Lia Drumond

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Brasil é sinônimo de injustiça

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Mexa sua cabeça, olhe em volta. Muita gente poderia estar pior, eu também se não fosse abraçada pela sorte. Tantos não reconhecem a própria condição miserável por que são herdeiros de propriedades rotas, inflacionadas pela ganância. Quantos não têm sequer um pedaço de chão pra plantar uma batata mas se acham melhores em seus andares superiores? Qualquer instabilidade social pode acabar com o conforto da vida urbana, quem não tem chão não tem nada. Se amanhã houver guerra (o que não é difícil, ainda vivemos na ditadura militar, acreditem!), condomínios não têm fontes de água ou plantações de qualquer espécie alimentícia para garantir a sobrevivência de seus moradores. E por isso tanta gente briga por terra, qualidade de vida não está em condomínio fechado e vigiado, está no chão e na liberdade de um céu e uma terra só para sua família. Por isso Pinheirinho foi desocupado, pois servirá aos interesses de quem pode vender chão para quem pode pagar pelo privilégio que hoje é tão caro. E quem vende? Parceiros de negócios dos candidatos das eleições desse ano, financiarão campanhas de tucanos e petistas, gregos e troianos, vão beijar bebês pobres e ricos para as câmeras…

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Written by Lia Drumond

janeiro 24, 2012 at 12:07

Publicado em Brisas

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STOP SOPA! STOP PIPA!

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Written by Lia Drumond

janeiro 18, 2012 at 11:42

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Ah, Mulheres…

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Ser mulher é muita coisa, quem sou eu pra definir, né? E ser feminista, o que é? Complicado responder isso depois de conhecê-las… Vi pluralidade e brilhantismo, nunca encontrei tanta mulher genial por metro quadrado e fiquei encantada. Nem sabia que eu era tão feminista, nunca fui fã de rótulos, mas feminismo não é uma marca, não é uma religião ou diretriz moral. Feminismo é respeito, pois a idéia que todas defendem é de empatia, como incentivar as pessoas a se colocarem no lugar de outras e a pensar sobre suas atitudes, inclusive em relação à mulher.

Enquanto cresce a voz das mulheres no consumo, nos meios de comunicação e na política, também vemos aumentar os discursos  utilizando-se do anonimato da web para cometer crimes de racismo, injúria e incitação ao crime. Feministas são alvo de todo tipo de preconceito não só por parte desses criminosos, mas por parte das próprias mulheres que não enxergam a opressão sexista. Mas em vez de se preocuparem com trolls, estão preocupadas com regulamentação da comunicação, assunto urgente, deturpado e ignorado pela grande mídia; querem que o Estado cumpra seu papel laico e faça respeitar a própria Constituição,  que o professor seja respeitado e valorizado pela sociedade.

Enfim, são muitas as discussões e idéias que me inspiram. Feminismo é fundamental e deve ser incluído na grade curricular das aulas de História, pois é muito importante que as mulheres saibam que têm muito mais em comum do que nossa cultura machista deixa transparecer. Não somos rivais, somos irmãs. O machismo existe e oprime muitas filhas que não sabem ter proteção da lei, muita mulher engole o machismo, cresce e vive condicionada a acreditar que é incapaz de mudar a realidade. Muitas riem das piadas sexistas que agrupam mulheres como se todas fossem iguais e respondessem da mesma forma, não percebem que o politicamente incorreto geralmente é burro e apela para estereótipos ridículos. (ei, redundante!) Muitas acreditam de verdade em revistas que divulgam ‘pesquisas’ sobre os reais “desejos femininos”, de que mulheres se sentem mais realizadas com a ‘santa trindade’ dona de casa-esposa-mãe em pleno século vinte e um.

É difícil não se revoltar por ser a única chata em tanto espaço, mas no I Encontro das Blogueiras Feministas encontrei várias outras tão chatas quanto eu. Primeiramente, foi uma lição de vida. Mulheres tão admiráveis e tão próximas, tão abertas ao encontro, tão inteligentes que senti orgulho de fazer parte, sabe? Eu, que achava que era melhor ser homem nesse mundo tão injusto, senti que é possível ser mulher e ser realmente forte se formos mulheres unidas. Foi bonito descobrir que sou feminista e que isso é bom não só pra mim, mas para meus filhos e para o mundo!

