Lia Drumond

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Blogagem Coletiva: Estupro de Queimadas

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Primeira vez numa blogagem coletiva, mas é imprescindível. A vontade é de sair quebrando tudo, fazendo o mundo ver que ser mulher também é revoltante, difícil achar uma que nunca pensou se não seria mais fácil ser homem. Pois ao homem tudo é permitido, tanto que historicamente são eles os ‘chefes’ da família, para eles que todos devem responder. Às mulheres, a vergonha. Tenha vergonha de ser mulher, por ser mulher, para ser mulher. Homem pode até ser um tremendo idiota, mas mulher, nem isso… Ninguém vai dizer do homem idiota: “Só podia ser homem!” Às meninas ensinam que devem se cuidar, preservarem-se da opinião deles. “Prendam suas cabras que meus bodes estão soltos!”. Aos meninos, ensinam que ser mulher é menor, é feio: “Vai chorar igual uma mocinha?” Claro que há gente tentando mudar essa realidade, mas ainda sobrevivemos assim. Rindo da desgraça alheia… Embebedar pra transar é realidade que quase ninguém considera abuso, nem as vítimas. Acham que por terem bebido são culpadas do abuso, pois desde cedo escutam “cu de bêbado não tem dono”. Temos direito de comprar o álcool, de usá-lo, mas não temos direito sobre nosso corpo quando sob o efeito? A culpa NUNCA é da vítima. A vítima não é culpada por usar tal vestido, por ter saído com, por ter entrado no carro, por ter paquerado, por ter beijado, por estar na festa do estuprador, etc… A culpa É do estuprador.

A festa em Queimadas, na Paraíba, foi um presente de ódio para todas as mulheres. Aqueles homens não tiveram um pingo de empatia, não pensaram nem por um momento em suas mães, irmãs, filhas… Nem por um segundo qualquer dos malditos pensou que poderia ter nascido mulher e que isso não o faria menos gente. Ninguém pede para nascer, muito menos para nascer homem ou mulher, branco, rico, cristão, brasileiro, corinthiano. Por acaso nasceu homem e isso não o faz melhor. Difícil, homem, entender isso? Subjugar prova a fraqueza dos que não têm poder para cativar… Aqueles bandidos planejaram o ataque na festa, sabiam que era um crime, mataram com tiros nas virilhas as mulheres que os reconheceram, todos os indivíduos do sexo masculino participaram do estupro coletivo de ‘presente de aniversário’ e nenhum foi humano. Imagino se têm mãe, se fosse eu mãe de dois monstros desses talvez não segurasse a barra de colocar a cara na rua nunca mais… prefiro a morte. Infelizmente não falta speed porco para dizer que se as mulheres não estivessem numa festa de caras suspeitos, nada teria acontecido e estariam seguras. Enganam-se feio. Mulheres não estarão seguras enquanto os homens não entenderem que temos os mesmos direitos, somos feitas da mesma carne e osso.

Ser estuprad@ acaba com a confiança no outro ser humano, mulheres e homens que passaram por essa tragédia carregam traumas incuráveis, muitos sofrem de depressão pelo resto da vida e até cometem suicídio. O fetiche do estupro, tão utilizado na ficção e até fantasiado por homens e mulheres, é muito diferente da violência real. Imaginar e até combinar uma ação que TODOS os participantes querem realizar é válido. No caso de Queimadas, os ‘homens’* planejaram uma sujeira imensa, tragicamente inesquecível e fatal para duas mulheres, tudo por conta da imaginação de poder que aqueles indivíduos têm. Nenhum deles estaria arrependido se estivesse em liberdade, muitos são os asquerosos que contam ‘vantagem’ sobre abusos que cometeram, muitos são os que justificam a própria agressividade culpando o alvo de sua agressão: “Ela era uma vadia”, “Ela dava pra todo mundo”. “Ela era uma prostituta”. Se mulher usasse os mesmos padrões para rejeitar ou agredir os homens, coitados… E mulher que julga as outras por achar que caráter e expressão estão na vagina também é de doer na alma. Há gente influente no meio desse crime tão sórdido e por isso pouco se falou do caso na grande mídia. Aliás, crimes contra mulheres sempre tem espaço menor no noticiário apesar de sempre terem muito espaço nas novelas. A mocinha linda com o canto do lábio roxo pode até ser sexy, mas imagina sua mãe com todos os dentes quebrados, cara toda roxa e aflita por pensar se pegou aids do estuprador. E, se ela for idosa, imagina um ‘comediante’ dizendo que o estupro foi uma ‘oportunidade’ para ela, que por ser velha deveria agradecer o estuprador…

