Lia Drumond

É só um blog…

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Tempo, mano velho

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É o cansaço, é a rotina, é a desculpa… Ou é, na verdade, o sentimento de impotência. Não tenho nada para acrescentar aqui, acho. Numa nova fase de absorção, introspecção e observação. Talvez uma nova geração, o tempo de olhar para fora só que não mais daqui de dentro, já que agora sou tão vulnerável…

Não cala a vontade de dizer  (repetir?), mas as palavras não vão sair enquanto os significados  forem os mesmos. Ninguém está prestando atenção, quem está parece que não percebe, aqui não cabe mais o mesmo. Talvez seja amadurecer não se envergonhar da limitação que se busca terminar, não tenho mais vergonha da minha burrice. Burrice de hoje e ontem, estamos aí.

Tempo de plantar e colher de verdade, tempo de ser gente criando gente, tempo de não ter tempo pra parar.  Não desisti de escrever, só não gosto mais de estar ao alcance. Meu passado está por aí, mas meu presente só eu posso abrir… E o futuro que se foda.

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E, né? Andei, Lurdez da Luz

Written by Lia Drumond

agosto 8, 2013 at 13:52

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Burrice ryka!

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É mais fácil ver a culpa no outro, se encastelar na própria experiência de vida como se todo o universo só existisse para si. É conveniente fingir que não entende o problema, é mais fácil distorcer um fato do que analisá-lo sob a luz da razão. Aliás, todo mundo acha que tem razão, mesmo que nem saiba o significado dessa palavra. Faz tempo que não escrevo por achar que tudo é repetido, cansei de gastar dedo e tempo para mostrar essa indignação que só deixa as pessoas acomodadas incomodadas. O problema não são os pobres ignorantes, mas os ricos reacionários, que nem reconhecem serem ricos. “ah, eu trabalhei para ter comida em casa e nenhum ‘vagabundo’ tem direito de ganhar de graça”. Me deparo diariamente com a alienação de gente que tem dinheiro para pagar por cultura, gente que poderia ler bons livros e tornar-se menos ignorante. Mas essas pessoas não querem educação, acham que não precisam. Elas têm curso superior, são de’formadas’. Não precisam saber o que é a sociologia, o feminismo, a política. Falam sobre carros e viagens, falam sobre coisas que têm, raramente têm algo interessante para dizer sobre o que são. Sério mesmo que o máximo que já ouvi dessas pessoas é “sou (inclua aqui torcedor de algum time de futebol, descendente de tal etnia ou um adjetivo pátrio)”. Triste. Há exceções, mas tão raras que sentem-se intimidadas. Sentipensantes são flores pisadas pelos estúpidos que pensam que nada pode atingir quem tem dinheiro. Gente que luta por algo além do próprio dinheiro é cada vez mais raro.

“Mas eu trato bem os meus escravos…” é a frase que pareço ouvir diariamente dos velhos reacionários e dos infelizes jovens rykos e alienados. Cansei dessas pessoas que fazem de tudo para aparecer.  Hoje prefiro olhar para quem realmente precisa ser visto, gente que tem salvação, pois só lhe falta dinheiro. Empatia é coisa difícil de encontrar naquele que acha que ter é mais importante do que ser. Fico na torcida maligna de que esses reaças riquinhos morram logo, pois são minoria apesar de sustentarem e fomentarem tanto consumismo e tanta desigualdade… O mundo precisa evoluir.

Written by Lia Drumond

junho 22, 2012 at 16:44

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Sem planejamento

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Que só hoje deveria importar, mas não dá pra parar de pensar no que será. Não quando se carrega pequenas promessas nos braços, para proteger da indiferença onde lhes querem plantar. Saber é, saber levar um golpe a cada coisa que se sabe triste e se precisa explicar. É doce e salgada a rotina de cuidar e amar e cuidar até que, se tudo der certo, só sobre o amar. É a agonia de ainda esperar, por mais que acreditasse, ingênua, que a espera acabaria no fim dos nove meses. Temos tanto o que esperar que a expectativa é inevitável, o sofrer com ela é infinito. Culpa e tentativas de racionalizar, afinal pensar é normal. É normal pensar? É preciso parar de pensar e planejar… (?)

Som: Call Me – Chris Montez

 

Written by Lia Drumond

março 20, 2012 at 9:57

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Blogagem Coletiva: Estupro de Queimadas

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Primeira vez numa blogagem coletiva, mas é imprescindível. A vontade é de sair quebrando tudo, fazendo o mundo ver que ser mulher também é revoltante, difícil achar uma que nunca pensou se não seria mais fácil ser homem. Pois ao homem tudo é permitido, tanto que historicamente são eles os ‘chefes’ da família, para eles que todos devem responder. Às mulheres, a vergonha. Tenha vergonha de ser mulher, por ser mulher, para ser mulher. Homem pode até ser um tremendo idiota, mas mulher, nem isso… Ninguém vai dizer do homem idiota: “Só podia ser homem!” Às meninas ensinam que devem se cuidar, preservarem-se da opinião deles. “Prendam suas cabras que meus bodes estão soltos!”. Aos meninos, ensinam que ser mulher é menor, é feio: “Vai chorar igual uma mocinha?” Claro que há gente tentando mudar essa realidade, mas ainda sobrevivemos assim. Rindo da desgraça alheia… Embebedar pra transar é realidade que quase ninguém considera abuso, nem as vítimas. Acham que por terem bebido são culpadas do abuso, pois desde cedo escutam “cu de bêbado não tem dono”. Temos direito de comprar o álcool, de usá-lo, mas não temos direito sobre nosso corpo quando sob o efeito? A culpa NUNCA é da vítima. A vítima não é culpada por usar tal vestido, por ter saído com, por ter entrado no carro, por ter paquerado, por ter beijado, por estar na festa do estuprador, etc… A culpa É do estuprador.

A festa em Queimadas, na Paraíba, foi um presente de ódio para todas as mulheres. Aqueles homens não tiveram um pingo de empatia, não pensaram nem por um momento em suas mães, irmãs, filhas… Nem por um segundo qualquer dos malditos pensou que poderia ter nascido mulher e que isso não o faria menos gente. Ninguém pede para nascer, muito menos para nascer homem ou mulher, branco, rico, cristão, brasileiro, corinthiano. Por acaso nasceu homem e isso não o faz melhor. Difícil, homem, entender isso? Subjugar prova a fraqueza dos que não têm poder para cativar… Aqueles bandidos planejaram o ataque na festa, sabiam que era um crime, mataram com tiros nas virilhas as mulheres que os reconheceram, todos os indivíduos do sexo masculino participaram do estupro coletivo de ‘presente de aniversário’ e nenhum foi humano. Imagino se têm mãe, se fosse eu mãe de dois monstros desses talvez não segurasse a barra de colocar a cara na rua nunca mais… prefiro a morte. Infelizmente não falta speed porco para dizer que se as mulheres não estivessem numa festa de caras suspeitos, nada teria acontecido e estariam seguras. Enganam-se feio. Mulheres não estarão seguras enquanto os homens não entenderem que temos os mesmos direitos, somos feitas da mesma carne e osso.

Ser estuprad@ acaba com a confiança no outro ser humano, mulheres e homens que passaram por essa tragédia carregam traumas incuráveis, muitos sofrem de depressão pelo resto da vida e até cometem suicídio. O fetiche do estupro, tão utilizado na ficção e até fantasiado por homens e mulheres, é muito diferente da violência real. Imaginar e até combinar uma ação que TODOS os participantes querem realizar é válido. No caso de Queimadas, os ‘homens’* planejaram uma sujeira imensa, tragicamente inesquecível e fatal para duas mulheres, tudo por conta da imaginação de poder que aqueles indivíduos têm. Nenhum deles estaria arrependido se estivesse em liberdade, muitos são os asquerosos que contam ‘vantagem’ sobre abusos que cometeram, muitos são os que justificam a própria agressividade culpando o alvo de sua agressão: “Ela era uma vadia”, “Ela dava pra todo mundo”. “Ela era uma prostituta”. Se mulher usasse os mesmos padrões para rejeitar ou agredir os homens, coitados… E mulher que julga as outras por achar que caráter e expressão estão na vagina também é de doer na alma. Há gente influente no meio desse crime tão sórdido e por isso pouco se falou do caso na grande mídia. Aliás, crimes contra mulheres sempre tem espaço menor no noticiário apesar de sempre terem muito espaço nas novelas. A mocinha linda com o canto do lábio roxo pode até ser sexy, mas imagina sua mãe com todos os dentes quebrados, cara toda roxa e aflita por pensar se pegou aids do estuprador. E, se ela for idosa, imagina um ‘comediante’ dizendo que o estupro foi uma ‘oportunidade’ para ela, que por ser velha deveria agradecer o estuprador…

Acontece todo dia, mais um caso horrendo de violência contra mulher, mais estatística… Peraí, está na hora de mudar isso. Lei Maria da Penha já vale ainda que a vítima não denuncie então, se souber de alguém que apanha e fica quieta, chame a polícia. Denuncie e incentive a denúncia de violência. Os homens precisam saber que não estamos desprotegidas diante de seus ímpetos…

* (gostaria de chamá-los de algo tão sórdido que nem existe palavra, algo que soasse como ‘seres repugnantes que merecem apodrecer do pau pro resto de maneira bem dolorosa e incurável’)

Som: Worry about you – Ivy

**(em tempo?) Este post é participação na blogagem coletiva de repúdio ao caso de Queimadas, convocado pelas Blogueiras Feministas e pelo Luluzinha Camp. Se o caso também te revoltou, escreva e participe da ação!

Written by Lia Drumond

fevereiro 17, 2012 at 10:05

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STOP SOPA! STOP PIPA!

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Written by Lia Drumond

janeiro 18, 2012 at 11:42

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Humildade?

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É meu dilema a percepção de que fui enganada, mas não quero mais. A impressão é essa. Não só pela família, mas tudo o que vi, li, assisti, ouvi e aprendi dizia e repetia que nascemos por algum motivo, que para crescer e me considerar  madura era preciso evoluir e ser melhor, maior, mais inteligente e bondosa. Ser bom sempre foi a grande lição de toda a moral de quase toda história. Claro, ser bom sempre é confundido com ser obediente e ingênuo, mas nunca vi bondade ser sinônimo de indiferença para com o sofrimento alheio. Aí que já posso me julgar adulta agora que não sou adolescente e tenho crianças sob minha responsabilidade. Ou seja, posso dizer que cresci, apesar de acreditar estarmos todos em pleno desenvolvimento até o fim de nossas existências.

Hoje em dia a lição é outra: seja igual. E não é seja igual ao melhor, sabe? É seja igual a média, seja medíocre – queira sempre mais, compre sem pensar, não aceite sua aparência normal, pense como a maioria. “Não ofenda os outros com lições de moral sobre ser melhor!” Mas existe melhor, sim. Quando existe o que menos prejudica, este é melhor. Hoje em dia o errado está certo. O politicamente incorreto é um nome que ganha admiração pela ignorância da maioria em relação ao que é política. Preconceito não tem graça e só quem se acha acima do bem e do mal pode julgar menor o sofrimento alheio. Liberdade de expressão não significa liberdade de ofensa e agressão. Ecologistas ganham cada vez mais apelidos pejorativos por defenderem o lar que deveria ser de todos, pacifistas são agredidos para que tenham medo de defender em público sua não reação à violência, cientistas são cada vez mais raros por se dedicarem ao conhecimento, mulheres são mortas impunemente para que não possam influenciar. Depois que cresci, querem me ensinar que preciso ser estúpida para ser aceita. Ainda bem, apesar de tudo, ainda não me acho tão estúpida.

Gentileza, bondade, cordialidade, humildade para aprender- sempre há mais, há muito mais do que poderíamos saber ainda que dedicássemos a vida toda. E, ainda assim, não é preciso tanto. É preciso apenas que cada um seja mais capaz de trocar de lugar com o outro e perceber que é frágil a diferença que nos separa.

A chuva não molha apenas um tipo de gente, o Sol clareia o dia de todo mundo que está vivo… Quando há dor, não importa em quem seja ou qual meio haja (ou não) para resolver, dói igual.

Written by Lia Drumond

dezembro 18, 2011 at 7:38

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Juventude conservadora e retrógrada

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Espera-se que a juventude seja uma esperança para o futuro, que traga mudanças e ajude a evoluir a sociedade. Isso significa questionar o que é estabelecido e que pode limitar sua experiência de vida: família, religião, sociedade, etc. Geralmente jovens questionam tudo, talvez com pouca autocrítica, mas hoje em dia a coisa está mudando, alguns jovens estão concordando com o estabelecido.

Essa juventude foi moldada pelo medo, principalmente esses que se dizem conservadores. Pois é da natureza humana experimentar para se desenvolver. Jovens que lutam contra o direito de todos viverem as próprias  experiências são uma antítese da juventude. Experimentar sexo, drogas e rock and roll faz o mundo evoluir e a velhice ser pouco amarga por contar com boas memórias. Medo do outro, medo de se tornar o outro, medo do inferno. Só o medo explica tamanha contradição que é a juventude estar castrando seu próprio potencial com as idéias de gente que já foi. O maior perigo desses caras é que, por princípio e ideal, querem dominar a vida alheia. Estão muito preocupados em saber se você faz sexo, usa alguma substância que não foi comprada diretamente de indústrias farmacêuticas, tenta escapar do trabalho para viver e se pensa diferente deles. Não querem saber se você precisa de alguma coisa, não acham válido dar a mão – a menos que seja pra te empurrar e “ajudar o mais forte a sobreviver”. Esse é o argumento de muitos desses caras…

Creio que a luta pela igualdade de liberdade é causa da gente desde que a sociedade foi estabelecida. Assim como sempre existiu um speed porco pra desejar e perseguir o poder para fazer valer o que achava ser melhor para si e para os seus, sempre existiram pessoas fraternas que enxergam no outro um aliado, não um oponente. Essas pessoas são os heróis que, mesmo errando, tentaram salvar os seus irmãos da opressão. E onde existe autoridade, existe opressão. Nossa sociedade é cheia de autoridades, podem crer! Personalidades, celebridades, autoridades. É uma escala de babaquice sem fim, ignorando o que é de conhecimento geral: a maioria desse país é pobre e/ou ignorante. Pois tem também gente que só tem dinheiro, mais nada na cabeça ou no coração. Deixam a vida levar pra onde qualquer problema alheio não incomode.

Alistamento militar obrigatório, aborto, drogas, sexualidade são do interesse não apenas do jovem, mas de toda a sociedade. Espera-se do sangue novo a renovação, mas o medo impede esses novos caretas – que eu realmente considero geração perdida – de mudar o que existe para melhor. Respeito se conquista, não se impõe. Esses novos babacas nunca conheceram uma aldeia indígena de perto, uma favela por dentro, os bastidores da política e da salsicha. São repetidores de discursos de medo, onde o outro é uma ameaça e deve ser combatido. Até quando, Brasil? Esse país (e esse mundo e todo o universo) não pode aceitar numa boa que essa geração de filhinhos de mamãe se coloque contra a luta primordial de nossa evolução: o respeito pela liberdade de todos.

Até tempo atrás eu me desesperava achando que não havia solução, sabe? Que o mundo estava fadado à um remake estilo ‘Idade Mérdia’, que o discurso dos cagões que se apavoram feito galinhas (desculpem, galinhas!) diante do outro estava dominando o mundo… Não é bem por aí, apesar do que querem fazer parecer. Assim como na Idade Média os reis e a igreja dominavam o pensamento da sociedade, hoje em dia temos reis da mídia e outras indústrias, além de várias igrejas e derivados que querem dizer como as pessoas devem viver para serem percebidas. No fundo, é só um desesperado “continue pagando” em vários aspectos, sabe? Continue pagando o pato se não for capaz de abrir sua consciência para a possibilidade de renovação. O estabelecido por tantos séculos de conservadorismo em nossa sociedade te exclui caso você não esteja sempre do lado mais forte.

Written by Lia Drumond

dezembro 2, 2011 at 5:37

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