Lia Drumond

É só um blog…

Posts Tagged ‘Américo

Sem planejamento

leave a comment »

Que só hoje deveria importar, mas não dá pra parar de pensar no que será. Não quando se carrega pequenas promessas nos braços, para proteger da indiferença onde lhes querem plantar. Saber é, saber levar um golpe a cada coisa que se sabe triste e se precisa explicar. É doce e salgada a rotina de cuidar e amar e cuidar até que, se tudo der certo, só sobre o amar. É a agonia de ainda esperar, por mais que acreditasse, ingênua, que a espera acabaria no fim dos nove meses. Temos tanto o que esperar que a expectativa é inevitável, o sofrer com ela é infinito. Culpa e tentativas de racionalizar, afinal pensar é normal. É normal pensar? É preciso parar de pensar e planejar… (?)

Som: Call Me – Chris Montez

 

Anúncios

Written by Lia Drumond

março 20, 2012 at 9:57

Publicado em Maternidade

Tagged with , , ,

Todo tempo

with 2 comments

Ter todo o tempo para estar ocupada com quase tudo e achar que não fez nada. Vai explicar a tarefa de casa pra dona, fazer gelatina, cabana, pintura e não ter tempo para ler um livro. Há tempo quando vão dormir, acostumei cedo para ter tempo pra fazer alguma coizzzz zzzz… zzz…

É, qualquer tempo que sobra é desperdiçado em descanso, ainda que involuntário. Padecer no paraíso é o clichê, mas é… Apesar de saber que tudo passa logo, tudo passará, o cadáver faz trinta esse ano e é muito foda conhecer o que é um joelho falhar. Não que eu vá usar pra muita coisa, mas eles não podem falhar quando meus preciosos estão no colo, que susto… Escrever, nem pensar. Ele acordou e estas linhas são escritas com pressa, sem pensar, só pra registrar que não tem jeito. É possível procrastinar qualquer trabalho, mas é preciso estar mais do que disposta para sempre atender ao exigente e constante chamado deles.

E está tocando Under pressure – Queen

Written by Lia Drumond

agosto 25, 2011 at 9:58

Publicado em Maternidade

Tagged with , , , ,

Escolhas

with 2 comments

‘Cada escolha é uma renúncia’ – cresci ouvindo essa máxima, nunca pensava nela profundamente até que, um dia, cresci ou passei a crer que me dizer adolescente não era apropriado. Escolhi uma vida que me enche de medo, sou cheia de responsabilidades e ainda fico pensando, o que só faz piorar a agonia de viver. Porque a ignorância é realmente a chave para a felicidade mas, uma vez infectado pelo vírus da curiosidade, nunca mais o sossego é pleno. Hoje tenho dois anjos sob minhas asas, mas não sei que homens eles serão nesse mundo louco, onde a tela é imposta como espelho de uma realidade maquiavélica promissora e inescapável. Senti o mesmo pânico quando meu primeiro filho nasceu, o medo do amanhã, o grande medo pavor do revés… Como se eu não fosse digna de tanta coisa…Vem a paranóia de voltar a ser o que era, até alta da internação consegui antecipar por já estar em pé horas depois da cirurgia, para me sentir forte como sempre fui – preparada para proteger meus tesouros com tudo o que tenho. Mais de um mês se foi, agora é a real mesmo, agora é que cai a ficha de que tudo mudou, de que eu trouxe um novo ser humano à vida e sou a maior responsável pelo seu crescimento. Escolhi isso por ser a coisa mais emocionante que eu poderia estar fazendo. Aventura nenhuma supera o frio na barriga de saber-se responsável – em todos os aspectos possíveis – por outro ser humano… A expectativa é tão grande que chega a doer, a vontade de ver um minuto do futuro pra ter certeza de que vai dar tudo certo, a certeza de que crescerão bem e bons. Agora só a certeza de que nada será como antes, pelo menos não aqui. Apesar de toda a fragilidade dessa calmaria, a esperança de que o tempo pare e nada mude nunca acaba.