Acontece todo dia, mais um caso horrendo de violência contra mulher, mais estatística… Peraí, está na hora de mudar isso. Lei Maria da Penha já vale ainda que a vítima não denuncie então, se souber de alguém que apanha e fica quieta, chame a polícia. Denuncie e incentive a denúncia de violência. Os homens precisam saber que não estamos desprotegidas diante de seus ímpetos…

* (gostaria de chamá-los de algo tão sórdido que nem existe palavra, algo que soasse como ‘seres repugnantes que merecem apodrecer do pau pro resto de maneira bem dolorosa e incurável’)

Som: Worry about you – Ivy

**(em tempo?) Este post é participação na blogagem coletiva de repúdio ao caso de Queimadas, convocado pelas Blogueiras Feministas e pelo Luluzinha Camp. Se o caso também te revoltou, escreva e participe da ação!

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Written by Lia Drumond

fevereiro 17, 2012 at 10:05

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STOP SOPA! STOP PIPA!

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Written by Lia Drumond

janeiro 18, 2012 at 11:42

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Juventude conservadora e retrógrada

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Espera-se que a juventude seja uma esperança para o futuro, que traga mudanças e ajude a evoluir a sociedade. Isso significa questionar o que é estabelecido e que pode limitar sua experiência de vida: família, religião, sociedade, etc. Geralmente jovens questionam tudo, talvez com pouca autocrítica, mas hoje em dia a coisa está mudando, alguns jovens estão concordando com o estabelecido.

Essa juventude foi moldada pelo medo, principalmente esses que se dizem conservadores. Pois é da natureza humana experimentar para se desenvolver. Jovens que lutam contra o direito de todos viverem as próprias  experiências são uma antítese da juventude. Experimentar sexo, drogas e rock and roll faz o mundo evoluir e a velhice ser pouco amarga por contar com boas memórias. Medo do outro, medo de se tornar o outro, medo do inferno. Só o medo explica tamanha contradição que é a juventude estar castrando seu próprio potencial com as idéias de gente que já foi. O maior perigo desses caras é que, por princípio e ideal, querem dominar a vida alheia. Estão muito preocupados em saber se você faz sexo, usa alguma substância que não foi comprada diretamente de indústrias farmacêuticas, tenta escapar do trabalho para viver e se pensa diferente deles. Não querem saber se você precisa de alguma coisa, não acham válido dar a mão – a menos que seja pra te empurrar e “ajudar o mais forte a sobreviver”. Esse é o argumento de muitos desses caras…

Creio que a luta pela igualdade de liberdade é causa da gente desde que a sociedade foi estabelecida. Assim como sempre existiu um speed porco pra desejar e perseguir o poder para fazer valer o que achava ser melhor para si e para os seus, sempre existiram pessoas fraternas que enxergam no outro um aliado, não um oponente. Essas pessoas são os heróis que, mesmo errando, tentaram salvar os seus irmãos da opressão. E onde existe autoridade, existe opressão. Nossa sociedade é cheia de autoridades, podem crer! Personalidades, celebridades, autoridades. É uma escala de babaquice sem fim, ignorando o que é de conhecimento geral: a maioria desse país é pobre e/ou ignorante. Pois tem também gente que só tem dinheiro, mais nada na cabeça ou no coração. Deixam a vida levar pra onde qualquer problema alheio não incomode.

Alistamento militar obrigatório, aborto, drogas, sexualidade são do interesse não apenas do jovem, mas de toda a sociedade. Espera-se do sangue novo a renovação, mas o medo impede esses novos caretas – que eu realmente considero geração perdida – de mudar o que existe para melhor. Respeito se conquista, não se impõe. Esses novos babacas nunca conheceram uma aldeia indígena de perto, uma favela por dentro, os bastidores da política e da salsicha. São repetidores de discursos de medo, onde o outro é uma ameaça e deve ser combatido. Até quando, Brasil? Esse país (e esse mundo e todo o universo) não pode aceitar numa boa que essa geração de filhinhos de mamãe se coloque contra a luta primordial de nossa evolução: o respeito pela liberdade de todos.

Até tempo atrás eu me desesperava achando que não havia solução, sabe? Que o mundo estava fadado à um remake estilo ‘Idade Mérdia’, que o discurso dos cagões que se apavoram feito galinhas (desculpem, galinhas!) diante do outro estava dominando o mundo… Não é bem por aí, apesar do que querem fazer parecer. Assim como na Idade Média os reis e a igreja dominavam o pensamento da sociedade, hoje em dia temos reis da mídia e outras indústrias, além de várias igrejas e derivados que querem dizer como as pessoas devem viver para serem percebidas. No fundo, é só um desesperado “continue pagando” em vários aspectos, sabe? Continue pagando o pato se não for capaz de abrir sua consciência para a possibilidade de renovação. O estabelecido por tantos séculos de conservadorismo em nossa sociedade te exclui caso você não esteja sempre do lado mais forte.

Written by Lia Drumond

dezembro 2, 2011 at 5:37

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Ah, Mulheres…

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Ser mulher é muita coisa, quem sou eu pra definir, né? E ser feminista, o que é? Complicado responder isso depois de conhecê-las… Vi pluralidade e brilhantismo, nunca encontrei tanta mulher genial por metro quadrado e fiquei encantada. Nem sabia que eu era tão feminista, nunca fui fã de rótulos, mas feminismo não é uma marca, não é uma religião ou diretriz moral. Feminismo é respeito, pois a idéia que todas defendem é de empatia, como incentivar as pessoas a se colocarem no lugar de outras e a pensar sobre suas atitudes, inclusive em relação à mulher.

Enquanto cresce a voz das mulheres no consumo, nos meios de comunicação e na política, também vemos aumentar os discursos  utilizando-se do anonimato da web para cometer crimes de racismo, injúria e incitação ao crime. Feministas são alvo de todo tipo de preconceito não só por parte desses criminosos, mas por parte das próprias mulheres que não enxergam a opressão sexista. Mas em vez de se preocuparem com trolls, estão preocupadas com regulamentação da comunicação, assunto urgente, deturpado e ignorado pela grande mídia; querem que o Estado cumpra seu papel laico e faça respeitar a própria Constituição,  que o professor seja respeitado e valorizado pela sociedade.

Enfim, são muitas as discussões e idéias que me inspiram. Feminismo é fundamental e deve ser incluído na grade curricular das aulas de História, pois é muito importante que as mulheres saibam que têm muito mais em comum do que nossa cultura machista deixa transparecer. Não somos rivais, somos irmãs. O machismo existe e oprime muitas filhas que não sabem ter proteção da lei, muita mulher engole o machismo, cresce e vive condicionada a acreditar que é incapaz de mudar a realidade. Muitas riem das piadas sexistas que agrupam mulheres como se todas fossem iguais e respondessem da mesma forma, não percebem que o politicamente incorreto geralmente é burro e apela para estereótipos ridículos. (ei, redundante!) Muitas acreditam de verdade em revistas que divulgam ‘pesquisas’ sobre os reais “desejos femininos”, de que mulheres se sentem mais realizadas com a ‘santa trindade’ dona de casa-esposa-mãe em pleno século vinte e um.

É difícil não se revoltar por ser a única chata em tanto espaço, mas no I Encontro das Blogueiras Feministas encontrei várias outras tão chatas quanto eu. Primeiramente, foi uma lição de vida. Mulheres tão admiráveis e tão próximas, tão abertas ao encontro, tão inteligentes que senti orgulho de fazer parte, sabe? Eu, que achava que era melhor ser homem nesse mundo tão injusto, senti que é possível ser mulher e ser realmente forte se formos mulheres unidas. Foi bonito descobrir que sou feminista e que isso é bom não só pra mim, mas para meus filhos e para o mundo!

Música, faz tempo… Eletricityscape – The Strokes

Written by Lia Drumond

outubro 22, 2011 at 21:37

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O cão… Victor Lebow

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Tradução:  “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”

O cara teve (expressou?) a idéia que originou  (definiu?) nossa triste época…

Written by Lia Drumond

fevereiro 11, 2010 at 11:12

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Pensar por si mesmo

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Ter opinião requer, no mínimo, informação sobre o o objeto analisado. Informação e conhecimento deram uma boa propaganda pro Estadão e uma boa cutucada em quem pensa que sabe alguma coisa. Eu gosto de informação, não é por acaso que escolhi esta profissão. Mas está um bafafá sobre a não obrigatoriedade do diploma universitário para jornalistas. Não sei se sou contra ou não, mas um ponto chave que me intriga é a prisão especial para pessoas que possuem diploma de curso superior, que está está prevista no art. 295, inciso VII, do Código de Processo Penal. Bem, é prisão especial até o julgamento, que demora horrores no Brasil, mas como fica o jornalista nessa situação? O que não tem faculdade e é processado – coisa corriqueira no meio – tem direito ao “benefício”?

Sei lá, isso me parece mais uma medida antidemocrática, mais um jeito de cercear a liberdade de imprensa. Se o jornalista não tiver curso superior e for em cana, é literalmente um coitado. Pensar por si mesmo é questionar? Eu questiono o curso superior em si, que forma idiotas, peças de reposição para o mercado de trabalho. Não há espaço nem estímulo para o aluno questionar a realidade (a sociedade, os valores, os conteúdos) no curso superior. Em jornalismo, onde o senso crítico deveria ser valorizado e desenvolvido, não existe sequer questionamento. Bom, não é por acaso que muitos dos que se formam comigo sonham em ser vjs da mtv ou repórteres de estádio de futebor… Fala sério se precisa fazer faculdade pra fazer isso aí.

Meu diploma vai dar um belo papel, que eu paguei muito caro por ele, mas posso afirmar sem medo que aprendi muito pouco no curso superior que escolhi. Passei os 4 anos horrorizada com o descaso ao conteúdo, com a negligência dos professores para com o futuro da sociedade da informação e com a alienação da maioria dos colegas (não todos, não me xinguem, idiotas…) Aprendi a escrever por gostar, aprendi a entrevistar na raça,  aprendi a ser jornalista na prática e SEI que tenho MUITO pra aprender, mas acredito que nenhum curso vai me ensinar o que preciso. O jeito é seguir questionando e observando em busca de, ao menos, pontos de vista diferentes, alternativos. Novas idéias…

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Música agora: Tomorrow – Silverchair

Written by Lia Drumond

junho 22, 2009 at 13:45

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Amor não machuca…

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Fisicamente, quero dizer. Não entendo mulheres que apanham e continuam apanhando, não largam quem bate, não denunciam, não reagem… Não sei se sinto pena ou raiva. Não acho que mulher alguma seja digna de pena. Talvez algumas… Parece doença, sei lá. Não acredito que o amor por alguém possa se maior que o amor próprio,  dignidade. Nelson Rodrigues dizia que mulher gosta, acho que provocamos e testamos a força masculina, mas a coisa tem limites sadios. Uns tapas na bunda numa hora de… é, foda, é uma coisa, outra coisa é a mulher parar no hospital com suspeita de traumatismo craniano e fratura na costela. Não sei se eu deixaria vivo um homem que me fizesse uma coisa dessas… Testar a força do homem deve ser uma maneira, talvez inconsciente, de ver o quanto ele pode proteger a mulher e uma possível família. Mulheres, geralmente, não são “fáceis”. São bocudas, provocadoras, manipuladoras, chantagistas emocionais, dramáticas, espertas, exageradas, teimosas, desconfiadas, inconstantes. Mas nada justifica usar violência para se afirmar ou se sobrepor. É uma puta covardia, aliás.

Claro que homens são mais fortes, pelo menos fisicamente, pelo menos enquanto não tivermos superpoderes. Tenho o maior nojo desses caras… E medo, também. Não só por mim, mas pelo futuro. Um cara que bate numa mulher está errado, uma mulher que apanha é uma vítima, se ela se sujeita é problema dela. Mas, e os filhos? Algumas mulheres dizem que agüentam pelos filhos, eu não acredito muito. O exemplo de violência no desenvolvimento dos filhos talvez seja muito pior que uma separação, uma ausência. O filho pode crescer e achar que tudo bem bater em mulher, e a filha pode crescer e achar que tudo bem apanhar. Até que aconteça uma tragédia, tudo bem. Isso é um ciclo triste, de falta de auto-estima e tristeza. Histórias tristes e cheias de traumas que já ouvi e vi me fazem duvidar da nossa evolução, claro que todos temos momentos de raiva e explodimos ocasionalmente, mas a violência doméstica, que acontece em maior ou menor escala em todos os lugares, me faz achar que falhamos em conviver, compartilhar a vida. Um dia, não lembro quem, mas alguém que me disse que animais brigam por que não sabem conversar…

Musica pra elas: Respect – Aretha Franklin

Written by Lia Drumond

outubro 14, 2008 at 9:14

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