Lia Drumond

É só um blog…

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Sem planejamento

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Que só hoje deveria importar, mas não dá pra parar de pensar no que será. Não quando se carrega pequenas promessas nos braços, para proteger da indiferença onde lhes querem plantar. Saber é, saber levar um golpe a cada coisa que se sabe triste e se precisa explicar. É doce e salgada a rotina de cuidar e amar e cuidar até que, se tudo der certo, só sobre o amar. É a agonia de ainda esperar, por mais que acreditasse, ingênua, que a espera acabaria no fim dos nove meses. Temos tanto o que esperar que a expectativa é inevitável, o sofrer com ela é infinito. Culpa e tentativas de racionalizar, afinal pensar é normal. É normal pensar? É preciso parar de pensar e planejar… (?)

Som: Call Me – Chris Montez

 

Written by Lia Drumond

março 20, 2012 at 9:57

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Passar pra frente

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São campanhas vazias essas que as pessoas fazem apenas replicando conteúdo. Não é preciso ir às ruas e fazer panelaço, mas também é o cúmulo que o indivíduo nem ao menos pense sobre o que está concordando ao clicar em ‘compartilhar’ (gostar, retuitar, encaminhar, whatever…). O tio gugol está aí, bem na cara e, geralmente, também na barra de ferramentas do navegador. Não é preciso nem abrir uma nova aba ou janela, é só copiar o conteúdo de qualquer assunto ali e se maravilhar com ‘informação’ de mais de uma fonte. E, uma dica bacana: leia os comentários e evite sites que não permitem ao leitor questionar ou manifestar-se quanto ao conteúdo. Cagar regra não é legal e estou fazendo isso agora mesmo, mas é pelo bem do povo e felicidade geral da nação. Em tempos de involução causada pelo crescimento do pensamento religioso (que cresce junto com a ignorância, podem crer) estamos diante de barbaridades que pregam intolerância, desrespeito com as liberdades individuais e futilidade, muita futilidade sobre gente medíocre para evitar que as pessoas usem a web para adquirir o temido conhecimento.

Como esse movimento Gota d’Água, cheio de artistas com discurso contra a construção da usina de Belo Monte. Fosse outro governo, leia-se governo tucano, e estariam defendendo a necessidade de geração de mais energia. Campanhas religiosas em redes sociais contra o aborto, piadas fáceis com estereótipos e preconceitos, indicações de que “essa pessoa” tem a mesma velha opinião formada sobre tudo – formada e moldada sem que se perceba. Agora pouco se discute sobre a divisão do Pará, que é iminente, jogaram pro povo escolher sem maiores informações sobre quais serão os possíveis resultados e impactos. Talvez, em breve nenhum Estado possa ser maior que o Rio Grande do Norte. Separatismo rulez, união não. Políticos mais caros do mundo fazem questão de mandar matar quem ouse ameaçar essa dinâmica de ignorância, apatia e incompetência para ELEGER coisa melhor, pois vivemos numa democracia (sic!), neam?

A Índia subsidiou  tablets para estudantes, fazendo com que a população rural tenha finalmente acesso ao que antes só era possível nas grandes cidades: informação. Aqui os impostos fazem tudo tão caro que é preciso ir ao Paraguai para comprar bugiganga (que agora tem o nome chique de gadget), pirataria domina o mercado pois há demanda, são poucos os que podem pagar o preço de ‘originais’ absurdamente inflacionados pela tributação do nosso governo. E esses tributos, taxas, impostos, vias, etc, etc, etc, burocracias sem fim para manter a máquina grande e cara e difícil de ser fiscalizada são usados em nada de retorno palpável para a sociedade. Basta andar de carro pela maior e mais rica cidade do Brasil para ver como ela é feia, mal planejada, mal conservada e com péssima qualidade de vida para seus habitantes, que geralmente são mal educados e desconhecem gentileza. E esta é a cidade mais rica…

Qualquer movimento para mudar o que está estabelecido, ou seja, essa porcaria desigual e inútil que fomenta a ignorância e suas filhas intolerância, violência e impotência será reprimido pela máquina. PM, TV, STF – siglas que precisamos engolir como representações da nossa existência, justificadas pela apatia da maioria sobre o que significam e quais seus deveres para com a sociedade. Quem quer que o povão saiba o que significa a concessão do sinal de televisão no Brasil, né? Não se pode culpar o povo por sua apatia, condicionada pela tríade mídia, (falta de) educação e repressão durante tantas décadas, falta de opção para os que não têm dinheiro para se incluir digitalmente ou pagar por TV a cabo é uma realidade ainda hoje. E na mídia impressa o esquema de distribuição é realmente muito sujo, não tem pra onde fugir nesse mar de estupidez.