Agradeço muito e sempre pela sorte que tenho, ainda que sou tão distraída e impressionável. Paranóica, confusa, cansada e muito satisfeita – talvez até empanturrada, ou pode ser apenas um mecanismo de defesa acionado pelo medo de perder. O amor que escolhi ainda é paixão que aumenta, planejamos fugir de casa como velhinhos rebeldes quando os meninos forem grandes para desejarem distância dos pais, planejamos nossa cerimônia oficial de casamento e já decidimos que o Arctic Monkeys não vão tocar 505 na nossa festa porque eles não tocam essa ao vivo tão bem quanto em estúdio, planejamos ter uma casa no campo para plantar nossos livros e discos e a utopia de viver em paz. Nossa sintonia é tão grande que dividimos pensamentos, e cresce… Escolhi aceitar esse amor, ainda que não me considere digna de tanta paixão.

Renunciei, talvez por enquanto, ao estilo aventureiro de me jogar no perigo. Ter a cara sempre cheia de coragem é o que fez  minha vida tão interessante até aqui, mas passou. Hoje considero válido ter uma arma, desconfio das pessoas, observo com empatia em vez de simpatia, o perigo não me atrai porque vejo um mundo muito cruel para quem é indefeso. Os fortes destroem os fracos em vez de protegê-los, a vida é realmente madrasta e nem sempre, nem de tudo, vou poder proteger meus filhotes, mas acho que a agonia faz parte da maternidade. É lindo apesar de tanto medo. É emocionante apesar da rotina inevitável. É fundamental no meu mundo desabitado ter esses dois reis para governar os monstros que criei antes de eles existirem – meus pequenos heróis que me salvam de mim.

Agora há também o medo de voltar ao mundo adulto, ser jornalista ou lecionar – ou fazer algo diferente para aprender alguma coisa nova. Escrever sobre temas que esqueço assim que tento formular o primeiro parágrafo, chover no molhado das atualidades absurdas, expressar meu horror com tudo o que não deveria ser, manchar o branco com meus pensamentos impuros… Queria sentir liberdade para não escrever mas é como se estivesse traindo a História que me prometi registrar – a História da minha vida. Quero agradecer a mim mesma por todas as escolhas que fiz por mim – e à minha mãe por tudo o que ela fez também, hoje eu sei…

Música, então: The way you wear your head – Nada Surf

Written by Lia Drumond

abril 19, 2011 at 16:39

Aquiles, tão querido

with 3 comments

É você me ocupando o corpo e pensamentos, me tornando maior do que eu jamais poderia ser sem você. É estar plena de amor e sentir saudades de mim, além da vontade de te conhecer. Curiosidade que faz a imaginação interpretar cada movimento seu aqui dentro, menino chutador…  Sonhar com absurdos só por não ter visto ainda o seu sorriso, toda mudança que você me fará esquecer quando soltar o primeiro choro, toda paixão que sei que vou sentir de novo e falta tão pouco…  Seu berço está chegando, o quarto que você dividirá com o Américo está em fase de planejamento e logo vamos tirar muitas fotos de nossa expectativa pra você ver quando crescer. O Américo está mais ansioso que eu e seu pai juntos, mas é que pra gente grande o tempo passa muito mais rápido… Ele diz que está demorando muito e que vai cuidar de você, além de te ensinar a ser um super-herói como ele, adora falar do irmãozinho para todo mundo e fala seu nome com um charme todo especial: Aquillish. Esse ano será lindo, como todos têm sido desde que tornei mãe, a responsabilidade pela vida de outra pessoa nos dá outra dimensão da realidade, talvez mais empatia e sensibilidade. Eu estou louca pra ter você logo, ver mais uma obra-prima da minha linda sorte, aumentar o amor que há em minha vida.

