumenta, planejamos fugir de casa como velhinhos rebeldes quando os meninos forem grandes para desejarem distância dos pais, planejamos nossa cerimônia oficial de casamento e já decidimos que o Arctic Monkeys não vão tocar 505 na nossa festa porque eles não tocam essa ao vivo tão bem quanto em estúdio, planejamos ter uma casa no campo para plantar nossos livros e discos e a utopia de viver em paz. Nossa sintonia é tão grande que dividimos pensamentos, e cresce… Escolhi aceitar esse amor, ainda que não me considere digna de tanta paixão.

Renunciei, talvez por enquanto, ao estilo aventureiro de me jogar no perigo. Ter a cara sempre cheia de coragem é o que fez  minha vida tão interessante até aqui, mas passou. Hoje considero válido ter uma arma, desconfio das pessoas, observo com empatia em vez de simpatia, o perigo não me atrai porque vejo um mundo muito cruel para quem é indefeso. Os fortes destroem os fracos em vez de protegê-los, a vida é realmente madrasta e nem sempre, nem de tudo, vou poder proteger meus filhotes, mas acho que a agonia faz parte da maternidade. É lindo apesar de tanto medo. É emocionante apesar da rotina inevitável. É fundamental no meu mundo desabitado ter esses dois reis para governar os monstros que criei antes de eles existirem – meus pequenos heróis que me salvam de mim.

Agora há também o medo de voltar ao mundo adulto, ser jornalista ou lecionar – ou fazer algo diferente para aprender alguma coisa nova. Escrever sobre temas que esqueço assim que tento formular o primeiro parágrafo, chover no molhado das atualidades absurdas, expressar meu horror com tudo o que não deveria ser, manchar o branco com meus pensamentos impuros… Queria sentir liberdade para não escrever mas é como se estivesse traindo a História que me prometi registrar – a História da minha vida. Quero agradecer a mim mesma por todas as escolhas que fiz por mim – e à minha mãe por tudo o que ela fez também, hoje eu sei…

Música, então: The way you wear your head – Nada Surf

Written by Lia Drumond

abril 19, 2011 at 16:39

Crianças indigo?

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As crianças e adolescentes não mudaram, ainda são projetos de gente, presunçosos e que precisam testar limites para aprenderem a ultrapassá-los com segurança…

Agora, os pais, estes sim mudaram muito. Antes, lá no antigamente, o pai trabalhava e a mãe ficava em casa, não necessariamente proporcionando atividades lúdicas e estimulantes para seus filhos, mas geralmente ralando para limpar a casa e, nos momentos de folga, ler uma revista ou fofocar com a vizinha. As crianças tinham a liberdade da rua, seguiam juntas para a escola e, geralmente, sem nenhum adulto por perto, brincavam mais longe da vigilância. Não havia culpa por parte de mãe ou pai pelo tempo que não passavam com seus filhos, pois viviam sob o mesmo teto e isso bastava.

Hoje em dia, a sociedade de consumo prega tanto perfeccionismo e exigência em relação às crianças que os pais sentem-se pressionados. As opções para os pequenos são mais variadas, melhores e mais caras do que para os adultos – mas quem trabalha e paga por tudo?? Empresas já planejam serviços que incluem as crianças por saberem que é um mercado infalível, nenhum pai nega o conforto que pode oferecer aos seus filhos – ainda que isso possa transformá-los em folgados inúteis.

Quando eu era pequena, e isso nem faz tantas décadas assim, havia menos opções para criança e raramente podíamos escolher. Mas me aproveitei muito da culpa que mi madre sentia por trabalhar fora e não ser o tipo de mulher que vive em função da casa e dos filhos, muitas vezes pressionei pelo que queria, consegui e me tornei pior, mais exigente, ingrata que só.  Só tive alguma idéia do que minha mãe sentia quando comecei a trabalhar e depois  saí de casa e precisei me sustentar. Quando tive o Américo passei a questionar o porquê de eu ter sido considerada uma criança tão terrível, já que ele é tão bonzinho. Acredito que ele é bonzinho porque eu não sou boazinha, sou bem diferente da minha mãe que sempre se preocupava com a opinião alheia sobre suas escolhas, me sinto mais livre do que ela em relação ao que é considerado aceitável pela sociedade.

Concordo que vivemos numa época em que as crianças são mais espertas, também fomos mais espertos que nossos pais quando eles eram pequenos, isso se chama evolução. Mas não devemos acreditar que criança e adolescente é diferente hoje, não são. São potencialmente mais inteligentes que os pais, mas estes são potencialmente incapazes de determinar o futuro de seus filhos por mais que tentem. É importante ser presente e estimular seus filhos, mas talvez seja mais importante cuidar bem da própria vida e sentir-se estimulado e feliz com isso, um exemplo vale mais do que mil palavras. Culpa não pode ser exemplo de sucesso…

Música que eu adorava quando criança: Aquarela – Toquinho

Written by Lia Drumond

janeiro 24, 2011 at 11:59

Publicado em Maternidade

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