Música, faz tempo… Eletricityscape – The Strokes

Written by Lia Drumond

outubro 22, 2011 at 21:37

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Cultura do medo

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Talvez uma estratégia para vender caros calmantes e/ou controlar a vontade da massa, ou ainda uma maneira de impedir a integração social de diferentes culturas, provavelmente um pouco de cada teoria conspiratória com a mesma função: lucro financeiro.

O medo está incutido em tudo, desde a proteção para tomadas que qualquer família moderna é obrigada a colocar para não deixar os filhos levarem nenhum choque até a alimentação supostamente orgânica que confiamos ser mais saudável.

O medo de morrer é inerente ao ser humano, pois trata-se de território desconhecido. Naturalmente sentimos medo da morte e usamos aquilo que nos dá prazer para nos distrair desse medo, segundo algumas lendas. Mas a cultura do medo quer fazer as pessoas sentirem medo de viver. Muito medo de viver.

Medo da violência, medo de solidão, medo de rejeição, medo do desconhecido. O que mais aumenta, hoje em dia, é a ignorância, logo tudo é desconhecido. Quanto mais ignorantes e superficiais as pessoas forem, mais fácil será fazê-las acreditar em qualquer coisa. O culto à celebridades fúteis é um grande instrumento para tal fim, a invasão à privacidade é uma via de duas mãos: a vida pessoal e profissional de qualquer um que for o cristo ou a fanta da vez pode virar informação para a geral, quer estejam interessados ou não (mas a aposta é que quanto pior, melhor).

O consumismo (e aí eu me incluo na categoria maníaca de supermercado) nos torna preocupados com o que não temos ainda, nos fazendo esquecer do que temos e nós sabemos, e sabemos bem, o quanto jogamos fora diariamente. Precisamos ter para sentir segurança na vida, como se tudo não perecesse cedo ou tarde. Nada material dura pra sempre, mas queremos ter tudo, fomos condicionados para pensar desse jeito. Tenha medo de faltar margarina na sua mesa! Tenha margarina, manteiga, maionese, requeijão, patê, frios, geléia, pasta de avelã – ainda que ninguém consiga comer tanto, ainda que seu café da manhã favorito seja café com leite e pão com manteiga e você tenha comido isso pela maior parte da sua vida.

Meu filho já apresenta sintomas desse consumismo, está tão acostumado que ganha brinquedos de presente de quase todo mundo toda vez que o encontram que já me fez passar muita vergonha por solicitar tais agrados sem qualquer cerimônia, como qualquer criança que ainda não entende que precisamos ser menos agressivos quanto ao que esperamos. Hoje brinquedo é mais barato, você consegue comprar um grande trambolho de plástico made in China por trocados. Ele ainda não sente medo da vida, mas já aprende que acumular objetos é gratificante e é uma briga fazê-lo abrir mão de seus valiosos cacarecos quando resolvo que está na hora de liberar algum espaço no quarto dele.

Quanto menos conhecemos mais medo sentimos. A primeira vez em que estive no Rio de Janeiro estava preparada para ser assaltada ou ver alguma vítima de bala perdida em qualquer esquina, era o que eu conhecia até então via mídia sensacionalista (existe outra? me apresentem, por favor…). Nenhuma das vezes em que lá estive me deparei com violência, enquanto que já fui vítima de abuso de poder por parte da polícia em cidadezinha do interior de Minas Gerais, onde todo mundo conhece todo mundo ali dentro e nunca ouviram falar do lugar do lado de fora.

Medo dá audiência, controla impulsos de rebeldia, mantém a ordem que foi estabelecida ninguém sabe por quê ou quem. Medo impede ação. É mais fácil assustar uma criança do que fazê-la sentir-se segura no mundo que será dela também, medo está moldando a sociedade há séculos, a História se repete e temos medo de (re)conhecê-la.