Written by Lia Drumond

janeiro 3, 2011 at 17:28

Publicado em É com a Lia

Tagged with ,

Sobre aborto

with 2 comments

Tenho um filho que está com quase 4 anos e espero outro, nunca fiz um aborto mas acho que foi mais por sorte do que por consciência. Sou pró-aborto, apesar de nunca ter feito, pois acredito que se há alguma pessoa ou entidade que pode decidir se haverá ou não vida é a responsável por sua criação: a mãe. Claro que prevenir é melhor que remediar, mas é um atraso evolutivo condenar meninas à maternidade só porque treparam sem ter noção das consequências. E elas não têm, os garotos também não têm… Só quem já cuidou tempo integral de uma criança – aí incluo todas as pessoas que ajudaram a criar irmãos muito menores, sobrinhos, agregados, etc – pode ter noção do trabalho que dá, sem contar as despesas. É muito importante que a mãe queira o filho, acho que assim é que se possibilita a criação do vínculo de amor. Quando uma mãe o é por obrigação, por opção alheia ou falta de opção, pode acabar deprimida e até rejeitar o filho.

O Américo foi uma surpresa maravilhosa, apesar de não planejado ele foi muito querido. Fiquei muito feliz quando soube que estava grávida… Mas tinha 25 anos, morava sozinha, trabalhava e, ainda que não pudesse dar tudo o que um filho poderia querer, sabia que poderia dar mais do que eu mesma tive e, o essencial, eu queria muito ter o meu filho. Como agora, quero muito o que espero, mas acho que se alguém pode decidir sobre o que será total responsabilidade minha sou eu. Minha situação confortável me permite querer meus filhos, não falo só de dinheiro, mas alguma estabilidade emocional para lidar com a mudança que isso gera na vida. Imagino uma mulher com problemas e que se descobre grávida, sem querer aquele filho pois o pai é um idiota, ou por ela não ter condições financeiras ou emocionais para receber e criar outro ser humano. Filho não é bicho, apesar de todo criador de bichos compará-los com crianças, bicho é muito, muito mais fácil…

Aí se discute se deveria ou não ser legalizado o aborto. Quem deve decidir se quer ou não abortar um filho é a mãe e o Estado deveria apenas garantir o apoio. Acontece que quando a mãe quer o filho, o Estado está cagando e andando… Salário mínimo é vexame, assistência social é esmola, se a mãe não vai trabalhar muito pra sustentar o que pariu, mata o filho de fome ou o condena à miséria excludente, pois o Estado não cuida para garantir que o filho que a mãe não abortou terá uma vida digna. Se a mãe resolve abortar, precisa procurar clínica ilegal e muitas vezes sofrer consequencias irreversíveis. O Brasil não garante a individualidade das mulheres, submete todas à maternidade para ter mais bucha de canhão para alimentar o sistema desigual que nossa sociedade vive. Sociedades evoluídas legalizam o aborto, quem decide se quer ou não abortar é a mãe.

Música pra quase sexta:  Cannonball – The Breeders

Em tempo:  espero que a Dilma, como primeira presidente mulher do Brasil, legalize o aborto.

Em tempo 2: não falo de pai porque filho é da mãe…  pai não fica grávido.

Written by Lia Drumond

outubro 7, 2010 at 10:48

Publicado em Maternidade

Tagged with , , ,

Ser matriz

with 3 comments

Mãe, a minha é igual a todas as melhores mães do mundo, espero ser como ela para meu filho. Ser mãe é coisa boa, normal, saudável. Ter filhos não significa gerá-los, necessariamente. Sempre digo que é o cuidar, o dia-a-dia que faz o amor crescer, se eu amei seu primeiro choro e chorei junto descobrindo o maior medo da minha vida, muitos outros choros vieram depois para me fazer sorrir, chorar, enlouquecer, aprender. Agora seu choro é mais raro, mais intencional e importante. E já é um menino, está deixando de ser um bebê e começa a testar limites para ver onde pode o quê. E, às vezes, sou ‘vrava’ pra ele entender que não é legal ser intransigente, em outras sou moleque pra ele ter com quem brincar à noite.

Sinto um pouco de ciúmes e muito orgulho por ele ser tão amado… Todo mundo quer ser  mãe dele. Inspira vida, já ouvi de várias mulheres que depois conhecerem meu filho sentiram muita vontade de ter um delas. Sua doçura, seu jeito esperto e cheio de graça, seu charme de se fazer de difícil nos primeiros 5 minutos, sua tagarelice. Ele é tão tudo que eu não seria nada… O maior presente de dia das mães que qualquer mãe quer é apenas a certeza de que seu filho é feliz. E mães vivem para isso.