Tudo isso acontece agora e tem muito mais, mesmo. Não são tão poucos os que também buscam compartilhar informação, são inúmeros sites, blogs e vlogs que usam a única terra que ainda é de ninguém para tentar combater a imbecilização da web, que é inundada pelas empresas de mídia em busca do público que sempre ignoraram. A interatividade se tornou obrigação para o capitalismo, mas não serve para diminuir desigualdades, apenas para ajudar empresas a lucrarem mais conhecendo melhor seu público alvo. Todo e cada produto custa o seu valor de produção, mais propaganda e mais impostos – pagamos muito caro por tudo e esse dinheiro todo fica na mão de quase ninguém. É preciso que mais gente se disponha a pensar mais antes de comprar, compartilhar opinião que não é realmentre sua e, acima de tudo, concordar. É preciso que mais gente questione, conteste e pesquise antes de concordar.

Um som que adoro, pra variar: Up and away – Good Riddance

Written by Lia Drumond

novembro 23, 2011 at 20:53

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Todo tempo

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Ter todo o tempo para estar ocupada com quase tudo e achar que não fez nada. Vai explicar a tarefa de casa pra dona, fazer gelatina, cabana, pintura e não ter tempo para ler um livro. Há tempo quando vão dormir, acostumei cedo para ter tempo pra fazer alguma coizzzz zzzz… zzz…

É, qualquer tempo que sobra é desperdiçado em descanso, ainda que involuntário. Padecer no paraíso é o clichê, mas é… Apesar de saber que tudo passa logo, tudo passará, o cadáver faz trinta esse ano e é muito foda conhecer o que é um joelho falhar. Não que eu vá usar pra muita coisa, mas eles não podem falhar quando meus preciosos estão no colo, que susto… Escrever, nem pensar. Ele acordou e estas linhas são escritas com pressa, sem pensar, só pra registrar que não tem jeito. É possível procrastinar qualquer trabalho, mas é preciso estar mais do que disposta para sempre atender ao exigente e constante chamado deles.

E está tocando Under pressure – Queen

Written by Lia Drumond

agosto 25, 2011 at 9:58

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Preparação

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Admito que o medo é tema corriqueiro em meus pensamentos, a surpresa é que não mais apenas por ele que sou motivada. Pois ter medo é freqüente não só em idéia, é na vida, na cultura e coisa e tals… Depois das merdas que acontecem não adianta pensar. Qualquer pessoa com inteligência média é capaz de perceber o quanto a maldade pode ser mantida velada, o quanto a segurança pode estar enganada. Me pergunto quantas pessoas são  mantidas em bunkers de países devastados por guerras antigas e que hoje são ricos… A polícia pode encontrar depois de anos, prender o maldito bandido mas, e daí? Os anos que a pessoa prisioneira perdeu, a vida condenada por lembranças e pensamentos ruins, nada compensará. Câmeras que filmam babás agressoras… O que penso é cruel, mas fato é que eu avisaria qualquer pessoa que trabalhe pra mim sob vigilância que ela está sendo gravada, depois de bater em meus filhos será tarde demais. É melhor prevenir do que remediar… Minha surpresa em relação ao medo é não encará-lo mais de frente, tenho mais a perder. Tenho tudo a perder… Questões sobre ter ou não ter não funcionam quando realmente se tem, talvez só quem tenha possa realmente entender…

Ano que vem está chegando e, se tudo mudar, o fim de nossa era vier e se nada houver, será bom ter aprendido a fazer mais coisas práticas como costurar e cultivar, caso a gente sobreviva. Penso em fazer também uns intrumentos musicais que estão num livro velho que achei. Livros, eles não se acabarão com o fim da energia elétrica, talvez a sua produção… Sorte de quem conseguir (primeiro achar, né) imprimir e manter o que há de útil no google… É bem bacana fazer coisas e acabo dando muitos presentes por não ter tanto espaço. Nesse findi tem dois aniversários de criança para ir e os presentes serão um robô e um vampiro feitos por mim, é muito legal saber que não haverá presente igual. Como também é muito legal a salada que cresce na varanda e vou colher com meu filho para realizar sua fantasia de protagonizar a maldita propaganda de danone que vende marketing ecológico para justificar o preço absurdo de seu produto de sempre. Deixo ele fazer essas coisas, sei lá se amanhã precisarei ensinar coisas mais tristes que o nascimento de uma salada. Sei que nunca fui assim, tão medrosa…

Penso que há muito futuro pela minha frente, não vejo de outra maneira, não consigo. Ter meus filhos nos braços dá superpoderes e o maior medo da vida. Sou mais do que posso e faço até o impossível por eles… No livro que achei tem até como fazer um banjo.

Música, para celebrar tempos de paz – que não acredito do fundo do coração serem duradouros – tão inspiradores: The Subways – I want to hear what you have got to say

Written by Lia Drumond

agosto 2, 2011 at 10:17

Escolhas

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‘Cada escolha é uma renúncia’ – cresci ouvindo essa máxima, nunca pensava nela profundamente até que, um dia, cresci ou passei a crer que me dizer adolescente não era apropriado. Escolhi uma vida que me enche de medo, sou cheia de responsabilidades e ainda fico pensando, o que só faz piorar a agonia de viver. Porque a ignorância é realmente a chave para a felicidade mas, uma vez infectado pelo vírus da curiosidade, nunca mais o sossego é pleno. Hoje tenho dois anjos sob minhas asas, mas não sei que homens eles serão nesse mundo louco, onde a tela é imposta como espelho de uma realidade maquiavélica promissora e inescapável. Senti o mesmo pânico quando meu primeiro filho nasceu, o medo do amanhã, o grande medo pavor do revés… Como se eu não fosse digna de tanta coisa…Vem a paranóia de voltar a ser o que era, até alta da internação consegui antecipar por já estar em pé horas depois da cirurgia, para me sentir forte como sempre fui – preparada para proteger meus tesouros com tudo o que tenho. Mais de um mês se foi, agora é a real mesmo, agora é que cai a ficha de que tudo mudou, de que eu trouxe um novo ser humano à vida e sou a maior responsável pelo seu crescimento. Escolhi isso por ser a coisa mais emocionante que eu poderia estar fazendo. Aventura nenhuma supera o frio na barriga de saber-se responsável – em todos os aspectos possíveis – por outro ser humano… A expectativa é tão grande que chega a doer, a vontade de ver um minuto do futuro pra ter certeza de que vai dar tudo certo, a certeza de que crescerão bem e bons. Agora só a certeza de que nada será como antes, pelo menos não aqui. Apesar de toda a fragilidade dessa calmaria, a esperança de que o tempo pare e nada mude nunca acaba.

Agradeço muito e sempre pela sorte que tenho, ainda que sou tão distraída e impressionável. Paranóica, confusa, cansada e muito satisfeita – talvez até empanturrada, ou pode ser apenas um mecanismo de defesa acionado pelo medo de perder. O amor que escolhi ainda é paixão que aumenta, planejamos fugir de casa como velhinhos rebeldes quando os meninos forem grandes para desejarem distância dos pais, planejamos nossa cerimônia oficial de casamento e já decidimos que o Arctic Monkeys não vão tocar 505 na nossa festa porque eles não tocam essa ao vivo tão bem quanto em estúdio, planejamos ter uma casa no campo para plantar nossos livros e discos e a utopia de viver em paz. Nossa sintonia é tão grande que dividimos pensamentos, e cresce… Escolhi aceitar esse amor, ainda que não me considere digna de tanta paixão.

Renunciei, talvez por enquanto, ao estilo aventureiro de me jogar no perigo. Ter a cara sempre cheia de coragem é o que fez  minha vida tão interessante até aqui, mas passou. Hoje considero válido ter uma arma, desconfio das pessoas, observo com empatia em vez de simpatia, o perigo não me atrai porque vejo um mundo muito cruel para quem é indefeso. Os fortes destroem os fracos em vez de protegê-los, a vida é realmente madrasta e nem sempre, nem de tudo, vou poder proteger meus filhotes, mas acho que a agonia faz parte da maternidade. É lindo apesar de tanto medo. É emocionante apesar da rotina inevitável. É fundamental no meu mundo desabitado ter esses dois reis para governar os monstros que criei antes de eles existirem – meus pequenos heróis que me salvam de mim.

Agora há também o medo de voltar ao mundo adulto, ser jornalista ou lecionar – ou fazer algo diferente para aprender alguma coisa nova. Escrever sobre temas que esqueço assim que tento formular o primeiro parágrafo, chover no molhado das atualidades absurdas, expressar meu horror com tudo o que não deveria ser, manchar o branco com meus pensamentos impuros… Queria sentir liberdade para não escrever mas é como se estivesse traindo a História que me prometi registrar – a História da minha vida. Quero agradecer a mim mesma por todas as escolhas que fiz por mim – e à minha mãe por tudo o que ela fez também, hoje eu sei…

Música, então: The way you wear your head – Nada Surf

Written by Lia Drumond

abril 19, 2011 at 16:39

Ser matriz

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Mãe, a minha é igual a todas as melhores mães do mundo, espero ser como ela para meu filho. Ser mãe é coisa boa, normal, saudável. Ter filhos não significa gerá-los, necessariamente. Sempre digo que é o cuidar, o dia-a-dia que faz o amor crescer, se eu amei seu primeiro choro e chorei junto descobrindo o maior medo da minha vida, muitos outros choros vieram depois para me fazer sorrir, chorar, enlouquecer, aprender. Agora seu choro é mais raro, mais intencional e importante. E já é um menino, está deixando de ser um bebê e começa a testar limites para ver onde pode o quê. E, às vezes, sou ‘vrava’ pra ele entender que não é legal ser intransigente, em outras sou moleque pra ele ter com quem brincar à noite.

Sinto um pouco de ciúmes e muito orgulho por ele ser tão amado… Todo mundo quer ser  mãe dele. Inspira vida, já ouvi de várias mulheres que depois conhecerem meu filho sentiram muita vontade de ter um delas. Sua doçura, seu jeito esperto e cheio de graça, seu charme de se fazer de difícil nos primeiros 5 minutos, sua tagarelice. Ele é tão tudo que eu não seria nada… O maior presente de dia das mães que qualquer mãe quer é apenas a certeza de que seu filho é feliz. E mães vivem para isso.

Written by Lia Drumond

maio 9, 2010 at 9:35

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Socialvibe – legal!

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Por nada, não… Mas troquei meu tempo perdido com Farmville para perder tempo com ações sociais através da web. A Socialvibe, cujo widget está aí ao lado bem na cara, é uma maneira de ajudar uma entidade que lhe interesse participando e apoiando ações de marketing que patrocinam a iniciativa. Então, você clica ali e participa de alguma atividade online onde o patrocinador vai te fazer ver a marca dele e, em troca da influência que tentou exercer sobre sua vontade, ele manda um troco para ajudar a instituição que escolhi. Você não gasta nada além de tempo. Resolvi ajudar a fundação Art of Elysium, pois como mãe sei que, infelizmente, a maioria das crianças vai parar no hospital algumas vezes e, nessas horas, arte pode ser tão curativa quanto remédio. Então, queridos leitores, peço que também ajudem clicando aí de vez em quando para ajudar os artistas que trabalham com um público tão especial. Música para uma terça chata, de recuperação e sashimi só pra mim (além da faxina que me espera, a casa parece ter sido visitada por demônios da Tazmania), então música pra dar um gás e mostrar que algumas crianças sabem fazer arte melhor que gente grande: Radio Riot – Tiny Masters of Today (tão lindinhos! Já imagino meu Petit Prince guitarreiro…)

Written by Lia Drumond

fevereiro 2, 2010 at 8:04

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