Música, então, pois hoje é aniversário do Guto, meu brother também…  Pra lembrar dos shows da época da (boa e velha) inconseqüência: Pescador de Ilusões – O Rappa

Written by Lia Drumond

novembro 4, 2010 at 12:02

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Sobre aborto

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Tenho um filho que está com quase 4 anos e espero outro, nunca fiz um aborto mas acho que foi mais por sorte do que por consciência. Sou pró-aborto, apesar de nunca ter feito, pois acredito que se há alguma pessoa ou entidade que pode decidir se haverá ou não vida é a responsável por sua criação: a mãe. Claro que prevenir é melhor que remediar, mas é um atraso evolutivo condenar meninas à maternidade só porque treparam sem ter noção das consequências. E elas não têm, os garotos também não têm… Só quem já cuidou tempo integral de uma criança – aí incluo todas as pessoas que ajudaram a criar irmãos muito menores, sobrinhos, agregados, etc – pode ter noção do trabalho que dá, sem contar as despesas. É muito importante que a mãe queira o filho, acho que assim é que se possibilita a criação do vínculo de amor. Quando uma mãe o é por obrigação, por opção alheia ou falta de opção, pode acabar deprimida e até rejeitar o filho.

O Américo foi uma surpresa maravilhosa, apesar de não planejado ele foi muito querido. Fiquei muito feliz quando soube que estava grávida… Mas tinha 25 anos, morava sozinha, trabalhava e, ainda que não pudesse dar tudo o que um filho poderia querer, sabia que poderia dar mais do que eu mesma tive e, o essencial, eu queria muito ter o meu filho. Como agora, quero muito o que espero, mas acho que se alguém pode decidir sobre o que será total responsabilidade minha sou eu. Minha situação confortável me permite querer meus filhos, não falo só de dinheiro, mas alguma estabilidade emocional para lidar com a mudança que isso gera na vida. Imagino uma mulher com problemas e que se descobre grávida, sem querer aquele filho pois o pai é um idiota, ou por ela não ter condições financeiras ou emocionais para receber e criar outro ser humano. Filho não é bicho, apesar de todo criador de bichos compará-los com crianças, bicho é muito, muito mais fácil…

Aí se discute se deveria ou não ser legalizado o aborto. Quem deve decidir se quer ou não abortar um filho é a mãe e o Estado deveria apenas garantir o apoio. Acontece que quando a mãe quer o filho, o Estado está cagando e andando… Salário mínimo é vexame, assistência social é esmola, se a mãe não vai trabalhar muito pra sustentar o que pariu, mata o filho de fome ou o condena à miséria excludente, pois o Estado não cuida para garantir que o filho que a mãe não abortou terá uma vida digna. Se a mãe resolve abortar, precisa procurar clínica ilegal e muitas vezes sofrer consequencias irreversíveis. O Brasil não garante a individualidade das mulheres, submete todas à maternidade para ter mais bucha de canhão para alimentar o sistema desigual que nossa sociedade vive. Sociedades evoluídas legalizam o aborto, quem decide se quer ou não abortar é a mãe.

Música pra quase sexta:  Cannonball – The Breeders

Em tempo:  espero que a Dilma, como primeira presidente mulher do Brasil, legalize o aborto.

Em tempo 2: não falo de pai porque filho é da mãe…  pai não fica grávido.

Written by Lia Drumond

outubro 7, 2010 at 10:48

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O hábito da criação

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A dádiva da criatividade, a inspiração que motiva o fazer, capacidade de inventar. Todos têm isso, só depende do estímulo para aparecer. E tem como ampliar, é só variar o cardápio de vida sempre que possível. Permitir-se viver experiências, buscar novos pontos de vista sobre o que acredita ser o certo, questionar(-se), mudar(-se). Cada pessoa de um jeito, algumas por necessidade de sobrevivência, algumas por vontade de expressar qualquer coisa, todas pode(ria)m criar. É gostoso ver o que criamos, é bacana quando agrada alguém, mas o importante mesmo é funcionar, usar as habilidades que nos tornam seres inteligentes. E expandí-las é questão só de prática. Todos sabemos que tudo isso que eu disse é óbvio, mas sinto que falta ousadia na criatividade em geral. Talvez só na minha criatividade…

Não sei se é o caminho de buscar vários estímulos e estilos de expressão, mas não consigo definir qual é a minha. Insisto em ser plural, isso frustra o aperfeiçoamento. Não considero muito bom quase nada do que faço. Algumas cagadas, coisas por acaso que saem muito melhores do que se eu tivesse planejado, alguma facilidade para aprender certas coisas. Será que dividir a vontade em diversas formas de expressão diferentes torna tudo mais medíocre, mediano? Eu danço, mais ou menos… Fiz ballet e jazz e sempre tive ritmo pra me mexer, ensinei meu irmãozinho a dançar rock dos anos 60 e sou apaixonada pela expressão corporal. Não quis me dedicar totalmente. Pinto, como eu pinto. Pinto painéis e telas com personagens inventados ou existentes de mangás e animes, alguns amigos gostam, ninguém teve coragem de falar na minha cara que odeia minhas pinceladas, mas não consigo me dedicar apenas aos traços. Escrever, essa paixão exige bastante dedicação e disciplina para não abandonar a estória na metade. Quem me lê há algum tempo sabe que tenho mania de deixar pela metade idéias que poderiam ser desenvolvidas e concluídas.

A arte é apaixonante e só vejo nela a expressão livre, mas não é a única forma de criar. Meu idealismo quer criar com tudo, quer mudar o mundo, quer ser herói. Mesmo que tenha de seguir regras, mesmo que haja limitação, a criatividade é exatamente superar limites. Na arte não existe limite. Criatividade é lidar com a realidade transformando-a, de preferência, em algo melhor. E resolver um problema, um conflito, uma situação embaraçosa com criatividade não é muito fácil. A realidade nem sempre é tão inspiradora, acolhedora e possível quanto a arte. Por isso que está certo o ditado “Viver é uma arte”. E todo mundo usa a criatividade na vida, pro bem e pro mal. Speed porco existe em todo lugar. A pessoa é criativa ao resolver ou causar um conflito, a necessidade força a criação. Talvez seja por isso que não consigo ousar:  não consigo ver a necessidade de e, portanto, evito a fadiga. Sigo quase criando, quem sabe até inspirando, quem precise mais do que eu…

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Música de hoje,  celebrando nossas semelhanças, por que no fundo, no fundo somos todos caveiras – Bones – the Killers

Written by Lia Drumond

julho 29, 2009 at 14:32

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Pensar por si mesmo

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Ter opinião requer, no mínimo, informação sobre o o objeto analisado. Informação e conhecimento deram uma boa propaganda pro Estadão e uma boa cutucada em quem pensa que sabe alguma coisa. Eu gosto de informação, não é por acaso que escolhi esta profissão. Mas está um bafafá sobre a não obrigatoriedade do diploma universitário para jornalistas. Não sei se sou contra ou não, mas um ponto chave que me intriga é a prisão especial para pessoas que possuem diploma de curso superior, que está está prevista no art. 295, inciso VII, do Código de Processo Penal. Bem, é prisão especial até o julgamento, que demora horrores no Brasil, mas como fica o jornalista nessa situação? O que não tem faculdade e é processado – coisa corriqueira no meio – tem direito ao “benefício”?

Sei lá, isso me parece mais uma medida antidemocrática, mais um jeito de cercear a liberdade de imprensa. Se o jornalista não tiver curso superior e for em cana, é literalmente um coitado. Pensar por si mesmo é questionar? Eu questiono o curso superior em si, que forma idiotas, peças de reposição para o mercado de trabalho. Não há espaço nem estímulo para o aluno questionar a realidade (a sociedade, os valores, os conteúdos) no curso superior. Em jornalismo, onde o senso crítico deveria ser valorizado e desenvolvido, não existe sequer questionamento. Bom, não é por acaso que muitos dos que se formam comigo sonham em ser vjs da mtv ou repórteres de estádio de futebor… Fala sério se precisa fazer faculdade pra fazer isso aí.

Meu diploma vai dar um belo papel, que eu paguei muito caro por ele, mas posso afirmar sem medo que aprendi muito pouco no curso superior que escolhi. Passei os 4 anos horrorizada com o descaso ao conteúdo, com a negligência dos professores para com o futuro da sociedade da informação e com a alienação da maioria dos colegas (não todos, não me xinguem, idiotas…) Aprendi a escrever por gostar, aprendi a entrevistar na raça,  aprendi a ser jornalista na prática e SEI que tenho MUITO pra aprender, mas acredito que nenhum curso vai me ensinar o que preciso. O jeito é seguir questionando e observando em busca de, ao menos, pontos de vista diferentes, alternativos. Novas idéias…

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Música agora: Tomorrow – Silverchair

Written by Lia Drumond

junho 22, 2009 at 13:45

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