Written by Lia Drumond

maio 9, 2010 at 9:35

Publicado em Maternidade

Tagged with , , ,

Menino ou menina?

with 3 comments

Eu queria uma filha menina quando nem queria filhos. Achava que criar uma mulher seria mais fácil, afinal somos mais inteligentes e maravilhosas… Quando meu filho nasceu, percebi que o amor é, na verdade, uma construção. Não foi o fato de gerá-lo em meu enorme barrigão que me fez amá-lo, nem o fato de ele ser o menino mais incrível do mundo; foi o tempo. Se fosse necessário gerar para amar, o pai nunca amaria seu filho ou então amaríamos tudo o que nosso corpo gera… Urghhh….

Cuidar, ver suas pequenas conquistas e superação de cada novo desafio, o cultivo da paciência e da humildade em reaprender a aprender… Ter filhos nos deixa mais maduros, mais conscientes de nosso papel no mundo e no futuro, mais corajosos na defensiva e covardes no ataque, temos muito à perder quando nos tornamos pais e ganhamos o maior presente do mundo. Ganhamos o maior medo e o maior orgulho de nossas vidas, não importa o sexo, não importa nada, na verdade. Não sei se outros pais pensam assim, mas apesar de todas as expectativas e sonhos que inventamos para nossos filhos cumprirem (e eu viajo nessas), só tenho realmente duas exigências em relação ao Américo e ao seu (sua) futuro (a) irmã(o): não morrerem antes de mim e serem felizes enquanto eu estiver olhando. Nada deve ser mais duro do que perder um filho ou sabê-lo infeliz.

Claro que o próximo eu queria uma menina, mas acho que o Américo ficaria melhor se tivesse um irmãozinho, pra ensinar as coisas de menino e ser um amigão… Só sei que ter filhos é bom para a personalidade de pessoas boas. Pessoas ruins deveriam ser castradas. Gente que não tem filhos (ou ficou tempo demais longe dos que teve para trabalhar e acabou se afastando gradualmente) vive arrumando o que fazer, sarna pra se coçar. Geralmente trata algum bicho como se fosse gente, negando sua natureza para torturá-lo com o afeto que não tiveram coragem de dar para outro ser humano. Seres humanos inevitavelmente nos decepcionam durante a convivência, animais não são capazes de nos ofender em nosso idioma, então acreditamos que eles não falam e, portanto, não nos agridem. Bom, isso não se aplica aos ailurófilos… E, também, animais geralmente morrem antes das pessoas e, assim, elas conseguem alguma atenção humana pelo sofrimento de perder seu bichinho tão importante e mais companheiro que os próprios filhos.

Eu era bem assim quando não pensava em filhos, criava gatos em casa, dormia com eles na minha cama, dividia o sofá, o sorvete, o bife, o ovo de Páscoa e passava perfume neles também…  Hoje em dia eu jamais arrumaria um desses por vontade própria, apesar de amar os bichanos do fundo meu coração motorizado. Acho que na velhice, se tiver sossego pra isso, quero criar uns no quintal do meu casarão assombrado e assustador no Hawaii.

Mas eu fugi da idéia inicial totalmente… Um dia quero conseguir concluir os pensamentos sem pular para outras idéias. Acho que isso deve ser bom para quem quer escrever um romance, afinal são muitas páginas de uma mesma história e as coisas têm que fazer sentido e não ser uma zona que nem esse post. A idéia era que não importa se é menino ou menina, o legal é se dedicar à outro ser humano e ensiná-lo a ser gente, o legal é ser a pessoa chata que vai ser referência para quando o filho for grande e tiver de ser chato com os próprios filhos. Menino e menina não são padrões de personalidade, apenas de gênero. Há meninas quietas e tímidas, há meninas que são da pá virada e até brigam bem. Há meninos terrivelmente espertos e traquinas e há meninos calados e introspectivos.

anime kids

Música? óraididen… Under my skin – Frank (my pal) Sinatra

Written by Lia Drumond

janeiro 14, 2010 at 11:32

Publicado em Maternidade

Tagged with , , , , ,

%d blogueiros gostam disto: